Vou contar para vocês algo que aconteceu há alguns anos, nesta mesma escola. Tudo começou em uma sexta-feira 13. Às vésperas da Lua cheia exatamente como hoje...
- Uma história? É tudo isso que vocês fazem? Contam histórias? — Lílian cerrou os olhos incrédula e desconfiada, esperando pela pegadinha por trás daquele pedido.
-Sim – Tiago cruzou os braços – uma história, sextas-feiras 13 são destinadas para as ‘noites de histórias de terror’.
-Então é por isso que vocês me deixaram vir? Por que às sextas-feiras 13 vocês não aprontam nada de mais? – ela rolou os olhos.
-Então? Vai contar ou não? – Sirius estava quase caindo do banquinho no qual sentava no meio do observatório de astronomia.
-Contarei algo muito melhor que uma história de terror – a ruiva deu um sorriso de lado e caminhou até o parapeito da janela, usando a luz da lua para deixa-la levemente... Teatral – contarei uma lenda – a intensidade da luz deixava-a apenas como um vulto negro para os três meninos que a observavam – uma lenda que aconteceu aqui mesmo. Neste castelo, séculos atrás... A lenda do Vampiro da Torre.
“Havia, em um longínquo castelo ao norte da Escócia, um vampiro. Não apenas aqueles sangue sugas inúteis que aparecem raramente nas casas dos puro-sangue, eu digo um vampiro de verdade. Um vampiro puro sangue: o primeiro vampiro que já existiu. Dizem que nunca houve e nem mesmo haveria assassino tão impiedoso quanto aquela criatura. Sua sede de sangue não conhecia fins seu poder não conhecia barreiras e sua crueldade... A sua crueldade deixaria até mesmo Aquele-que-não-deve-ser-nomeado assustado.
Diz-se que seus cômodos ficavam na torre mais alta do castelo, apenas para que ele pudesse ver os vilarejos mais próximos e caçar a próxima vítima mais facilmente. A lua cheia o fortalecia”.
Todos os três meninos presentes encaravam a garota, desde o alto moreno de óculos que a observava hipnotizado até o louro baixo e gordinho que encolhia-se em seu banco. Só ouviam-se as palavras dela e a respiração ansiosa deles.
“Havia caçadores do vilarejo. Todos eventualmente morreram nenhum nem ao menos foi capaz de causar um simples arranhão no vampiro. Séculos de terror e morte assombravam aqueles vilarejos que a criatura usava como seu parque de diversão. Séculos... Até quatro grandes bruxos ouvirem sobre as atrocidades que estavam acontecendo. E então, os quatro decidiram que estava na hora de pará-lo.
O problema... Era que o vampiro não era apenas uma criatura poderosa por sua força, velocidade, astúcia e sentidos moldados apenas para a arte de ser o predador perfeito. Ele também dominava a arte da magia. E não se derrota uma criatura tão poderosa com feitiços e duelos. Nem mesmo os quatro bruxos mais poderosos da época foram capazes sequer de feri-lo.
E se eles não poderiam mata-lo, então eles o prenderiam. O plano foi audacioso e a magia usada: um ritual arcaico provindo das primeiras formas de magia que se tem registro. Esperaram o dia raiar, usando a única hora que o monstro se retirava para sua torre e o prenderam ali mesmo. Em seus aposentos. Sem saída. Portas e janelas desapareceram completamente selando o monstro em sua prisão eterna.
Dizem que sempre acharam estranho uma torre tão grande ter janelas que acabavam tão abruptamente, como se bons dois andares no topo estivessem faltando. Apenas os quatro bruxos sabiam da verdade.
Então eles, para garantir que o vampiro continuasse ali por toda eternidade, decidiram usar aquele castelo como lar de uma escola, um lugar onde apenas os melhores e mais poderosos bruxos lecionariam onde, se algo desse errado, eles conseguiriam conter o vampiro. Essa escola é Hogwarts”.
-O que aconteceu depois? – Sirius perguntou depois de lembrar-se como se respirava – o que houve?
-Nada – ela deu de ombros e saiu de seu holofote natural – o vampiro continua ali – apontou para algo do lado de fora da janela, mas nenhum dos meninos conseguia ver o que era. — Ele está lá, esperando ser libertado para retomar o seu reino.
Tiago se levantou e caminhou até o lado da garota, percebendo que ela apontava para a torre da Grifinória: a torre mais alta do castelo – você disse... Que era uma lenda real, não disse Lily? – ele tinha um sorriso de lado.
-Sim – ela deu de ombros.
-Então... – ele olhou para a torre mais uma vez antes de virar-se para seus amigos – por que nós não vamos conferir?
-Não! – Pedro gritou — e... E se algo der errado, você não a ouviu? Ele era um assassino! Um muito poderoso.
-Deixe de ser maricas – Tiago rolou os olhos – iremos amanhã conferir se a Lily contou uma lenda realmente verídica.
-Ótimo – ela deu um sorriso cínico para ele – mas não pense por um segundo, que você irá sem mim.
-Essa ideia jamais passou pela minha cabeça – ele rolou os olhos – quem está dentro?
A mão de Sírius se ergueu rapidamente e tanto ele quando Tiago encararam Remo que permaneceu quieto durante todo aquele tempo. Ele deu de ombros e ergueu a mão fazendo Pedro perceber que não teria escolha a não ser levantar a mão também.
