Lullaby
Lullaby
Capítulo 14 min de lectura

Capítulo Único

Ashley baixou o olhar. Amor à primeira vista... Isso é algo tão clichê. Como pode duas pessoas que nunca se viram na vida, perceberem que são feitas um para o outro apenas com um olhar? Besteira. A vida nunca foi fácil assim.

Pegou seu troco e caminhou adentro do parque devorando mais um algodão doce. Era daquilo que ela precisava. Precisava relaxar descansar. Ash sempre fora uma menina muito sonhadora, que se imaginava com um príncipe encantado, que lhe entregava flores e isso e aquilo. Em pouco tempo sua opinião mudou. As pessoas nas quais ela confiava a desapontaram de uma forma que ela nunca imaginara.

Estava cercada de ótimas pessoas, mas nunca se sentira tão só. Sentiu um cheiro agradável. Pipoca. Inconfundível. Costumava passar sempre por ali e comprar sete pacotinhos para dividir com o pai na roda gigante. Costumava...

Não era um lugar cheio de bagunça como os que tinha frequentado nas últimas semanas. Muito pelo contrário, era calmo e lhe trazia uma sensação de felicidade. E uma nostalgia tão grande!

Mais uma vez imaginou ela e seu pai sentados no alto da roda-gigante, jogando pipoca nas pessoas que passavam. Era divertido. Sua infância fora a melhor de todas. Nunca nada lhe faltou, nunca precisou de nada... Porque era feliz, e quando se é feliz, o nada basta!

Sorriu. Ela costumava sorrir muito quando criança. Ria por qualquer motivo. Coisa que não fazia mais com tanta frequência. O que não fazia mais com tanta frequência? Ah, claro... Ela não sonhava mais com tanta frequência.

Mas contos de fada não são reais. Porque se o sapatinho de cristal coubesse perfeitamente no pé da cinderela ele não teria caído do seu pé. Riu com seu pensamento. Estaria agora o príncipe vivendo feliz para sempre com a cinderela errada? E onde estaria a gata borralheira? Talvez presa, talvez perdida em busca do amor perdido.

Sempre fazia isso. Sempre tentava ser positiva, sempre acreditava que iria encontrar uma solução. E sempre conseguia. Mas, então... Porque não encontrava uma solução para aquela Dor, para aquele vazio?

Porque nunca fora real.

Sentiu nos lábios o que restara do algodão doce e aproveitou o tanto quanto podia. Não muito tempo. Dissolveu-se na sua boca como as lembranças. Foi muito bom. Mas acabou!

Caminhou calmamente em direção à praia. Ela nunca fora ali sem o seu pai, seu irmão, ou alguma de suas amigas. Não andava só, mas se sentia só. Talvez ficar solitária não fosse algo tão ruim. Talvez!

Sentiu o sol bater contra os seus olhos e sentiu vontade de chorar. Sentiu vontade de gritar. Ninguém sabia... Ninguém.

Ficou ali o resto da tarde, e a metade da noite.

Observou o rapaz à sua frente e conseguiu distinguir o seu rosto na escuridão. Tinha visto ele no parque mais cedo.

— Acho que Deus se importa comigo. Nunca realizou um desejo meu tão rápido.

Ashley não respondeu, apenas tentou desviar o olhar daqueles belos e maravilhosos olhos verdes.

— Pedi para ver você novamente... O cara é rápido!

Piscou. E por um momento, não se lembrou do quanto estava triste e através do brilho dos seus olhos, enxergou uma criança sorridente, cheia de sonhos. Não. Não mesmo. Como o algodão doce. Nunca dura muito tempo, fica apenas na memória. É apenas uma recordação que ainda não foi esquecida. Ele levantou a mão para ela. Gabriel era seu nome

Amor à primeira vista... Quem é que acredita nisso, pelo amor de Deus?

Ashley sorriu para o rapaz e apertou a sua mão. Sempre há esperança não? Vai acabar. Cedo ou tarde vai acabar. Mas afinal... Nada é para sempre. Mas talvez dure toda a vida;

Gabriel... Nome de anjo!

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