Sob o Céu do Observatório
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O Começo de Algo Inesperado

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Ainda me lembrava da sensação de chegar pela primeira vez à Estação King's Cross, em Londres, e me ver diante da barreira entre as plataformas 9 e 10, que levava os estudantes e familiares à Plataforma 9¾. Agora, a cada travessia, o frio na barriga e a ansiedade se misturavam à expectativa, e meu coração batia mais depressa.

Do outro lado, o Expresso de Hogwarts aguardava, envolto em uma nuvem de vapor, enquanto a plataforma fervilhava com alunos, famílias e olhares curiosos. Diante daquela cena, qualquer preocupação do mundo de fora parecia pequena.

Mais um ano letivo estava prestes a começar.

Os alunos do primeiro ano, amontoados diante dos vagões, ainda pareciam assustados. Olhavam para tudo e para todos com expressões cheias de expectativa e apreensão. Já os veteranos se reuniam de acordo com suas casas, demonstrando muito mais segurança por já saberem o que esperar.

Eu segui para a área reservada aos alunos da Grifinória, esperando encontrar algum rosto conhecido. Não via meus amigos desde o fim do ano letivo passado e estava ansiosa para contar todas as novidades das férias.

A cada passo, meus olhos percorriam a plataforma, procurando primeiro o sorriso exagerado de Naruto ou as grossas sobrancelhas de Rock Lee, sempre acompanhadas por uma expressão determinada.

E foi assim que o encontrei.

Rock Lee estava sentado nos bancos mais afastados da muvuca que se formava perto do trem e, assim que me viu, levantou-se de um salto, quase derrubando a própria mochila. Enquanto eu me aproximava, os olhos dele brilhavam, e o punho erguido diante do peito parecia anunciar um discurso.

Confesso que, antes de conhecê-lo de verdade, aquele jeito entusiasmado e ingênuo costumava me deixar constrangida. Com o tempo, porém, percebi que era apenas a maneira que ele encontrava de demonstrar sua lealdade e sua coragem diante dos desafios.

Distraída com a euforia dele, só percebi o garoto vindo na direção contrária quando senti um esbarrão no ombro. Meus materiais caíram no chão, e eu me preparei para receber o impacto do corpo contra o piso.

Porém, o chão nunca chegou.

Quando olhei para cima, percebi que estava nos braços da última pessoa que imaginava encontrar.

Sasuke Uchiha, o prodígio da Sonserina, segurava-me pela cintura. Apesar de sua amizade com Naruto, eu nunca havia conversado com ele; só o conhecia pelas coisas que meu amigo dizia a seu respeito.

— Está tudo bem? — perguntou ele. Sua voz grave me provocou um arrepio inesperado.

— Ah, sim… Desculpe! — respondi depressa. — Eu não estava olhando por onde andava.

Sasuke me soltou sem dizer nada, mas continuou me observando enquanto eu me abaixava para recolher meus materiais.

— Só tome mais cuidado da próxima vez! — disse ele, em um tom de repreensão que me irritou.

Antes que eu pudesse responder, Sasuke já havia virado as costas e seguido seu caminho.

— Eu já pedi desculpas! — gritei, torcendo para que ele escutasse.

Ele nem sequer se deu ao trabalho de olhar para trás quando me virei, irritada, em sua direção. Quem ele pensava que era para falar comigo daquele jeito?

Ao redor, todos me olhavam como se eu tivesse acabado de perder a cabeça, e o calor da vergonha subiu até minhas orelhas.

Terminei de recolher meus materiais o mais rápido que pude e fui ao encontro de Lee.

— Sakura, está tudo bem? Aquele cara fez alguma coisa com você? — perguntou Lee, cruzando os braços. Seu lado protetor aparecia sempre que alguém parecia incomodar um de seus amigos.

— Está tudo bem, Lee, não se preocupe! — respondi. A última coisa de que eu precisava era chamar ainda mais atenção para o ocorrido.

— Como foram suas férias? — perguntei, tratando logo de mudar de assunto.

— Ah, foram ótimas! Treinei o feitiço de levitação. Estou quase tão bom quanto você! — respondeu, com um sorriso orgulhoso.

— Lee, não quero desanimá-lo, mas não podemos praticar magia fora de Hogwarts.

Ele arregalou os olhos e baixou o tom de voz, como se esperasse que ninguém tivesse ouvido a frase anterior.

— Eu já sabia disso — murmurou.

— Claro que sabia.

— Sabia o quê? — perguntou Naruto, envolvendo meus ombros por trás. Sua voz, quase gritada, soou bem perto do meu ouvido.

— Que você está atrasado, baka! — respondi, segurando os braços dele, que ainda me envolviam.

Minha amizade com Naruto era mais recente, mas eu já me apegara muito àquele garoto.

— Sakura-chan, não seja tão maldosa! — reclamou Naruto, apertando o abraço.

Em seguida, inclinou a cabeça e me observou com curiosidade.

— Aconteceu alguma coisa, Sakura-chan? Você está vermelha. Está com febre?

Ele soltou um dos braços e levou a mão em direção à minha testa.

Esquivei-me como pude.

— Não aconteceu nada, Naruto — respondi depressa demais.

Lee franziu o cenho.

— Foi aquele aluno da Sonserina, não foi? Eu sabia que havia algo suspeito naquele olhar!

— Lee, não comece — pedi, ajeitando o cabelo atrás da orelha.

— Que aluno da Sonserina? — perguntou Naruto.

Eu deveria ter imaginado que esconder o encontro com Sasuke de Naruto seria impossível.

— Aquele seu amigo! — Lee parecia determinado a não deixar o assunto morrer, por mais que eu insistisse.

— O Sasuke? O que aconteceu entre vocês?

O olhar de Naruto dizia que ele não desistiria até saber de tudo, e eu não fazia ideia de como escaparia daquele interrogatório. Por sorte, o apito do Expresso soou, cortando a conversa e anunciando que o trem partiria em breve.

— Última chamada para embarque! — anunciou o maquinista junto à porta do vagão.

— Vamos logo, meninos! — falei, puxando Lee pela manga. — Não quero passar a viagem inteira em pé. Se não nos apressarmos, os melhores lugares vão acabar.

Alguns vagões à frente, vi o garoto responsável pelo meu constrangimento entrar no Expresso, acompanhado, ao que tudo indicava, por três amigos.

Algo me dizia que aquele ano seria diferente. Talvez essa sensação tivesse começado no instante em que Sasuke Uchiha me segurou nos braços.

Eu só ainda não podia imaginar que os maiores desafios daquele ano não viriam das provas ou dos professores.

«☆»

Algumas horas depois, com meus pertences já acomodados no dormitório feminino da Grifinória, desci ao Salão Principal. Lá aconteceria o banquete de boas-vindas, durante o qual também descobriríamos em quais casas os alunos do primeiro ano seriam selecionados.

Ao passar pelas portas, vislumbrei as quatro mesas, cada uma destinada a uma das casas. Os alunos desfrutavam de um banquete farto, enquanto conversas se espalhavam por todos os lados, misturadas ao som dos talheres batendo contra os pratos brilhantes.

O teto encantado, adornado com inúmeras velas mágicas que flutuavam acima de nossas cabeças, iluminava o salão com uma luz dourada.

Fui até a ponta da mesa da Grifinória. Naruto e Lee já estavam ali, devorando todos os tipos de pratos que continuavam a surgir diante deles como num passe de mágica.

— Sakura-chan! — Naruto acenou freneticamente para mim.

Era bom estar com aqueles bobos novamente.

— Olá, meninos! Já conseguiram se acomodar?

— Sakura-chan, você está perdendo a melhor torta de melaço do mundo! — Naruto respondeu de boca cheia, apontando para uma enorme fatia diante dele.

— Você deveria aprender a ter mais educação, Naruto! — disse uma voz atrás de mim.

Senti um frio na nuca. Eu reconheceria aquela voz em qualquer lugar.

— Sasuke, seu teme! Onde você esteve esse tempo todo? Eu estava procurando você! Precisamos conversar! — exclamou Naruto, alternando o olhar entre mim e Sasuke.

Eu já imaginava como terminaria aquela conversa entre os dois.

— Depois conversamos, Naruto. Vim apenas entregar um recado — disse Sasuke. Em seguida, voltou sua atenção para mim.

— Você é Sakura, certo?

Como assim ele não se lembrava do meu nome? Não fazia nem doze horas que havíamos nos esbarrado. Ainda assim, não deixaria meu desconforto transparecer.

— Sim. Posso ajudar em alguma coisa? — perguntei, tentando manter a voz firme.

— A professora Tsunade pediu que você a encontrasse na sala de Transfiguração assim que a Cerimônia terminasse.

— Sabe me dizer o que ela quer? — perguntei. A convocação de Tsunade logo no primeiro dia me deixou nervosa.

— Algo relacionado à monitoria. Ela não disse muita coisa, apenas pediu que você a encontrasse assim que pudesse.

Ah, a monitoria! Com a viagem e a agitação da plataforma, eu havia deixado aquilo de lado por algumas horas.

— Ah, claro. Obrigada pela informação — agradeci.

Ele meneou a cabeça e seguiu em direção à sua mesa.

Logo em seguida, o diretor Sarutobi iniciou o discurso de boas-vindas, marcando oficialmente o começo de mais um ano letivo em Hogwarts. Ao fim do discurso, os alunos do primeiro ano foram chamados para a Cerimônia de Seleção.

Um por um, eles se sentaram no banquinho diante das quatro mesas, enquanto o Chapéu Seletor era colocado sobre suas cabeças. Depois de alguns instantes, o chapéu anunciava em voz alta a casa à qual cada aluno pertenceria.

Quase não prestei atenção. Estava ansiosa para encontrar a professora Tsunade. Desde que soubera da escolha, eu vinha me esforçando para corresponder às expectativas dela.

Assim que a Cerimônia terminou, segui para a sala de Transfiguração. Nem sequer me despedi dos meninos, mas eles entenderiam. Ao entrar na sala, vi que dois alunos já esperavam perto da mesa da professora: um da Lufa-Lufa e outro da Corvinal. Comigo, éramos três.

A professora Tsunade organizava alguns papéis sobre a mesa e, ao ouvir meus passos, ergueu os olhos e analisou cada um de nós por alguns segundos.

— Muito bem. Agora que todos os monitores estão aqui, podemos começar. Meu estômago se contraiu. Eu esperava que aquela reunião fosse apenas uma orientação sobre nossas novas funções, mas o tom sério de Tsunade indicava que havia algo mais.

Além disso, havia algo errado na sala. Todos os anos, a equipe de monitoria era formada por quatro alunos, um de cada casa. Naquela noite, porém, éramos apenas três, e a cadeira reservada à Sonserina continuava vazia.

— Professora, sem querer interromper, não deveríamos esperar o representante da Sonserina? — perguntei.

— Não se preocupe com isso, Sakura. Já conversei com ele mais cedo. Infelizmente, ele acumula mais de uma função nesta escola e não poderá comparecer hoje — disse Tsunade, com a expressão tensa de quem não aprovava a situação.

Dois cargos? Quem conseguiria dar conta de duas funções sem deixar uma delas de lado? Então me lembrei de quem havia me entregado o recado no banquete, com a mesma calma de quem já estava habituado a carregar mais responsabilidades do que deveria.

— Sasuke Uchiha — disse Tsunade, como se tivesse acompanhado meu raciocínio. — Monitor da Sonserina e capitão do time de quadribol.

Pisquei algumas vezes, tentando assimilar a informação.

É claro. O prodígio da Sonserina ocupava duas posições importantes entre os alunos. Ele parecia ser o tipo de pessoa que não aceitava fazer nada pela metade.

Pela primeira vez, comecei a me perguntar o que aquele garoto reservado e aparentemente perfeito poderia estar escondendo.

Mais tarde, deitada na cama, demorei a pegar no sono, e a pergunta continuou comigo.