Amigo... É uma loucura,
Tô vivendo uma aventura castigada pelo amor
Um labirinto sem saída
Onde o medo se converte em tanta dor
Vivo um triângulo
- Cara, como isso é possível? Nunca imaginei. Logo ela, cara, logo ela! – Tracy dizia, nervoso, enquanto bebia mais um gole da cerveja. Gary apenas ouvia. Desta vez, estava servindo de analista.
Amigo... a relação com a minha mina
Nunca foi espinho e flor
Mulher perfeita, toda uma beleza meiga,
À luz do Arpoador... E a minha vida tem cor
- Eu fico triste, sério mesmo, com essa situação, Tracy. Eu nem vou dizer que sei o que você sente, porque... Sabe, eu e a May, a gente se dá tão bem... – Gary, notando a reação do amigo ao ouvir isso, tentou consertar – Eu não quis te botar pra baixo, cara, não foi minha intenção jogar na tua cara uma relação que deu certo. Só tô dizendo que, sei lá, não sei se sou a pessoa certa a te aconselhar, mano.
Amigo...
Ela só quer me encontrar a escondida alimentando esse amor
Mesmo sabendo que no fundo tenha dono
Quero ser seu protetor
Vivo um triângulo
- Não, Gary, não é isso que me deixa triste. É... Cara, eu não sei como dizer isso.
Gary notava o desconforto nos olhos de Tracy; aquilo o comovia: ver seu amigo assim, abatido.
- Irmão, tu tem que lutar por amor
- Não me aconselha isso, por favor
- O marido dela não manda em seu coração
- Você não sabe um terço dessa confusão!
- Mas por quê, cara? Eu pensei que você tivesse me chamado aqui pra te ajudar!
Tracy bebeu o resto de cerveja do frasco.
- Cara, eu sei, e agradeço muito. Só você mesmo, cara, tu é amigo. Mas...
- Olha, o que eu te recomendo é isso. Acho que é a melhor maneira de se livrar desse peso.
Minha mina e eu
Somos felizes, duas almas matrizes
Sei o que é o amor
Por isso te entendo,
Ela tem compromisso e você tem temor
Não desista, amigo!
- Não importa se ela é ou não casada, cara, se vocês realmente se amam não tem outra saída! – Gary dizia enquanto Tracy estendia o braço ao garçom, mencionando que queria mais cerveja.
Amigo... Ela já sabia que era loucura toda essa pegação
Mas é que a carne falou bem mais alto que a nossa razão
- Não é bem assim, Gary. Como você disse, você tá do outro lado. Como marido, você não aceitaria se fosse com você.
É o que eu falei... Se existe verdade
Esse sentimento tem que vencer
E o marido dela querendo ou não terá que entender
Alguém tem que perder
- Já disse, cara, não importa nada! – Gary encorajava o amigo – Se vocês se apaixonaram, o que adianta ficar tentando lutar? Não vai dar certo, você sabe disso! Agora que tá nessa, tem que ir até o final!
Gary já começava a encontrar a coragem que tanto buscou nas garrafas de cerveja, desde o início da noite. Aquilo seria mais difícil do que ele poderia prever.
- Aí, irmão... A parada é entre nós, de amigo pra amigo
- Fala aí! Qual é a parada?
- Amigo de verdade conta tudo... Vou te dar uma idéia, amigo, foi mal,
A minha atitude foi irracional
Instinto animal, fora da lei
Tanta tentação que eu não agüentei
O papo é reto, eu não vou te enganar
Estou arrependido e não dá pra voltar
Amigo, perdão faça o que quiser,
Mas eu te confesso, eu peguei tua mulher...
- O quê?
- Desculpa, cara, a culpa é toda minha. Ela tá inocente nessa história.
Gary se levantou da mesa, sem dar ouvidos a Tracy.
- Eu... Eu não esperava isso de você, cara.
Que Deus te perdoe, eu não vou perdoar
Em momento algum se pôs no meu lugar
Me enganou!
Você e ela numa cama... Fazendo amor...
Quantos lençóis ela sujou?
Desprezou nós dois...
- Tô sem palavras. Nunca esperei isso, sério. – Era realmente a expressão que Tracy imaginava. Nada a mais, nada a menos. Afinal, ele tinha razão de ficar com raiva. Ele sabia que Gary o encorajaria a seguir em frente, lutar pelo amor, mas só o faria até saber que a vítima era ele. Afinal, pimenta nos olhos dos outros é refresco.
Amigo... Quem mais sofre com tudo isso sou eu...
Perdi um amigo pro fantasma da tentação.
Perdão!
- Não, não tem perdão, já disse. Pensasse antes de fazer isso comigo. Com ela, na verdade. Ah, vão pro inferno vocês dois. – Gary estava realmente abalado. Lágrimas saíam de seus olhos, enquanto ele derrubava as garrafas de cerveja que atrapalhavam sua passagem para a porta de saída.
- Fui. – Sim: a amizade acabara.