Invasivo
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Chapter 16 min read

único

Desde que os conheci, eu não falava muito de mim, embora ter existido tal pergunta pelo líder que sempre andava com um chapéu de palha na cabeça: quando é o seu aniversário?

Não falava muito de mim e nem disfarçava a minha falta de interesse, mas Luffy mandou essa e talvez porque ele é lerdo ou porque é uma peste mesmo. — Desculpa, mas podemos mudar de assunto?

Felizmente ele se distraiu com uma borboleta e não insistiu como de praxe. No entanto, outro colega que estava presente me faria de novo essa pergunta mais tarde. — Qual é o problema do seu aniversário? Por acaso você nasceu em 1900 e tá retrocedendo que nem Benjamin Button?

Olha, marimo conseguiu ver um filme até o final – porque o normal seria ele cair no sono nem na metade do filme.

- Zoro, não lembro de você ter dito o seu.

- 11 de novembro. E o seu?

- Por que essa curiosidade?!

Eu e Zoro nos odiávamos, frequentemente buscávamos briga por qualquer besteira e era comum não querermos saber um do outro, éramos obrigados a nos suportar caso quiséssemos frequentar o mesmo círculo de amigos. Por isso foi tão estranho ele ter ficado curioso. Só saberia o motivo alguns meses depois: Zoro era gamado em mim.

Eu não falava de mim pra pagar de cool que nem o idiota do marimo fazia. Mas sim porque eu tive um passado problemático e que um dia Usopp descobriria jogando meu nome na internet pra dizer a todos que eu vinha de uma família rica. A partir daí, eles veriam que eu faço aniversário junto dos meus 3 irmãos, como o artigo do wikipedia expõe, e minha vida passaria a ser um livro aberto.

Contudo, não gostava de comemorar a data por 2 de março ter virado o pior dia do ano pra uma criancinha rejeitada como eu era. Esse era o motivo de eu não ter contado a ninguém, mas foi mais fácil que imaginei: Luffy prometeu que ninguém me daria sequer um parabéns e foi dito e feito. 2 de março chegou e ninguém havia desejado parabéns, até que...

Era noite e esperava a visita do marimo no meu apartamento, ele havia esquecido o violão que já havia separado envolvido na sua capa em cima do sofá. Zoro gostava de música. Ele tinha uma banda de post-punk com Kid e Law. A campainha soou e gritei do banheiro que a porta estava aberta. Zoro adentrou o imóvel e parou no batente da porta do banheiro, vendo-me enxaguar o rosto por ter acabado de fazer a barba. Como o ignorei, foi para cozinha atrás de alguma coisa para beber – era de praxe.

Zoro gostava de beber. Assim que saí do banheiro, ele já estava à vontade no sofá vendo televisão e uma long neck numa mão. O violão que deixei no sofá pra ele só entrar, pegar e sair fora, estava encostado na parede. Eu revirei os olhos e pensei em fazer algo para ele comer.

- Onde tá indo?

- Não vou deixar você beber ficando horas de barriga vazia.

- Como sabe?

- Apenas sei.

Disse revirando os olhos, mas assim que cheguei na bancada, Zoro me surpreendeu por trás fechando um braço no meu pescoço. – Toma.

Ele disse balançando um saquinho que segurava na mão do braço em volta do meu pescoço. Olhei pra aquilo incrédulo e não pude acreditar que era um presente. — M-marimo. – Disse me virando e ele até abriu o olhar ao ver o meu rosto, devia tá mais pálido do que cal. – I-isso é um presente?

- Sim! – O idiota mostrou todos os dentes como Luffy fazia — assim como também estava sendo igualmente invasivo com aquele presente – Feliz aniversário!

Eu quase caí duro, mas o atropelei e quando vi estava jogado no sofá, sentindo uma dor insuportável no coração. – Isso é um gatilho... – Disse com dificuldade. – Me odeia tanto, marimo estúpido?

Na minha cabeça voltava imagens da minha infância com os meus irmãos me torturando num joguinho que haviam acabado de inventar. E o olhar de descaso do meu pai com todos os machucados que eu mostrava para prová-lo.

- Cozinheiro, desde que te disse que te amava, eu coloquei na cabeça em te fazer mais feliz. – Zoro começou a falar e meu estômago também embrulhou ao me lembrar que esse idiota estava apaixonado por mim. – Mas algo impede o seu retorno.

- Talvez por que eu não te amo?

- Sério? Por que não me parece quando nos beijamos.

- Cai fora daqui!

- Espera, deixa eu terminar de falar... – como não disse nada, por tentar colocar meus pensamentos em ordem, ele continuou sendo invasivo: — compreendi que talvez seja o seu passado que te impeça a amar. E também pensei que já estava na hora de você ver uma data tão importante de uma forma mais feliz...

Eu suspirei exausto e continuei a falar nada, pra mim eram tudo lorotas. Eu ainda estava sentado no sofá, Zoro se sentou ao meu lado e estendeu mais uma vez o saquinho. — Abra, você vai gostar.

Fiz um bico puto, mas apanhei o embrulho de sua mão, quando o rasguei me encontrei com um isqueiro prateado com a frase “Suck it and see” cravado nele. Era exatamente como o do clipe e algo quente tomou meu peito. Eu era fumante e também muito fã de Arctic Monkeys. — Pensei que não gostasse da banda! Só quem é fã sabe desse isqueiro!

- Pois é, por você escuto até essa banda ruim. E aí, não é boa a sensação de ganhar um presente?

Eu fiquei sem graça com o que ele disse, mas não desviei o meu rosto dele e ele também não. Um beijo foi inevitável e passava na minha cabeça que aquele aniversário não estava sendo tão ruim. Nos separamos, ofegantes. – M-marimo... – Disse me afastando de seus lábios doces. – Isso é um estupro!

- Quê?! Pirou de vez?

- Você está me obrigando a fazer algo que não quero.

Disse isso olhando pra única boca que me dava tesão nos últimos meses.

- Como não quer? Estava até mesmo me apalpando nos peitos!

O vão entre nós diminuía assim que falávamos algo.

- Quê-ê?? Eu estava te empurrand-, te afastando, idiota!

- Conta outra.

E novamente selamos nossos lábios. Talvez quando estivesse ofegante e suado, sobre seu corpo igualmente exausto, eu diria “eu te amo também”.

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