Obsessão
Andorinhas voam. O dia mostra seu poder, levando a noite à submissão, às sombras.
Espaços que o escuro esconde. Frustrações e incompreensões afundadas pelo orgulho que consome. O farfalejar das folhas, um simples roçar discreto, inocente.
Pensamentos críticos que faz o sentimento de rejeição aflorar a camada externa. Liberar o pensamento, envenenando o ambiente, murchando os sons divinos com o bruto, o cru.
Árvores de mentira. Uma estrutura coberta externamente, mas vazia de folhas em seu interior seco. Viva por sua ligação com a terra, com o Sol. Viva para produzir sombras, para esconder.
O mar profundo e misterioso. Com suas cores discretas e belas que se misturam com o céu, beijando-o com sua espuma. A busca destas limitadas águas pelo infinito, sabendo que nunca vai chegar, que nunca vai se misturar, que sua obsessão é irrelevante. O céu alegre, brilhante, rindo da desgraça alheia, solvendo o gosto da eternidade de sua essência.
E as andorinhas voam. Piando incessantemente desgraças do terceiro sentido. O encontro nunca existente do limite com o infinito.
