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dystopia

Shinobu

dystopia
Chapter 14 min read

Our own utopia.

Não valia a pena ler de novo aquela história.

Fechou o livro que tinha no colo lentamente. Sabia que já lho havia lido anteriormente, mas estava a ficar sem opções. Não sabia mais histórias para lhe contar, não tinha mais canções para lhe cantar.

Não tinha mais sorrisos para dar.

Levou a mão ao peito e suspirou. Desviou o seu olhar para Satoshi e forçou um sorriso.

– Ne, Satoshi-kun…se me pudesses ouvir pelo menos uma vez…

Já havia perdido a conta de quantas vezes lhe havia dito que o queria de volta, que ele era importante, que ela precisava dele. Nunca se havia confessado, no entanto – achara que isso só deveria ocorrer quando ele acordasse.

Mas ultimamente desistia da ideia.

Levantou-se e começou a andar pela sala apressadamente, para se acalmar. Não resultou. Voltou a sentar-se e segurou-lhe na mão.

– Satoshi-kun…não imaginas o quanto eu gostaria que estivesses aqui agora.

Mas o que é que ela estava a pensar? Ele estava ali com ela, apesar de estar a dormir. Ele sempre estivera com ela, e sempre iria estar.

Ou seria ela que sempre estivera com ele?

Os dias que ela havia passado com ele faziam-na lembrar de uma utopia. Ah, como ela adorava recordar os momentos que os dois haviam passado juntos. Ele era a pessoa mais maravilhosa que ela havia conhecido. Além de mais, era um óptimo irmão para Satoko…e provavelmente também seria um bom pai.

Pai? Mas que raio?

Abanou a cabeça para afastar os seus pensamentos, não conseguindo evitar corar.

– Imagino como seria uma mistura entre os Sonozaki e os Houjou. Uma criança de cabelos verdes e olhos roxos? Ou talvez, cabelos loiros e olhos verdes. Bom, isso não importa. Aposto que seria uma criança muito fofinha, não achas?

Levou as mãos à sua face quando sentiu lágrimas a escorrerem por ela.

– Satoshi-kun…por favor…

Não importava o que ela dissesse, quantas vezes quisesse. De facto, ela podia até gritar o quanto o amava e que sentia a falta dele, e nada iria acontecer.

Ele não iria acordar.

E então, lembrava-se das palavras de Irie. Ele prometera-lhe que um dia iria curar Satoshi. E ela agarrava-se a elas, pensando que um dia iria voltar a ver o sorriso dele e sentir a mão dele a alisar o cabelo dela.

Aquela utopia já não era uma utopia. Era uma distopia.

Mas ela não se importava.

Se o sorriso dela tivesse que ser tomado para que ela continuasse ao lado dele e o visse a acordar, então que fosse. Se as lágrimas dela tivessem que se esgotar de tantas vezes que chorava pelo seu amado, então que se esgotassem.

Nada disso importava.

Ela continuaria do lado dele, sempre. E ele do lado dela, sempre.

Antes de ele acordar, e depois de ele acordar.

Quem sabe, talvez ela estivesse a assumir que ele gostava dela sem certezas. Talvez ela fosse ser rejeitada e eles não ficassem juntos para sempre do jeito que ela gostaria.

Mas ela não se importava. Porque ela continuaria a apoiá-lo, mesmo que ele escolhesse outra mulher que não ela. Tudo o que ela queria era ver um sorriso na cara dele. Ela tinha a certeza que nunca iria amar ninguém da maneira que amava Satoshi, por isso iria dedicar-se a ele.

Sempre o havia feito, e não iria desistir agora.

E quando ela enxugou as lágrimas e sorriu verdadeiramente, ela poderia jurar que viu um sorriso formar-se nos lábios do seu amado.

Mesmo que tudo aquilo fosse uma distopia e que somente lhe fosse trazer sofrimento…ela não se importava.

Ela iria fazer de tudo para tornar aquele mundo numa utopia.

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