A brisa fria da manhã soprou a cortina e com ela alguns flocos de neve invadiram o quarto. Era uma fria e cinza manhã de dezembro. E ter de levantar da cama era como um sacrifício. Ficou então a observar a cortina esvoaçar ao bel prazer do vento frio. E aquele movimento ondulado a lembrou de algo que sua mente lutava a esquecer.
Ele não merecia mais a sua atenção, porém ainda assim sua mente a traia levando a senhora daquela organização a pensar nele sempre que se distraia. Com um gesto largo jogou para fora da cama as cobertas que a cobria e colocou seus pés quentes sobre o piso gelado.
Integra trincou os dentes e soltou um palavrão bem colocado. Estava irritada em demasia. Tudo naquela época lembrava ele, era muito vermelho e dourado para seu gosto.
E ele sequer se lembrava dela. Se de fato lembrasse ele certamente já teria retornado. Passara-se cinco anos e nada. Estava sozinha com Victória naquela mansão enorme. E mesmo sem assumir, Integra sentia falta dos risos agourentos a ocupar os espaços vazios entre as pedras da construção antiga.
Vestiu-se com seu terno mais quente. Descendo as escadas quase se arrependeu. A vampira estava a decorar um pinheiro. Tentou virar-se para voltar para o andar de cima, mas Victória já a tinha percebido.
– Integra-sama, venha me ajude dizem que dá sorte quando se monta junto a árvore.
– Superstição.
A policial soltou um resmungo de desapontamento. E ao ver que Integra se aproximava ela voltou a sorrir mostrando as protuberantes presas.
– Pode desistir, estou apenas querendo aproveitar o calor da lareira. – disse a líder dos Hellsing ao se sentar em uma poltrona para observar a jovem.
– Papai Noel não vai dar o presente que Integra-sama deseja. – resmungou mais para si mesma.
– Sabe que... – revirou os olhos. – Papai Noel não existe Victória, não é?
– Claro que sei. – a encarou com uma aparência chorosa. – Mas Integra-sama ainda não vai ter o presente que quer!
– De fato, nada do que eu quero pode ser comprado e oferecido a mim. – sacudiu os ombros.
– Que crueldade!
– Sou analítica Victória, já tenho tudo o que preciso, o que quero é impossível até mesmo para você.
– Até mesmo para o mestre?
A Hellsing piscou algumas vezes com seu olho são antes de responder a pergunta. Seu grande presente viria embrulhado em vermelho e com um sorriso enviesado e um antiquado curvar de cabeça.
– Principalmente para ele, afinal esqueceu-se de nós.
– Não diga isso!
– O tempo de vocês é diferente do meu. – tocou o rosto. – Eu envelheço, sou perecível. Já você tem toda a eternidade para esperar que ele se lembre de voltar.
– Ele vai voltar... – a vampira abaixou cabeça entristecida. – eu sinto que vai.
Integra se levantou e quando se aproximou o suficiente da serva acariciou os cabelos louros curtos. Os olhos azuis aquosos da vampira a encararam. A Hellsing se abaixou e tomou um enfeite entre seus dedos, levando-o a um galho da árvore. Ajeitou-o e sorriu.
– Tenha um feliz Natal Victória. – e enfiou a mão em seu terno retirando uma caixa e a oferecendo. – Seu presente.
Integra deixou a sala, subindo as escadas e sumindo ao curvar o corredor. Victória olhou para o presente e o abriu. Dentro havia uma desert eagle onde podia ver o nome da senhora daquele clã gravado próximo a trava da arma.
A vampira sorriu. Aquele era um presente especial, Integra tinha um grande apreço por aquela arma e agora a dava para Victória.
– Sinto muito Integra-sama, por não poder te dar o que quer. Mas eu sei, o mestre vai acabar voltando a tempo.
Apontou a arma para cima e olhou em direção ao teto.
– Ouviu bem Papai Noel?
