As lágrimas escorriam e parecia que aquela agonia não tinha fim. Ela se via em um beco sem saída. Mais tarde, teria que dar uma escapada as escondidas para ir à farmácia e comprar um teste de gravidez, mas morria de medo só de pensar no resultado. Mas talvez nem precisasse. Estava tudo muito óbvio. Aquelas intolerâncias que estava tendo com cheiros que antes pouco importavam agora explicavam tudo, além da fome excessiva que vinha apresentando ultimamente. Começou a se culpar de não ter se controlado e se protegido adequadamente em suas saídas antes. Com que cara ela daria a notícia para o Chico? E depois, para a dona Cíntia? O Dr. José Ricardo e pior ainda, à dona Carmem?
— Aquela bruxa da dona Carmem, vai expulsar a mim e ao Chico, com certeza! Eu não queria nem imaginar ela sabendo do nosso namoro, imagina isso resultando em um bebê! E nem adianta esconder, porque mais cedo ou mais tarde isso vai ficar bem visível para todos. Além disso, vai ter um momento em que eu não vou conseguir mais pegar pesado no trabalho, aí seria mais um motivo para ela querer colocar outra pessoa no meu lugar!
Ernestina ficou muito desolada quando se tocou que, enquanto com o Chico ela só passou uma vez por uma situação de risco que pudesse resultar em uma gravidez, com o Dr. Santarelli foram várias. Seria mais fácil, naquele momento, dizer que o filho era do dentista. Mas só os exames poderiam comprovar isso a partir da idade do feto. Ainda assim, o intervalo de tempo entre a última vez em que ela fez sexo com o Dr. Santarelli e a primeira e única vez com o Chico foi muito pequeno, e ela não se lembrava ao certo.
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