Elizabeth olhava a cabeleira loura de Deniel, este galopava alguns metros a sua frente, seus delicados fios dourados pareciam mesclar naturalmente na aurora laranja de um belíssimo pôr do sol, aquele que preparava para se esconder atrás das montanhas muito além deles. A moça notou algo de mágico na paisagem que lhe era proporcionada, encarou isso como um bom presságio, nada iria acontecer com eles até o próximo alvorecer, além do mais, estavam perto de Cherbyn, a pequena cidade que pretendiam obter informações sobre o contrabando de escravos.
A estrada por onde passavam era árida, com apenas alguns fiapos de grama sortudas por aguentar os pesados pés dos andarilhos e os fortes cascos dos cavalos. Em volta havia lindos campos de algodão cultivados pelos camponeses de Cherbyn. Já era possível enxercar os pequenos muros que protegiam aquela cidadezinha; apesar de resistentes, eram baixos e se fosse o caso de a cidade ser sitiada, seria facilmente invadida. Mas nunca acontecerá nada a estas boas pessoas que o abade Bernardo cuidava tão bem. Aquelas terras não possuíam senhores ou embaixadores, por assim dizer, ainda estava livre do poder dos nobres, ou quase.
Deniel olhou para trás, constatando que sua parceira silenciosa ainda estava ali. Ela observava, distraída talvez, os campos que os cercavam, ele imaginou que provavelmente a moça estava procurando por vestígios, pistas da passagem de seus perseguidos. Mas, ele mesmo sabia que não havia nada, então, o que ela procurava?
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