Acordei.
Não havia muita luz lá fora, por causa do dia nublado e chuvoso, portanto fui obrigada a acender a luz o quanto antes, para poder ver meu quarto, para me livrar daquelas sombras... O mês todo estivera assim, mas se esperava um sol compensador nas próximas semanas.
Minha noite não havia sido melhor do que as anteriores.
Ela havia sido vazia.
Havia um longo espaço de tempo, vazio e negro, entre a hora em que dormi e sete horas depois, quando acordei; tempo em que nada aconteceu no mundo todo. Nada mais acontecia no mundo inteiro.
Era tudo igual a três anos atrás...
Sai do quarto desanimada, tomei meu banho, tomei meu café calmamente. Dei uma rápida olhada no jornal. Nada de especial. Alguns assaltos, alguns suicidios. Um discurso politico. Nada mais era novidade.
Quem diria que sonhos inuteis eram coisas tão importantes?
Deixei o jornal de lado e mantive-me olhando a chuva por alguns minutos, antes de sair de casa. Trabalho...
— -
Acordei.
Apesar do dia feio e frio lá fora, me sentia animada. Era só mais alguns dias de espera, antes do sol realmente nascer. Não era uma noticia ótima?
A maiora das pessoas pareciam nem mais estar ligando.
Mas, bem, eu ligo! O sol é muito melhor que a chuva. Ele é quente, e parece é a unica coisa que insiste em ser alegre por aqui.
Dormi muito bem, sonhei que voava. Acho que dormi um pouco demais, inclusive. Já passavam das 9 da manhã.
Me sentia descansada o suficiente para enfrentar mais um pouco de água.
Me vesti rapidamente e preparei meu desjejum. Leite quente e frutas. Sai sem pressa. Será que seria um dia muito longo?
— -
Ninguém se olhava. Ninguém me olhava. Não que eu quisesse alguém me olhando. Preferia ser discreta, como todo mundo era.
— -
Era tããão chato. Ninguém se importava mais com nada. Isso era por causa dos sonhos?
A cerca de dois anos, pouco antes de morrer, minha mãe disse que sonhar era criar ... As pessoas não podem mais criar nada?
— -
Pareciam todos mortos. Eu estava morta.
— -
...Eu era a unica?
Pareciam todos mortos...
— -
Todos?
Havia uma garota ali.
Por algum motivo, ela parecia tão viva.
— -
Todos...
Do outro lado da rua uma garota me olhava. Parecia tão morta.
— -
Atravessei a rua, desviando do meu caminho original. Isso provavelmente me atrasaria. Eu só senti que precisava falar com ela.
— -
Ela veio em minha direção.