Um loiro de aparência esguia e suave, olhos esverdeados idênticos aos olhos de seu pai, consequentemente idênticos aos olhos de sua avó paterna, essa fazia parte de uma descrição pouco elaborada do adolescente de dezessete anos que permanecia ligeiramente emburrado, algo que era notado pela experiente mãe, Misa — uma belíssima descendente do clã Yamanaka, ou seja, tom suave de amarelo em seu cabelo e olhos azuis quase cristalinos — que ajudava-o naquele momento a liberar um pouco da angústia que sentia.
— Não acho que ele estava brincando com vocês, Musashi não tem o hábito de menosprezar seus adversários, isso é uma característica dos samurais do País do Ferro. — A mesma anunciou ao mesmo tempo que usava a palma esquerda para segurar a mão direita fechada em punho do seu filho, sentindo a força aplicada do mesmo, antes de dar continuidade. — O que seu pai disse, Fukai? —
— Disse que Musashi só não é o rei da idiotice porque esse cargo está ocupado pelo… — Fukai começou sua resposta ao mesmo tempo que usava sua mão esquerda fechada em punho para outro soco em sua mãe, afinal seu primeiro golpe não pareceu ter o resultado que esperava, ao mesmo tempo que prosseguia. — …tio Tsuyu. —
“Previsível” foi o pensamento da experiente mãe, pois sabia como o marido não desperdiçava oportunidades para ofender o atual Amekage, os dois eram adultos altamente responsáveis com famílias formadas, mas quando confortáveis deixavam expostas a tal rivalidade que nutriam desde o dia que se conheceram em Amegakure, mas que também era uma poderosa confiança que desenvolveram na mesma época que se conheceram, quase uma relação de irmandade. E também aquele pensamento era para seu filho que achava mesmo ter a chance de acerta-la com outro soco, sabia perfeitamente que quando bloqueasse, ou seja, as duas mãos estando momentaneamente ocupadas segurando os punhos, o que ganharia em seguida seria uma cabeçada, pois tal estratégia barata fazia parte do método de ataque de seu marido.
No entanto, a mãe não se permitiu cair naquela estratégia simples, pois aproveitou a disponibilidade de sua palma direita para direcionar um golpe pesado no estômago de seu menino, ao mesmo tempo que soltava o punho dele, com isso o óbvio aconteceu: Fukai se afastou algumas unidades de metros por causa do impacto. Ajoelhado, pôs suas mãos no estômago e murmurou com a dor localizada, semicerrando suas sobrancelhas e sentindo um pouco de suor escorrendo de sua testa, reconhecendo que aquela não era a força comum de sua mãe. Ele inspirou com profundidade antes de erguer sua cabeça e direcionar a atenção dos seus olhos esverdeados para a mais velha que procurava um provável exibicionismo ao estender o braço direito a frente do corpo com a palma aberta e para cima, estando com o braço esquerdo em suas costas, mas o mais chamativo era a mesma usando a palma da mão para lhe chamar, o provocar para que continuassem, ao mesmo tempo que outra adição acontecia na aparência de sua mãe; suas íris adquirindo um tom mais amarelo com suas pupilas ficando horizontais e um sombreamento alaranjado por cima dos olhos; aquele sem dúvida era o Sage Mode que ela aprenderá aos dezesseis anos.
— Isso vai ser ótimo. — Fukai murmurou para si mesmo enquanto seus olhos esverdeados ganham um tom mais avermelhado com uma simples adição de uma esfera negra envolta da pupila; aquele era seu Sharingan, despertado a algumas semanas. E ele não demorou em dar continuidade com uma pergunta. — Chega de ser previsível? —
— Sim, mostre sua originalidade. — Ela respondeu a pergunta do filho ao mesmo tempo que abandonava uma parte daquele sorriso.
Ele obedeceu.
Fukai disparou, rumando até sua mãe enquanto sua mão esquerda seguia para uma bainha que sempre permanecia em suas costas com a alça cortando seu peito em diagonal, sentiu o cabo avermelhado de sua espada curta — tantō — e puxou-a sem qualquer dificuldade, assim revelando a lâmina particularmente negra enquanto terminava com sua aproximação, parando a menos de dez centímetros do corpo de sua mãe e erguendo para cima o braço que empunhava a arma, dessa maneira tecendo um violento golpe em vertical que de maneira previsível a mais velha desviou simplesmente inclinando seu rosto alguns centímetros a mais para trás, o que inicialmente pareceu um fracasso inicial em sua primeira oportunidade, mas o garoto sabia que ainda não estava próximo de concluir sua primeira oportunidade. Ele deslizou com imensa suavidade a ponta dos dedos pelo cabo de sua tantō, chegando até a parte baixa e com um impulso dos dedos médio e indicador lançou sua arma para trás, agarrando-a novamente com sua mão direita, aquele definitivamente era um movimento que precisava ser meticulosamente treinado e dominado, pois caso cometesse um deslize perderia sua vantagem, e quando recuperou sua arma novamente atacou sua mãe, dessa vez sendo um corte em horizontal em sua barriga.
O corte em horizontal foi ainda mais desafiador de esquivar, mas em momento algum era impossível. A Yamanaka não se permitia subestimar seu filho, sabia como o mesmo possuía um talento reservado para momentos mais sérios, assim como um certo Uchiha de cabelos róseos. Ela inclinou o máximo possível seu corpo para evitar aquele segundo golpe, inclinou ao ponto de pôr seus braços para trás e as pontas dos dedos tocarem no chão da arena do Coliseu, o maior espetáculo de Amegakure, criação do Amekage durante uma conturbada época, aquele gesto serviu como um apoio para todo o restante do seu corpo, uma momentânea distribuição de equilíbrio, ao mesmo tempo que a lâmina passava onde segundos atrás deveria estar sua barriga. Ela esboçou um sorriso que beirava a satisfação, não por evitar o golpe, mas por seu filho não ter hesitado, de ter feito o movimento sem perder o foco. E ela aproveitou aquele segundo vantajoso que o mesmo parecia surpreso com sua evasiva para remover o pé esquerdo do chão e dobrar sua perna ao alcance da barriga antes de esticá-la novamente, dessa maneira acertando com a sola do pé no estômago do loiro que graças aos especiais olhos pôde prever o movimento de sua mãe, por isso atirou sua tantō para cima com o mesmo gesto de antes e com agilidade pôs as palmas das mãos um pouco abaixo do joelho materno, usando como apoio para um salto, assim evitando aquele chute que certamente doeria por alguns dias, mas também aproveitando o salto para duas coisas; a recuperação de sua arma e o efeito gravidade.
Ele caiu, dessa vez segurando o cabo da tantō com sua mão esquerda e a palma direita posicionada mais atrás, servindo como um peso adicional, enxergando com nitidez a surpresa nos olhos amarelados de sua mãe. E Misa reagiu de acordo, recuando seu pé esquerdo e girando seu tronco, dessa maneira permitindo que o golpe passasse raspando em sua clavícula, tão próximo que algumas mechas douradas se desprenderam. No mesmo movimento, ela agarrou o braço esquerdo do filho com sua mão esquerda, interrompendo por instantes a fluidez dos ataques dele. Algo que já era esperado por Fukai que girou a tantō no próprio punho, inverteu a pegada e empurrou a lâmina em um movimento de estocada, mirando a costela direita da mãe. Ela teve de largá-lo e saltar para o lado com um rodopio ágil para evitar o ataque, e o fez com destreza suficiente para que seus pés mal parecessem tocar o chão, ao mesmo tempo que analisava seu filho. “Não é uma cópia dos movimentos de Musashi, mas um refinamento do que aprendeu com ele”, a mesma pensou conforme dava atenção para seu menino que avançava para uma nova oportunidade.
Dessa vez, ele manteve a tantō rente à lateral do corpo, a lâmina apontada para trás, e correu em ziguezague. A velocidade aumentada com auxílio do Sharingan tornava seus movimentos instáveis aos olhos comuns, mas não aos olhos de sua experiente mãe. A Yamanaka usou a sensorialidade natural do Sage Mode, antecipando que o próximo golpe não viria direto. E não veio. No último instante, o garoto arremessou sua tantō num giro frontal em direção ao rosto da mãe, distração calculada, e então avançou com um salto baixo, escorregando pelo chão com a perna dobrada, como se fosse fazer um golpe de rasteira. A Yamanaka interceptou a lâmina lançada com a palma da mão, girando o corpo ao mesmo tempo para evitar a aproximação perigosa do filho. Algo que o menino aproveitou, pois com um movimento rápido de chakra no solo, criou uma leve elevação de terra, apenas o suficiente para se impulsionar e agarrar a tantō que ela havia parado, recuperando-a no ar ao custo de alguns arranhões nos dedos. E naquele momento, posicionado às costas da mãe, ele lançou um corte em arco reverso, mirando as costas da figura materna.
E aquele teria sido o primeiro acerto no corpo de sua mãe se não tivesse parado quando, graças a habilidade sensorial herdada através do clã materno, sentiu um chakra poderoso e familiar. Ele abaixou o braço que empunhava a tantō ao mesmo tempo que seus olhos voltavam a tonalidade de sempre, sentindo um solitário suor escorrendo a partir de sua testa enquanto armazenava sua arma na bainha que permanecia em suas costas, assim como também reconhecendo a mão esquerda de sua mãe que ganhou sua atenção, dessa maneira reparando que ela havia cancelado o uso do Sage Mode, pois sua aparência voltava a ser a mesma de antes.
— Esse chakra. É o papai? — Fukai perguntou de forma retórica, obviamente que reconheceria o chakra de seu pai em qualquer lugar, apenas permanecia surpreso pelo poder quente e poderoso que sentia mesmo à distância. Ele não demorou em dar continuidade. — Parece que ele está levando a sério alguma coisa, o que será que aconteceu? —
— Não tenho ideia. Mas podemos descobrir assim que nos reunirmos com ele. O que acha? — Misa perguntou ao mesmo tempo que levava sua mão esquerda ao cabelo do filho e arrumava com sutileza para remover as mechas de frente dos olhos, admirando silenciosamente aquele tom esverdeado em olhos tão gentis.
— Claro, algo grande deve estar acontecendo para sentirmos daqui esse chakra, né? — Fukai perguntou ao mesmo tempo que se virava e saía andando, rumando a saída do Coliseu enquanto sentia as mãos de sua mãe alcançando seus ombros num típico conforto, e não demorou para que desse continuidade, dessa vez com um pouco de malícia. — Eu quase te acertei, acho que mereço um dia de folga. —
— Tal pai, tal filho. — Misa murmurou ao mesmo tempo que revirava divertidamente seus olhos e aumentava um sorriso puxado ao canto esquerdo dos lábios, então deu continuidade. — Podemos conversar sobre isso mais tarde, primeiro veremos o que aconteceu. —
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E o que aconteceu era que um elegante rapaz com cabelo escuro longo e olhos perolados com veias pulsando envolta deles, sendo uma das mais importantes evidências de descendência com um dos clãs mais poderosos e respeitados de Konohagakure, usando trajes que insinuavam que era o Kage de Amegakure, permanecia com suas mãos entrelaçadas com outro indivíduo, este segundo possuindo cabelo róseo curto e olhos que naturalmente eram esverdeados, mas que lentamente mudavam durante aquela proximidade um pouco irritante com o outro homem, assim sendo composto por três lâminas curvas negras, espiraladas em torno de um círculo central, entre as lâminas negras mantendo-se o clássico tom avermelhado, sem dúvida o que mostrava abertamente era um Mangekyou Sharingan, esse rosado usava uma camisa social branca com uma calça preta e um jaleco branco com o símbolo do clã Uchiha bordado nas costas da vestimenta, além disso emanava uma aura púrpura envolta do seu corpo. Ambos rangiam seus dentes enquanto trocavam olhares sérios.
— Quem você chamou de idiota? — O AmeKage perguntou ao mesmo tempo que uma veia a mais pulsava em sua testa, então deu continuidade. — Repete, Rin! —
— Além de idiota é surdo agora? — Rin declarou com um evidente deboche ao mesmo tempo que apertava seus dedos entre os dedos das mãos do outro homem, semicerrando as sobrancelhas antes de dar continuidade. — Você é um idiota, Tsuyu! —
— Você sabia que só um idiota maior ainda é necessário para reconhecer outro idiota? — Tsuyu perguntou com ainda mais deboche e apertando com mais força seus dedos entre os dedos das mãos do outro homem, não demorando para que continuasse. — Você realmente não tem mais noção do que está falando, está ficando gagá com a idade, Uchiha inútil. —
— Você é um ano mais velho. Se eu estou gagá, então você está esclerosado, Hyuga maldito. — Rin comentou ao mesmo tempo que apertava mais ainda os dedos entre os dedos das mãos do outro homem.
— Só alguém com o cérebro derretido pela preguiça como você pra achar que esse papo de idiotice infinita vai me afetar, merda ambulante. — Tsuyu afirmou enquanto sorria com ironia, apertando ainda mais os dedos nas mãos do homem à sua frente, como se quisesse testá-lo. — Quando vai entender que você não passa de um bosta que se acha esperto? —
— Lixo de ego inflado, se você soubesse o que é um cérebro, talvez conseguisse conversar de igual pra igual comigo, mas como não sabe, fica aqui, se enchendo de palavras que não passam de merda de mosquito. — Rin zombou, os olhos brilhando com a mesma malícia.
Os dois rosnaram em simultâneo enquanto eram assistidos por outras pessoas que pareciam verdadeiramente acostumadas com a infantilidade das duas pessoas mais influentes de Amegakure, entre essas pessoas encontrava-se uma linda menina de cabelos róseos e olhos azuis com feições gentis que permanecia abraçada com uma amiga de longa data de cabelo moreno e olhos lilases, sendo a primeira reconhecida como Uchiha Harumi — Mimi para os íntimos — e a segunda Hyuga Arashi, essa sendo mais velha em apenas dois anos que a rosada e pouquíssimos meses de diferença que Uchiha Fukai. Elas assistiam seus pais naquela “madura” conversa enquanto outra pessoa unia-se a elas, dessa vez sendo uma linda mulher de olhos lilases com um curto cabelo loiro em trajes comuns de serem vistos em Amegakure, sendo essa uma das pessoas que melhor conhecia aqueles dois indivíduos — Doro, a esposa de Tsuyu e melhor amiga de Rin — e olhou de início para as meninas.
— Porque estão brigando? — Doro perguntou com curiosidade.
— Papai mencionou que houve um roubo no combate mais cedo contra Musashi, mencionando que apenas um idiota aceitaria esse tipo de comportamento em seu território… — Mimi respondeu parcialmente a mais velha enquanto permanecia com um sorriso tipicamente gentil e afetuoso.
— …papai escutou que estava sendo chamado de idiota e uma coisa levou a outra, acho que deve ter se esquecido de que o tio Rakun disse que em Amegakure aceitamos o comportamento. — Arashi respondeu a outra parte e não pareceu incomodada por chamar Rin de Rakun, aquilo era natural para aqueles que o conheciam a anos. Ela olhou em volta como se buscasse um certo loiro que por infelicidade não encontrava-se ali, algo que foi notado pela sua acompanhante, e por sua mãe.
— Ele está com mamãe. — Mimi respondeu enquanto seus olhos azuis carregavam vários comentários que foram ignorados pela mais velha.
— Enfim. — Doro murmurou conforme se aproximava dos adultos com eternas mentes de adolescentes e levou suas mãos às orelhas deles, puxando-as e ganhando suas atenções e dando continuidade enquanto olhava primeiramente para o rosado. — Podem ir parando com isso. A caminho daqui, alguns ninjas sensoriais me alertaram de um chakra pesado nessa área, por isso cancele seu Mangekyou Sharingan, Rakun. E você… — A mesma olhou para seu marido enquanto o rosado cancelava o uso do Doujutsu, retornando assim a ter olhos esverdeados. — …sem intenção assassina. —
— Certo. — Tsuyu e Rin responderam, com o primeiro desativando seu Byakugan e regressando a ter olhos dourados levemente chamativos.
— Rakun. Tem algo que gostaria que visse… em particular. — Doro comentou enquanto soltava as orelhas de ambos os sujeitos ao mesmo tempo, vendo-os massagearem as próprias orelhas vermelhinhas pelo aperto recente.
— Algo? — Rin perguntou conforme cruzava os braços e suas mãos alcançaram os cotovelos, semicerrando as sobrancelhas e adotando um aspecto mais pensativo, tanto que discretamente olhou para o amigo ao seu lado em busca de uma pista, mas Tsuyu balançou a cabeça com a mesma discrição, como se também não soubesse do que a esposa falava.
— Você pode se interessar. — Doro sorriu pelo canto dos lábios com um suave charme antes de dar as costas para o melhor amigo e dar continuidade enquanto saia andando em direção a saída do recinto. — E garanto que deixará sua mente bem ativa para que o clima agradável não pareça mais importante. —
— Boa sorte com isso, porque essa chuva suave em Amegakure está me deixando com preguiça. — Rin comentou com uma suave malícia e pensando quase imediatamente num lugar que pudesse descansar sem que fosse atrapalhado por qualquer pessoa, algo que adorava desde sempre, continuando assim que notou a chegada de sua esposa e filho. — Misa, posso roubar Fukai por alguns minutos? —
Harumi e Arashi olharam ao mesmo tempo para trás, ao mesmo tempo enxergando o rosado que permanecia com a mãe atrás dele com as mãos em seus ombros, está acabando e dar um beijo no cabelo do filho que parecia ter gostado, Mimi imediatamente se desgrudou da amiga para que se aproximasse do irmão que estendeu seus braços no momento certo, assim carinhosamente a abraçando, mas também olhando para Arashi que cruzava os braços sem que saísse do lugar e voltava a ser atenção para os dois homens que até poucos minutos discutiam como adolescentes, algo que faz com que Fukai sorrisse por sempre ter se interessado no comportamento de uma das suas amigas de mais longa data.
— Promete que vai me devolver inteiro? — A Yamanaka perguntou com um evidente sarcasmo.
— Talvez sem um braço. — O Uchiha respondeu com deboche, sem qualquer necessidade de olhar para o braço enfaixado, ou para o Amekage que estava na mesma situação, ambos conseguindo braços artificiais quando ainda eram adolescentes, mas em épocas diferentes.
— Por favor, não. — Harumi, Arashi, Doro e Fukai disseram em simultâneo, com a primeira soltando o irmão e saindo da frente dele.
A Yamanaka apenas riu e aproveitou suas mãos nos ombros do filho para carinhosamente o empurrar em direção ao homem, seus olhos azuis se encantando momentaneamente com os olhos esverdeados gentis que não interrompiam aquela clássica admiração, sabendo que através daqueles mesmos olhos ele provavelmente a considerava como valente, forte e amável. Harumi olhou para seu pai com um sugestivo interesse.
— Posso ir também? — A mesma perguntou com uma suave súplica, sabia que era a princesinha do pai, mas também sabia que tinha coisas que não era permitida.
Rin, conforme alcançava os ombros de Fukai, olhou para Doro quando recebeu a pergunta de sua filha, através de uma troca de olhares silenciosos o mesmo entendeu que aquilo não seria possível, por isso direcionou a atenção para a esposa que conseguiu ter uma rápida interpretação da situação e se ajoelhou suavemente para que ficasse rente aos olhos de sua menina.
— O que acha de tomarmos um sorvete com Tsuyu e Arashi enquanto assistimos o treinamento dos mais novos em Iryō Ninjutsu? — Misa perguntou e apertou o nariz de sua filha o suficiente para fazê-la rir.
— Está bem. — Harumi respondeu após os breves risos e deu atenção para seu pai e irmão que seguiam Doro, em seguida continuou. — Boa diversão! —
— Na verdade, Arashi estará ocupada, ela vem com a gente. — Doro comentou ao mesmo tempo que cruzava os braços abaixo dos seios e dava uma olhada singela em sua filha antes de dar continuidade. — Melhor do que ter você escondida por causa de algum Jutsu apenas ouvindo o que estamos conversando, pela décima quinta vez. —
Arashi soltou um riso discreto, sabendo que não foram somente quinze vezes que ouviu secretamente as conversas sérias que envolviam aquele grupo amistoso. Ela aceitou o chamado de sua mãe, com isso se aproximou do rosado e baixou um pouco sua cabeça quando sentiu a mão dele alcançando seu topo e lhe acariciando com um clássico afeto, ao mesmo tempo que seu pequeno e interessante quarteto tomava distância.
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O quarteto levou pelo menos quinze minutos para chegarem a uma sala que normalmente seria confundida com uma sala médica por conta dos pergaminhos relacionados com Iryō Ninjutsu em estantes e alguns esqueletos detalhados, além de um espaço reservado por uma cortina branca, Doro esperou que a última pessoa — Rin — entrasse para que fechasse e trancasse a porta. A mulher suspirou e seguiu até aquela mesma cortina branca e puxou-a para o lado esquerdo, dessa maneira revelando uma maca de inox com rodinhas e um corpo masculino por cima dela, o corpo não possuía folículos, apenas um cabelo raspado e uma estrutura muscular aparentemente saudável, e provavelmente era mais novo que Doro e Rin, e uma marquinha que normalmente seria confundida com um chupão no lado esquerdo do pescoço se fosse notado. Fukai e Arashi recuaram alguns passos, diferente de Rin que se adiantou enquanto semicerrava as sobrancelhas.
— Quem estou vendo, Doro? — Rin perguntou ao mesmo tempo que fechava sua expressão, seus olhos esverdeados tornando-se mais sérios, mas nitidamente havendo uma tristeza neles.
— Um novato. Ele chegou a algumas semanas motivado a ser um dos melhores, mas essa manhã foi encontrado próximo dos aposentos nessa situação. — Doro respondeu ao mesmo tempo que cruzava os braços e balançava a cabeça de um lado a outro antes de dar continuidade. — Ninguém escutou nada, ninguém sentiu nada. —
— De novo. — Rin murmurou e levou a mão esquerda para o cabelo, alisando-o para trás antes de soltar um suspiro de arrependimento.
— Como assim “de novo”? — Fukai perguntou com um sugestivo interesse e olhando cheio de dúvidas para seu pai.
— Se aproxime. — Rin pediu ao filho, ao mesmo tempo olhando para Arashi, como se aquele pedido também fosse para ela.
Fukai e Arashi obedeceram, se aproximaram da maca, consequentemente daquele corpo, ao mesmo tempo que o rosado com cuidado mexia nele para expor melhor aquela marca no pescoço do indivíduo, assim melhorando o que os dois normalmente não veriam.
— Uma mordida? — Fukai perguntou com curiosidade.
— Sim. — O rosado respondeu e olhou brevemente para Doro que era uma verdadeira especialista em veneno antes de voltar sua atenção para o filho e dar continuidade. — O primeiro indivíduo também estava com uma marca idêntica a essa, e o problema era a existência de veneno. Doro até conseguiu extrair o veneno para produzirmos um antídoto, mas… — O mesmo acabou sendo interrompido.
— ...mas o antídoto não surtiu efeito. — Doro completou, sua expressão endurecendo com a lembrança antes de dar continuidade. — Achamos o primeiro corpo até que cedo, conseguimos lutar usando Iryō Ninjutsu para retardar um pouco ao mesmo tempo que eu me concentrava no antídoto, e quando foi aplicado o sistema reagiu por alguns segundos, mas logo entrou em colapso. O veneno pareceu se adaptar, como se tivesse consciência... ou fosse alimentado por algo mais. — Ela virou-se para a estante e pegou um frasco transparente com um líquido esverdeado espesso. — Isso aqui foi o que restou da última extração. —
— Isso não é só um ataque. — Rin afirmou, os olhos cravados na mordida do corpo, reconhecendo que se pesquisasse naquele corpo muito provavelmente acharia a mesma toxina. — Isso é uma assinatura, como se estivessem deixando uma marca... um aviso. —
— Que tipo de aviso? — Arashi perguntou com imensa curiosidade enquanto sentia um frio se desenvolvendo em sua nuca, lutando contra a vontade de esconder sua nuca com a mão esquerda.
— Que ele não quer ser apenas temido, mas reconhecido, como se dissesse: “Eu estou aqui. E vocês não podem fazer nada.” — Rin respondeu a garota e semicerrou mais ainda suas sobrancelhas, havendo uma sombra perigosa em seus olhos esverdeados.
— E não sabemos o que é isso? — Fukai perguntou e levantou um pouco as sobrancelhas quando percebeu uma troca de olhares entre os mais velhos, assim não demorou em dar continuidade. — Sabemos? —
— Sabemos. — Doro respondeu com uma afirmação e bufou com uma sugestiva irritação.
— Um tipo completamente errado de Iryō Ninjutsu, precisei de pessoas de dentro de Oni no Kuni para saber exatamente o que era, descobriram que se trata de Kyōka Shohō: Chakra Chūnyū, um Iryō Ninjutsu obscuro que um específico clã passou gerações aperfeiçoando, mas o problema é que não foram achados registros atuais desses membros, inicialmente dá para imaginar que era um clã a beira da extinção, mas é só uma suposição. — Rin respondeu usando um tom mais severo e retornando a atenção para seu filho, olhando diretamente nos olhos dele antes de dar continuidade. — O que posso afirmar é que uma infecção solitária tem se espalhado pela Rokujūshi. —
— E o que farão? — Fukai perguntou e ficou mais curioso ainda quando notou uma estranheza na expressão de seu pai, como se o mais velho não entendesse a pergunta, por isso deu continuidade. — Vocês farão alguma coisa quanto a isso, né? —
— Não exatamente. — Rin respondeu ao mesmo tempo que levava as mãos a sua cintura e olhou brevemente para Doro que balançou discretamente a cabeça para ele, como se concordasse com algo que se passava em sua mente, em seguida continuou quando sorriu de forma traiçoeira para o seu filho. — Vou deixar essa responsabilidade para os mais novos, passou da época que eu simplesmente ia numa aventura com o mínimo de informação para resolver algum problema, sinceramente quero mais é descansar. O que acham de aceitarem essa missão? —
— Você acha que aguentamos? — Arashi perguntou ao mesmo tempo que dava alguns passos que foram suficientes para ficar ao lado de Fukai que aparentemente perguntaria a mesma coisa que ela.
— Tenho certeza. — Doro respondeu no lugar de Rin enquanto seguia para o lado esquerdo do velho amigo e levava a mão esquerda ao ombro dele, então deu continuidade. — Vocês são inteligentes e fisicamente preparados, sabem o que é certo e errado nesse mundo, cooperam surpreendentemente bem quando estão lutando, isso é algo que poucas pessoas nesse mundo podem se orgulhar. —
Fukai sentiu as bochechas ficando suavemente mais quentes, por isso baixou um pouco a sua cabeça enquanto guardava para si aquelas importantes palavras da melhor amiga de seu pai, sentia seu coração batendo um pouco mais rápido pela alegria em toda aquela consideração e reconhecimento que recebia, apenas olhou para o lado esquerdo quando sentiu um impacto em seu ombro, assim reparando em Arashi que havia lhe dado uma cotovelada e aproximado um pouco seu rosto ao rosto dele e sorria para ele.
— Nós damos conta. Não é? — Arashi perguntou com um suave brilho em seus olhos lilases.
Fukai soltou um riso baixo e solitário com a pergunta quase retórica de sua amiga, óbvio que depois de ser tão bem elogiado não poderiam recusar aquele tipo de pedido de duas pessoas que tanto admirava, além disso sabia que era uma boa oportunidade para evoluir suas técnicas, em seguida voltou sua atenção para os dois mais velhos que aguardavam por sua resposta, algo que foi imediatamente lido pelo rosado mais velho, afinal de contas era o melhor ali que conhecia seu filho, com isso aumentou um sorriso pelo ânimo em imaginar as oportunidades que passariam por ele.
— Vamos nessa. — Fukai comentou

