A escola deveria estar vazia, já passava muito das dez da noite.
Mas, nos corredores, ouvia-se o som de passos cadenciados, uma sapatilha suave e apressada, e, apesar da escuridão absoluta, um observador atento poderia vislumbrar um cabelo extraordinariamente branco.
Rosalya abriu a porta da biblioteca com cuidado. Não havia ninguém, não deveria haver ninguém, além do guarda do portão (que dormia a sono alto, conforme ela confirmara a alguns instantes). Tateou na escuridão, até chegar a última mesa, a que ficava perto da sessão de literatura alemã, e sentou se no banco almofadado. Não fosse a suave respiração ao seu lado, se sentiria terrivelmente só.
—Lynn…
Dois pares de mão se procuraram na escuridão, tateando desajeitadamente. Finalmente, Rosalya encontrou o rosto de Lynn, que encontrou a cintura de Rosa. Ficaram nisso alguns segundos, como se não soubessem da presença uma da outra. Então, inclinaram se ao mesmo tempo, num beijo apaixonado e desesperado. Mãos agarraram cabelos, um vestido foi erguido até a cintura, seios, brancos e adoráveis, expostos. Ninguém resistiria, muito menos Rosa, que fez questão de saboreá-los com avidez. Sentia, talvez, o gosto de uma mistura de sabonete de baunilha e suor.
Lynn jogou a cabeça para trás, mordendo os lábios. Rosalya tomou aquilo como um desafio, e esgueirou sua mão esquerda para o meio das pernas da amiga, acariciando levemente, provocando gemidos entrecortados de sua parceira.
Não tinham chegado a aquilo, ainda não. Mas não tardaria.
Uma hora e meia depois, uma Rosalya corada deixava a escola. Dez minutos depois, Lynn a seguiu, saltitando, nervosa. Linda como uma flor de primavera.
E eu… Eu fiquei encostado no muro da escola, pateticamente absorvendo o que tinha acabado de ver. O que via todos os sábados, há dois meses.
Eu deveria confrontá-las. Terminar o namoro e a amizade com gritos e blasfêmias, expulsar Rosalya de nossa família, deixar Leigh saber que éramos tolos, ludibriados. Mas eu jamais faria isso. Viver sem elas, meu ying e yang seria um castigo pior do que a morte.
Meu celular vibrou. Uma mensagem de Lynn.
“Estou pensando em você, Lys”
Ela sempre mandava uma mensagem naquelas noites, e era um pedido de desculpas suficiente. Respondi imediatamente.
“Eu também, meu amor, eu também”

