Waiting for a miracle
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Capítulo 14 min de lectura

Del Fontes

O sol já brilhava na mansão dos Del Fontes. Maria estava acordada e acariciava o rosto do filho que dormia sem perceber sua presença. Ela adorava olhar para Gabriel enquanto ele dormia, gostava de recordar quando ele era uma criança e se aconchegava no seu regaço para que ela lhe contasse histórias antes de ir para cama. Agora o menino havia se tornado um homem, mas ela não perdera a mania de velar seu sono. Ferdinand chegou ao quarto e deparou-se com a cena. Lembrou-se de quando viu Maria pela primeira vez. Foi impossível não se apaixonar por ela, aqueles olhos azuis, aquele olhar angelical implorando proteção. Ela tinha esse mesmo olhar quando estava perto do filho. Ele se aproximou devagar e lhe beijou o rosto.

-Procurei por você na cama, mas não a encontrei...Imaginei que estivesse aqui.

-Ele é tão lindo...-Maria alisou o rosto do filho.

-Se parece com você...-Ferdinand se sentou numa parte da cama e segurava a mão de Maria entre as suas.- É lindo como você, doce como você... Não há nada nele que não me lembre você...

-Claro que há...ele adora cavalos como você.- Maria sorriu e beijou a mão do marido.

-Tinha que ter alguma coisa de mim, afinal...

Os dois levantaram-se da cama e saíram do quarto. A casa estava num completo silêncio, apenas os dois estavam acordados. Ferdinand iria sair logo, pois teria uma reunião importante no escritório. Maria iria para o colégio, era o último dia de aula e ela fazia questão de se despedir dos alunos pessoalmente. Arrumaram-se rápido e tomaram seus respectivos destinos. Logo mais Gabriel acordaria e iria para a escola, ele sempre saia mais tarde, sua aula só começava as oito. Maria recomendava a empregada que o despertasse e lhe preparasse um café da manha reforçado. Nessa manha, no entanto, a empregada esquecera-se de despertar o menino e ele saíra atrasado para a escola. Chegou perto das nove, deixando Maria preocupada. Ela o estava esperando na porta da escola, já disposta a ligar para o marido e pergunta-lhe se tinha notícias do menino.

-Filho...

-Foi mal, mãe...a Débora se esqueceu de me acordar e acabei saindo atrasado.

-Tudo bem querido, apenas fiquei preocupada...-Maria abraçou Gabriel e sentiu que ele estava um pouco quente.- Você está bem, filho?

-Estou mãe, atrasado, mas bem...-Gabriel sorriu e beijou Maria no rosto. Ele sabia que a mãe não tolerava atrasos, mas ele não pudera evitar esse. Não sabia por que, mas não conseguira levantar-se no horário certo. Mesmo quando Débora não se lembrava de acordá-lo, ele despertava antes de atrasar-se, mas essa manha ele sentia-se mais disposto a ficar na cama do que de levantar. Mas como queria evitar broncas, resolveu ir à escola mesmo contra a vontade, afinal, era o último dia de aula e, além disso, sua mãe era a dona da escola e diretora da mesma, ele tinha que dá o exemplo de boa conduta. Sentia-se cansado, mas faria o sacrifício de assistir a última aula daquele ano. Maria o acompanhou até a sala e praticamente o entregou nas mãos da professora. Logo se dirigiu a sua sala para dar continuidade aos trabalhos de fechamento de unidade da escola. Precisava se preparar para conversar com os pais, entregar boletins e reunir-se com os professores. Não sabia como faria isso, já que estava preocupada com o filho, que lhe parecia doente. Mas precisava se concentrar e ao menos tentar. Gabriel estava ali, bem perto dela, se fosse preciso, iria até a sala para verificá-lo. Apesar dele já ser um homem de dezessete anos e aquele ser seu último ano na escola, ela ainda se sentia na obrigação de acompanhar sua vida escolar e de se preocupar com seu convívio em sala. Assim como com sua saúde.

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