Novamente desviou de mais uma das milhares armadilhas que foram espalhadas pela floresta para o jogo daquela noite, sabia onde estava cada uma, cada centímetro, oras, como não saber se havia sido si a instalar cada uma delas, assim como as construiu, montando peça por peça, colocando as em cada lugar daquela floresta.
Corria como um louco a fim de chegar ao seu objetivo, vez ou outra se focando nos sons ao seu redor, sabia que os filhos de Hermes conseguiam ser silenciosos quando queriam, embora para muitos isso soasse como uma piada muito engraçada.

Odiava participar da Capture a bandeira, preferia ficar enfurnado dentro dos Bankers do chalé 9 construindo diversas coisas que vinham em sua mente. Possuía tantas idéias que se fosse uma das maquinas que sempre construía podia ate mesmo dar pane em seu cérebro. Odiava o fato de que estava proibido de chegar perto das forjas por que os malditos filhos de Hermes fizeram o favor de destruir metade das coisas no local, enquanto Kasper, seu irmão, não liberasse, ninguém do chalé além dele e Jesper podiam entrar.

Embora soubesse lutar, e muito bem por sinal, odiava brigas, confusões ou qualquer coisa do tipo. Achava legal todo o sistema de atividades do acampamento, mas evitava ao máximo se envolver em combates. Sabia o quanto todos aqueles treinamentos, aulas de arco, esgrima e etc, eram necessários para se protegerem, era como a vida de todos ali era, fora da barreira à única forma de se proteger era fugindo e lutando, pois era assim era a vida de um semideus, onde o único lugar que poderiam considerar segura dos monstros era o acampamento.

Parou de repente ao avistar um pouco longe um mastro com uma bandeira em tons carmim, prostrada do outro lado do Rio, olhou melhor e viu quem estava a proteger a bandeira não era nada mais que o queridinho filho de Atena, Do KyungSoo, a pessoa ao qual seu irmão, e amigo, Kim JongIn possuía um abismo pelo baixinho.

Viu também ao lado dele um rapaz loiro e pele clara, filho de Hermes e seu melhor amigo, Oh Sehun. Tentava de certo modo imaginar qual seria a estratégia do filho da sabedoria ao por Sehun junto a si para proteger a Bandeira. Talvez para evitar que o mais novo não atrapalhasse a atividade com suas pequenas travessuras, qual era, onde estava Kris pra cuidar dele? Sehun com uma espada na mão talvez não fosse uma das melhores opções e pensou se era uma ideia muito inteligente colocá-lo para defender a bandeira. Mas, acreditava que o Do devia ter uma boa noção do que estava fazendo.

Estava planejando mentalmente duas formas de pegar a bandeira, uma delas seria dar a volta no rio e pega-la por trás de forma silenciosa, porém demoraria muito para isso e tinha noventa e nove por cento de chances de que o garoto de olhos esbugalhados lhe notasse antes mesmo que chegasse na metade do caminho, a outra era ir naturalmente e lutar, porém era Kyungsoo Ali, por favor, preferia lutar contra SanHa que era um filho de Ares do que com o projeto de coruja. No final, ambas dariam no mesmo, ter que lutar contra o Do, já que SeHun com certeza ficaria apenas assistindo.

— O que faremos para pegar a bandeira?

Prendeu o grito que por muito pouco não soltou ao escutar a voz surgir do breu atrás de si. Tomou um verdadeiro susto. Sentia o aumento de seus batimentos cardíacos e a única coisa que pensava naquele momento, além de se acalmar, era como matar o desgraçado que lhe dera tal susto.

Já imaginava quem seria só não penou que Jong In estaria acompanhado, mais precisamente acompanhado de Zhang Yixing, filho de Hipnos, que ao apenas olha-lo já estava bocejando. Havia também Aria Madson, filha de Hécate e sua melhor amiga, por assim dizer.

—Mais que merda vocês estão fazendo aqui? – sussurrou exasperado –
—Você sai correndo sem esperar os amigos e quer que a gente faça o que? — questionou a ruiva–
—E então cara, qual o plano? – Jong In voltou a falar –

Olhou de volta para onde os dois do outro time estavam parados de guarda, a bandeira vermelha balançando com o vento.
— Estava pensando antes de vocês chegarem – acusou –

Em resposta Aria deu língua.

— Eu tenho um plano, diferente dos dois bocós, — murmurou – Eu irei desorienta-los com um pouco de magia, enquanto você se junta aos filhos de Ares para pegar a bandeira.
–E onde está a cavalaria, Sra. Madson? –perguntou debochado, logo desviando do tapa que levaria da amiga – Você está passando tempo demais com o SanHa, anda muito violenta.
— Talvez isso seja por que os dois namoram, seu idiota? – Jong In perguntou o obvio –

Como resposta ao rapaz de pele morena, mostrou-lhe o dedo do meio da sua mão direita, em um gesto indecente para alguns.
Yixing estava escorado na árvore quase que dormindo, parecia estar tentando se manter acordado. Questionou-se mais uma vez, como em todas as vezes que havia jogos, o que possuíam na cabeça ao pôr os filhos de Hipnos no meio dos times.

Viu Aria olhar para o lado esquerdo de onde estavam, a área estava um verdadeiro breu, porém parecia que a mesma estava a enxergar em meio àquela escuridão.
Esperou que ela dissesse algo, porém se passou dois minutos e o silêncio continuou. Jong In parecia saber, pois estava calmo, diferente de si que estava em total agonia por ser o único dos quatro a não saber o plano.

Quando estava prestes a questionar, Aria falou:

— Agora Chanyeol.

Ω

A chama vibrava alta, movia-se como se dançasse ao som da cantoria vinda de todos os campistas a sua volta, ao qual cantavam e tocavam em harmonia, numa paixão invejável para quem olhasse de fora.

Podia-se ver montanhas de sentimentos presentes no olhar de cada um. Eram muitos campistas, cada um com seu sentimento. Mas, entre muitas emoções, uma em comum habitava ali. O gostinho de casa, lar, pois era isso que todos sentiam ali. Sabia-se que alguns possuíam família barreira a fora, mas era mais que uma realidade que o acampamento era o lar de todos.

A fogueira, após cada jogo, era o momento onde todos se esqueciam das brigas e confusões que ocorriam no dia a dia, como prova disso é que era o momento onde os filhos de Ares e os Filhos de Apolo não estão se ameaçando. Naquele momento podia se ver Andy Sullivan, filho do Deus do Sol e conselheiro do seu Chalé, e Joe Wiinston conselheiro do chalé de Ares conversarem de forma completamente amigável e isso era ótimo, pois com certeza na manhã seguinte estariam jogando praga e xingamento uns aos outros.

—Chanyeol, tire essa cara de merda, por favor, terei pesadelos. – resmungou Do KyungSoo voltando a beber um pouco de água – Aceite que perdeu e pronto.

— Isso tudo por que não conseguiu ganhar da coruja? – zombou Aria desviando-se das tapas vindo de ambos – Ei!

— SanHa, por favor – choramingou o Park –

SanHa apenas conseguia rir, não como se a ruiva fosse parar, independente do que fizesse.

— Nem para ajudar os amigos você serve?

— Não sei por que ainda me pede socorro. – riu –

— Se eu fosse você não chamava um filho de Ares de inútil – alertou SeHun –

— É o SanHa, não faz mal a uma mosca... Quero dizer, ele não machucaria o próprio amigo, certo? – perguntou em tom de medo fazendo com que todos gargalhassem –

Ω

Estava exausto, queria jogar-se no chão e fechar o olhos, ignorando tudo a sua volta, porém, infelizmente deveria terminar o treino de arco-flecha antes de seguir para as forjas.
Naquela manhã Kasper, que é o conselheiro do chalé de Hefesto, acordou lhe dizendo que haviam conseguido consertar tudo que fora destruído nas forjas fazendo com que se levantasse num pulo, porém lhes foi dito que todos só poderiam entrar após completar suas atividades no acampamento o que foi motivo para diversos palavrões serem ouvidos dentro do chalé de Hefesto em plenas sete da manhã.

— Pelos Deuses Chanyeol, – exclamou Wu Yifan, ou Kris como todos o chamavam, instrutor de Arco e fecha, filho de Apolo e namorado de Oh SeHun– desde quando se tornou uma pessoa tão sedentária?
—Desde que terminou com o Dean e nunca mais transou. – zombou SeHun calando-se em seguida ao ser repreendido pelo olhar do namorado – Okay Okay, não está mais aqui quem falou.

Olhou o jovem filho de Hermes afastar-se para voltar ao treino enquanto continuava ali parado esperando seus braços pararem de doer tanto.

— Como você o suporta? — perguntou ao loiro mais velho — Ele é insuportável.
– Do mesmo jeito que você aguenta ele todos esses anos como seu segundo melhor amigo, – debochou – A diferença é que enquanto vocês são amigos, nós somos namorados. – riu – Você o adora, admita de uma vez por todas.

Bufou em desagrado, endireitando o corpo após desistir, a dor é o cansaço não passariam, não era igual a martelar e criar coisas, quando fazia o que era de sua "natureza divina" sequer sentia as horas passando, seu corpo sempre estava leve sem qualquer incômodo.

Escutou o toque informando ser a hora do almoço, onde viu todos os campistas, mais precisamente os mais novos, correrem em direção ao pavilhão a fim de comer após horas de exercícios físicos.

Olhar aquela cena fazia lembrar-se que anos antes era si quem corria junto com Kris, Aria, SanHa e KyungSoo, quando passavam todo o tempo se divertindo em meio aos treinos de esgrima. Lembrava-se também de quando SeHun chegará ao acampamento, todos tinham em média sete à oito anos enquanto SeHun possuía seis com tamanho de quatro, perguntasse o que haviam dado para o menino crescer tanto é agora estar quase do seu tamanho.

— Chanyeol? – ouviu lhe chamarem – Não vem comer?

— Ah, claro, já estou indo, Yixing. Obrigado. – sorriu para o mais velho –

Ω

Engasgou em meio a risadas após presenciar uma cena engraçada, pelo menos era na sua opinião e de seus amigos. Jong In estava tentando convencer o filho de Atena, ou projeto de coruja como preferia chamar, para sair consigo quando ambos voltassem para São Francisco para o ano letivo, o que ocorreria dali a alguns meses ainda. O fato era, que enquanto andava atrás do mais velho, o mesmo desviou de uma árvore na qual o Kim não havia visto e acabou por meter a cara na mesma.

— Quando o Jong In irá desistir? – riu Se Hun –

— Acredito que nunca. – Aria gargalhou – Acho que só quando o KyungSoo assumir que gosta dele.

— Isso vai demorar. – falou – Já são quantos anos? Dois? Não faço a mínima ideia...

Lembrava-se de quando Kim Jong In começou a gostar do filho de Atena, ele chegará ao acampamento com doze anos, era tímido e solitário, não conseguia se enturmar com ninguém, se recordava que o irmão demorou meses para ser reclamado por Hefesto. Quando isso acontecerá já havia algum tempo que deixará o grupo de amigos se aproximarem, virara melhor amigo de Se Hun ao ponto de Kris ficar com ciúmes, era algo cômico de se ver. Com quatorze anos começou a dar indícios de que possuía interesse no Do, porém sempre negava. Agora fazia de tudo para que o mesmo lhe desse uma chance.


— E ai, vamos marcar para nos encontrar durante a época de aulas? – Perguntou SanHa após perderem o futuro casal de vista – Não quero que aconteça o mesmo que da outra vez onde só nos vimos no acampamento durante as férias de verão, do ano passado.
—Você fala como se fosse super fácil, cada um mora em uma cidade, você quer o que? – reclamou SeHun –
— Podemos marcar nos feriados, o que acham? Dividimos todos os que moram longe nas nossas casas, SanHa, ChanYeol, Jong In e eu não nós importamos, acho que até o Kyung não se incomodaria. – Aria falou enquanto brincava com os cabelos do namorado –
— Até por que fazíamos isso quando eramos mais novos. – Disse Yifan ao se lembrar da infância que todos tiveram juntos – Por sinal, por que mesmo que paramos com isso?
— Por que juntávamos todos em apenas uma casa, era divertido para os monstros ter sete semideuses em apenas uma casa. Refeição grátis para quem quisesse. – A voz de KyungSoo soou em seus ouvidos, todos viraram-se para ele e Jong In que de certo modo parecia radiante – Lembram-se do nosso último Natal juntos? Tínhamos treze anos e uma Dracaenae se disfarçou em meio a nevoa fingindo se minha avó.

Jong In estremeceu com a lembrança da primeira e última vez que pisou na casa do garoto.
— Tive pesadelos por longos dias, na verdade tenho até hoje. – SanHa sussurrou –
— Em fim, — chamou o Oh – Combinado nos feriados? Quero ficar na casa do ChanYeol. – exclamou de repente –

Olhou para o amigo chocado pela cara de pau do mesmo. Não acreditava que ele queria dormir na sua casa após fazer sua mãe pensar, anos antes, que estaria abusando do mais novo, levou belos puxões de orelha depois do mal entendido, onde o Oh apenas ria da sua desgraça e não admitia que havia armado para o melhor amigo em uma de suas brincadeiras.

— Desde quando você é tão cínico? – perguntou descrente –

— Desde que sou seu melhor amigo, – riu – e desde que a Mama Park me adora.

Virou-se para o chinês presente. Este apenas ria de tudo enquanto novamente lembrava das travessuras de seu namorado. – Eu já te disse o quanto o odeio,Yifan?
— Odeia nada, não consegue viver um minuto sem ele.


Ω

Abriu os olhos e se viu em um lugar que não conhecia. O céu aberto e em um azul limpo trazia um sentimento de paz, e junto com o local, trazia a uma sensação maravilhosa. A sua frente havia um vasto campo com algumas margaridas.
Começou a andar olhando em volta e percebeu que atrás de si, havia o oceano, sentiu algo bom dentro de si. Logo voltou a andar e após alguns minutos encontrou o que parecia um antigo coreto. E sorriu, inconsciente com a cena a sua frente.
Sentado em um degrau do coreto havia uma pessoa, um garoto pra ser mais exato, ele possuía uma coroa de flores na cabeça e vestia roupas da Grécia antiga, porém isso não lhe parecia estranho de alguma forma. Parou a alguns passos dele e ficou a observa-lo, esquecendo de tentar falar com ele. Mas, acabou por ser notado primeiro, e foi recebido por um largo e belo sorriso, seguido de um abraço.

— Você veio, Téo.

—Não teria por que não vir, Irineu.

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