– Oi diário! Aqui é mais uma vez a Marceline. Hoje é 16 de outubro de 2522 e é meu aniversário! Ainda continuo triste. O mundo não é como antigamente, ele evoluiu rápido demais! E me sinto muito só...
Desde que o Simon desapareceu eu me sinto cada vez mais sozinha. Agradeço a Grob por ter colocado ele em meu caminho... Mas queria encontrá-lo de novo...
Voltando ao assunto, hoje eu faço 522 anos, mas não importa já que não tenho amigos... Como eu queria que minha mamãe estivesse aqui, ela faria um bolo delicioso e teriam 522 velas...
*Marcy começa a chorar*
– Porque? Porque minha mãe teve que morrer? Eu te amo tanto mãe! Queria que você estivesse aqui pra ouvir isso e me abraçar bem forte...
*Marcy enxuga as lágrimas*
–Diário, agora eu vou fazer compras... quer saber? Vou no mercado do outro lado do Reino... Dizem que lá tem os melhores alimentos vermelhos! Então... Até algum dia...
*Marceline tranca a casa e sai voando. O Caracol aparece na janela de sua casa*
Realmente, eu não faço parte desse mundo- Marceline pensa- Nunca imaginaria que dirigíveis cortariam os céus, robôs ficariam mais humanos, mensagens poderiam ser enviadas por uma luz de cristal e que a história da Terra mudaria tão drasticamente.
*Marceline passa pelos destroços do que um dia foi uma grande cidade. Então ele reconheceu sua velha escola*
– Caramba... Eu não consigo acreditar...
*Marcy entrou dentro dos destroços e viu muitos esqueletos e ratos-mutantes*
– O que é isso?
*Marceline encontra debaixo de uma pilha de tijolos o Baixo-Machado de seu pai... O baixo que ela havia perdido*
– Nunca esquecerei o primeiro e último dia de aula da minha vida...
"Era uma manhã fria e com muita neve.
– Marceline! Você vai se atrasar!
– Tá mãe, eu já acabei o café!
– O papai vai te levar hoje, o primeiro dia que minha filhinha irá pra escola!
– Pai, estou pronta! Mas posso te pedir uma coisa?
– O quê princesa?
– Posso levar seu baixo? Eu já sei tocar... Por favor, por favor por favooooor...
– Não, ele tem um grande valor sentimental pra mim... Meu pai me deu quando tocava em uma banda...
– Querido, deixa ela mostrar para os futuros amigos que ela quer ser igual ao pai!
– Ahh, tá bom! Mas toma cuidado filha! Vamos andando porque você vai chegar atrasada!
Depois de me despedir da minha mãe fomos para a escola. Me lembro que estavamos conversando sobre monstros e mistérios, nunca fui uma criança medrosa. No meio do caminho percebi que meu pai estava usando um colar com um pingente roxo:
– Pai, quem te deu esse colar?
– Um velho amigo meu! Ganhei de presente no dia do meu casamento! Esse meu amigo me disse que ele me protegeria de tragédias e catástrofes.
– E funcionou?
– É... Acho que sim, nunca sofri acidentes ou algo grave do gênero...
Então chegamos:
– Toma cuidado! O baixo é pesado!
– Pode deixar!
– Boa aula! Tchau!
A professora era super simpática, ela me apresentou a turma e pediu pra que eu tocasse um pouco. Todas as crianças fizeram um círculo ao meu redor. Comecei a tocar e cantar músicas que meu pai ouvia... Mas algo estranho aconteceu. Ouvimos um barulho horrível; as outras crianças e a professora foram olhar pela janela o que era. Eu me assustei, algo muito difícil, e me escondi debaixo da mesa.
O barulho estrondoso continuava. Na hora que ia saindo pra pegar o instrumento que deixei cair no chão, a parede cai em cima de todos! O teto caiu também, ouvi muitos gritos e choro... A última coisa que vi foi o céu, ele estava verde e estava chovendo também... Desmaiei..."
– Meu baixo! Vou levá-lo pra casa, amanhã eu vou ao supermercado. Agora fiquei bastante curiosa pra tentar relembrar meu passado...

