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Down By The Lake

Maria Rodrigues

Down By The Lake
Capítulo 112 min de lectura

Down By The Lake b29;

Down By The Lake ♥

- Você disse que ficaria comigo! – os tapas foram impedidos pelo garoto de cabelos brancos.
- Não James, eu falei que nunca te esqueceria. Nós dois sabemos que não podemos ficar juntos. – tocaram os lábios aproveitando ao máximo o pouco tempo que ainda tinham. Era mais doloroso deste jeito, mas era inevitável.
- É mentira. – as lágrimas continuavam a cair no rosto do loiro. – Por que não me fala a verdade? Não vê que vai sofrer se ficarmos separados? Você está sendo hipócrita.
- Estou tentando seguir em frente. Tente, as vezes pode se surpreender. – os olhos mantinham um contato constante. James não se envergonhava de chorar na frente do outro garoto. Era melhor do que bater em Dave. Se bem que depois da ultima frase, até mesmo os garotos no piso inferior queriam bater nele.
- Você é patético! – pulou em cima de Dave, golpeando-o no rosto, que, em vez de revidar aos socos do ex-namorado, apenas sentiu as gostas de sangue caírem uma a uma na camiseta de James e em sua própria. – Por que não enxerga que eu te amo mais que tudo? – caiu aos prantos no peito de Dave, que tinha o rosto sangrando.
Mesmo machucado, não era com lê que Dave se preocupava. Era com James. Era tudo sobre James nos últimos meses, e isso o confundia e assustava ao mesmo tempo.

- Estou preocupado. – Steve disse enquanto fazia carinho no topo da cabeça de Chez.
- É culpa nossa não é? Digo, fomos nós que os fizemos esconder o namoro. – Danny olhava para o chão enquanto a namorada tentava anima-lo.
Estavam todos cabisbaixos, tentando achar uma forma de fazer tudo voltar ao normal.
- Talvez devêssemos ter ficado quietos. – Chez inclinou a cabeça para trás, tentando confortar Steve, que depositou um beijo nos lábios do pequeno, ainda deprimido. Chez respirou fundo, cansado.
- Mas nós demos duro, não podíamos deixa-los quebrar a banda para sustentar um relacionamento que podia acabar da noite pro dia. – Chris apenas inflou as bochechas na falta do que fazer. Havia dito o que achava certo.
- Cara, isso foi egoísta. – Chez, o mais novo e frontman de uma banda que Steve produzia, parecia estar tão abalado quanto os do Son Of Dork. Ele sabia, assim como Steve, como poderia ser duro esconder de todo o mundo – literalmente – que está apaixonado. E agradecia a cada minuto por não serem ele e Steve brigando, mesmo que soubesse o quão egoísta aquilo estava soando. Apenas amava seu namorado demais.

- Eu enxergo isso, James. – fazia carinho no topo da cabeça do menor, que chorava sem controle agarrado na camiseta pólo de Dave. – Eu só não entendo como pode me amar depois de tudo isso. – suspirou fundo, exausto, o que fez com que uma dor enorme o apunhalasse. Gritou e xingou, correndo até o banheiro.
- Dave?! – James se levantou rapidamente, o seguindo. – O que houve?
- Eu estou bem! – Dave fechou aporta com os olhos ardendo. Se chorasse, sabia que acabaria chorando além da dor no nariz. Iria chorar rios e mais rios, até que as lágrimas se esgotassem. – Seria melhor se você apenas fosse embora. – falou em tom baixo, mas foi alto o suficiente para James ouvir e sair do quarto.
O de cabelos brancos sentou no chão do banheiro com uma toalha banhada em água fervente sob o nariz. Será que também sabia amar? Não entendia por que estava terminando tudo com James. Era para seu bem próprio, da banda, ou para o bem de James?No começo do relacionamento, Dave sabia que estava com James por que era algo novo, divertido... diferente. Mas e durante todos os meses, completariam 5 meses hoje, o que é que sustentava o namoro? Será que James o amava tanto a ponto de não querer nada em troca? Só sua companhia bastava para ele?

Viram quando James enxugou as lágrimas uma a uma enquanto descia a escada. Já havia caído tantas vezes ali ao longo dos anos, que hoje já podia fazer o percurso de olhos vendados.Não falaram uma palavra sequer até o garoto pegar seu casaco em cima da poltrona ao lado da porta.
- Aonde você vai? – Steve perguntou estranhando a atitude de James. Não era de seu feitio fugir de algo.
- Embora. – acenou sem nem ao menos olhar para trás. – Alguém suba lá para ver o nariz do David. Acho que o quebrei. – e quando terminaram de assimilar o que ele havia dito, ele já havia saído porta afora.Steve subiu o lance de escadas seguido por Chez. Chris foi fazer o jantar e Danny tentava contatar James.
- Dave? – bateu na porta algumas vezes enquanto Chez o abraçava por trás, estavam preocupados.
- O que é? – a resposta veio baixa e logo após alguns segundos ouviram um ‘click’ e a porta foi aberta mostrando um Dave pálido e com sangue na maior parte do rosto. O cabelo branco tinha as pontas vermelhas e duras, a camiseta tinha grandes manchas circulares e o piercing que antes ficava no lábio, estava na pia. Ele estava acabado.

- Onde você está? Volta para cá James, eu te levo até sua casa. – a voz de Danny era desesperada e James estava indiferente a isso. Não estava arrependido por bater em Dave e sim de o amar. Não que pudesse impedir, mas talvez tenha sido muito infantil. Sabia que Dave não sentia nada além de curiosidade quando namoravam, mas quem diria que podia ser tão insensível?
- Eu estou bem. – a garrafa de vodka em sua mão parecia atrativa. – Estou ótimo, ok?
- Sério cara, aonde você ta? – Danny ficava mais aflito a cada minuto, e isso meio que irritava James. Por que não era Dave que o ligava?
- No lago de Harrows. – olhou seu reflexo na água dando um gole na garrafa de bebida alcoólica.
- Não faça nenhuma besteira, certo? – ouviu alguns gritos na casa, parecia a voz de Steve e a de Dave. Desligou o telefone, olhando para o lago. Se abaixou aos poucos, ficando de joelhos e com o rosto a pouco centímetros da água.
- Você é pateticamente tolo, Bourne. – bateu na água com força fazendo o reflexo desaparecer. Ouviu um carro se aproximando. Deitou na grama, olhando para as estrelas, contemplando sua beleza. Sentiu alguém sentar ao seu lado. Provavelmente Danny.

15 minutos antes...
- Por que você não percebe que você já saiu da fase de curiosidade homossexual? Você gosta dele, não o perca! – Chez podia ter apenas 14 anos, mas sabia ver quando alguém tentava enganar a si mesmo.
- Você acha que eu e Chez gostamos de manter tudo em segredo? Ter que se beijar apenas em lugares fechado e longe de fans? É horrível cara, mas não deixa isso tomar sua cabeça. – enquanto Chris fazia os curativos externos, Chez e Steve tentavam juntar as peças dentro dele. Parecia que tudo estava fora do lugar.
- Eu... – Dave mantinha o olhar fixo em um porta retrato em sua cabeceira. Se levantou mesmo com os protestos de Chris e o pegou. Eram ele e James no estúdio da casa do menos. O loiro sentava no colo de Dave, que beijava o topo de sua cabeça. Foi um dos ótimos dias que tiveram juntos. — ... o amo?! – olhou de relance para os três que sorriam. Chez apontou para a porta com a cabeça. – Obrigado caras.
Pegou um casaco no armário e desceu as escadas em pulos.
Perguntou a Danny onde estava James e pediu permissão para usar seu carro. Em alguns minutos já podia ver seu menino de cabelo estranho.


Seus batimentos cardíacos estavam descompassados, as mãos suavam frio. O cachecol no pescoço parecia que o ia enforcar. Não sabia o que falar para James, não sabia como agir.
- Estão linda hoje, não é? – a voz, ao seu ver, saiu esganiçada quando tentou dizer algo sobre as estrelas. Por que aquilo estava acontecendo? Era isso que chamavam de bobo de amor?
James virou repentinamente o rosto surpreso por ver Dave ali.
- Veio me fazer ficar pior? – o olhou com raiva. Dave tentou tocar seu rosto, mas o alcoolizado recuou. – Você estava certo. Não precisa me amar, pode voltar a sua antiga vida. Eu vou ficar bem. Eu tenho que ficar bem. – Dave sorriu, sentando mais perto de James.
- Você não tem que ficar bem, mas vai. Eu vou tomar conta de você, vou cuidar de você. Vou te mostrar... – colocou os lábios perto de sua bochecha – ...que sinto muito.

- Será que eles vão ficar bem? – Chris perguntava preocupado, assim como os outros, enquanto estavam sentados na sala. Meredith, namorada de Danny, havia ido embora.
- Provavelmente sim. Dave não é tão idiota ao ponto de estragar tudo duas vezes, é? – Chez coçou o queixo, pensando nas probabilidades.
- Não sei. – Danny falou sincero. – Talvez seja. – deu de ombros tentando decifrar que cheiro era aquele. – Alguém peidou?
- Não. – responderam todos em coro.
- A lasanha! – Chris gritou correndo até a cozinha para tentar salvar o jantar deles.
- Vou pegar meu carro parar irmos resgatar os dois pombinhos. – Steve disse puxando Chez junto. Não, nunca se separavam. Saíram da casa indo até a calçada.
- Vamos ter que passar no Mac Donald’s também. Não quero morrer envenenado pela comida do Chris. – o loirinho falou sorrindo e, ficando na ponta dos pés, beijou o canto da boca de Steve. Seus olhos arderam, e assim que sua visão voltou, puderam ver um homem correndo.
- Oh merda! – exclamaram juntos, assim que viram que o homem tinha uma câmera e era, provavelmente, um papparazi. Correram atrás dele, mas foi inútil, o homem era muito mais rápido.
- Me lembre de parar de fumar, ok? – Steve falou com as mãos nos joelhos no meio da rua, tentando recuperar o fôlego. Chez sorriu sem graça, arrependido. – Vem cá, pequeno. – puxou o garoto loiro pelo rosto, o beijando. Já não precisavam esconder o que sentiam. As línguas brincaram por alguns segundos, até se lembrarem que tinham que salvar os dois amigos.
- Nós já fomos desmascarados, se eles forem descobertos também, vai ser um problema. – entraram no carro enquanto Chez falava. – Desculpe, Steve. – o maior deu a partida no carro, sorrindo. Não estava preocupado. Sua família apenas o mataria. Mas ainda tinha Chez, então estava tudo bem. Sua mão procurou a do pequeno as entrelaçando.
- Não se preocupe, Chezzy. – o olhou com o canto do olho. – Ponha o cinto, sim? Hoje você não escapa.

- O que quer dizer? Eu não quero acreditar de novo em você para me machucar. Você não precisa ter dó de mim. Apenas vá embora. – Dave segurou seu rosto com as mãos, o olhando docemente.
- Você não quer mesmo que eu vá, quer? – o olhou com grande carinho. O garoto em sua frente afirmou com a cabeça. – Bem, eu não vou mesmo assim. Sabe por quê? – o pequeno desta vez negou com a cabeça.
- Não.
- Por que eu notei algo hoje. Na verdade, eu já sabia disto, só me enganava. – James estava com a cabeça apoiada no ombro de Dave, que o fazia carinho na cintura.
- E o que seria? – a voz estava banhada em lágrimas incessantes. Dave tirou algo do bolso, mostrando a foto para de James. A mesma de anteriormente.
- Para quem eu ligaria de madrugada dizendo que estou com insônia, mas que na verdade eu queria apenas ouvir a voz e ver se estava bem? Quem eu iria magoar para fazer me amar mais ainda? Com quem eu iria acabar o namoro para proteger de mim mesmo, com medo de o machucar? Para quem eu iria dizer “eu te odeio” quando na verdade quero dizer o contrário? – James o abraçou, sorrindo. Dave o apertou forte, tentando não deixar nenhum centímetro em vão. – Como eu conseguiria viver sem você? – sussurrou as ultimas palavras no ouvido de James, que repentinamente o soltou.
Dave ficou com uma expressão de dúvida no rosto.
- Você não pode fazer isso comigo. – estava cabisbaixo, mexendo nas próprias mãos. – Não pode ficar brincando com os meus sentimentos.
Dave tremeu por dentro, será que era tarde demais?
- James, você não entende... – segurou sua mão com certo receio. – Eu te amo!
O pequeno arregalou os olhos se jogando em cima de Dave, o beijando. As mãos do de cabelos brancos estavam na cintura do loiro, e o mesmo segurava o rosto de Dave entre as mãos. James estava totalmente em cima de Dave, que estava deitado na grama. A garrafa de vodka? Havia sido esquecida.

- Chegamos – Steve desceu do carro, esperando Chez descer. Juntaram as mãos e procuraram os amigos. O ar parecia estar mais gélido do que antes, o parque onde o Lago se encontrava estava vazio.
- Olha só os pombinhos! – Chez se soltou de Steve e pulou em cima dos dois garotos.
- Hey, cuidado Chez! – James falou preocupado com Dave e seus band-ainds no rosto.
- Ai sua gazela, você quase me matou! – Dave, dramático como sempre, gritou dando um tapa na cabeça do pequeno.
- Cuidado Dave, ele é só uma criança. – Steve puxou Chez, que tinha um bico infantil, de volta para seus braços.
- Steve! – colocou as mãos na cintura com falsa indignação. – Você é um homem mau, muito mau!
Todos riram se levantando.
- Vocês estão bem então? – Steve perguntou para James e Dave que se olharam e deram um selinho como resposta.
- Yeah! – Dave fez sinal de ‘jóia’ e eles riram.
Steve arregalou os olhos e puxou a manga da camiseta de Chez.
- Chez, hoje é um dia inédito. – o pequeno ficou confuso com a frase do namorado.
- Por quê?
- Acabei de ver outro papparazzi ali! – apontou para o outro lado do lado.
- Puta merda! – os três falaram juntos.
- Chris e Danny vão nos matar. – fizeram um Hi5 [n/a: o/\\o] desanimado.
Mal sabiam eles que a polêmica causada pelos beijos e namoros apenas os trariam mais fama e fans.
Em histórias como essa é que vemos que há males que vê para o bem.
E o bem deles foi o maior de todos.

Fim

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