Against time
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Capítulo 14 min de lectura

Contra o Tempo

Holmes detestava aquele barulho, detestava mais ainda a sensação de impotência que o invadia. Cada vez que refazia os passos daquela manha, achava que poderia ter impedido os acontecimentos, acreditava piamente que poderia ter salvado sua parceira. Quando a viu ensanguentada e quase sem vida, sua primeira reação foi abraça-la junto ao seu corpo e chorar. Sim, Sherlock Holmes chorou, chorou como alguém que perde o que mais ama. Ele amava Watson, não sabia de que maneira, mas amava. Agora, sentado naquela sala de espera, tentava entender porque demorara tanto para descobrir isso. O detetive Bell chegou perto e sentou-se ao seu lado.

-Como ela está?

-Está em cirurgia. Segundo um dos médicos, suas chances são relativamente boas. Não sei se devo considerar isso bom, mas é melhor do que coisa alguma. – Sherlock recostou-se na cadeira. Seu casaco ainda estava sujo de sangue, ele mal se preocupou em trocá-lo. Só pensava em Watson e de que maneira se vingaria de quem a machucara.

-Ela vai sair dessa, tenho certeza. – Bell tentou amenizar as coisas. Sabia que a mente de Sherlock estava trabalhando nesse momento. Temia que ele fizesse alguma bobagem. Watson era seu porto seguro, a única pessoa capaz de mantê-lo na linha. Se ela se fosse, quem mais poderia salvá-lo?

-Ela vai pagar por isso...

-O que está falando, Sherlock?

-Nada, detetive. Se não se importa, preciso manter-me concentrado. Vou tomar um café na lanchonete, quer me acompanhar? — A expressão de Sherlock mudara repentinamente. Bell conhecia bem aquela estratégia. Sabia que ele estava planejando algo, mas não queria que qualquer outra pessoa se metesse. Típico de Sherlock tentar salvar o mundo.

-Sherlock, seja lá o que esteja planejando, eu quero saber. Não precisamos de mais ninguém machucado, mais ninguém.- Bell o encarou e viu que um leve sorriso foi esboçado.

-Meu caro Bell, não farei nada que seja prejudicial a mim ou a qualquer outra pessoa. Apenas preciso tomar um café. – Era sua deixa para partir. Ele precisava acabar com a vida de quem quase lhe tirara a sua vida. Watson deixara de ser a muito tempo a sua parceira, ela passara a ser a única pessoa em quem ele confiava e por quem ele arriscaria qualquer coisa. Deixando o detetive para trás, ele se dirigiu a saída do hospital. Andou sem rumo até encontrar um ponto de taxi. Era a hora de ficar cara a cara com seu inimigo, era a hora de acabar com Moriarty.

Flashback- Manha de Segunda.

Sentado em meio a milhares de papeis, Sherlock estava concentrado na resolução de um caso. Estava a uma semana tentando juntar as pontas dos fatos, mas nada parecia fazer muito sentido. Em meio a colagens, fotografias, esboços, papeis e relatórios, ele acabara por se lembrar de sua parceira. Estranhou o fato dela não ter descido até àquela hora, ela sempre acordava antes das nove e já passava de dez e meia. Olhou o relógio e imaginou que ela estivesse exausta, afinal, ele a havia obrigado a revisar todas as provas na noite anterior. Decidido a encerrar os trabalhos por hora, Sherlock resolveu tomar um banho e descansar um pouco. Subiu as escadas do sobrado e, quando estava prestes a entrar no banheiro, notou que a porta do quarto de Watson estava entreaberta. Levado pela curiosidade, ele acabou se aproximando mais um pouco. Não era comum que ela deixasse a porta daquele jeito, mas nada parecia muito normal essa manha. Quando colocou a mão na maçaneta, Holmes teve uma sensação que não lhe era comum. Um arrepio o fez congelar, estava com medo de abrir a porta, por alguma razão previa que aquele excesso de estranhezas não podia ser bom. Quando escancarou a porta, deu de cara com o caus. O vidro da janela estava quebrado, havia sangue para todo lado e ele não conseguia encontrar Watson.

-WATSON!!! – Ele gritou desesperadamente, mas não obteve nenhuma resposta. –WATSON!!- Ao invadir o banheiro a sua única reação foi ajoelhar-se e abraçar o corpo inerte contra o seu. Quando olhou para cima, uma frase no espelho o fez congelar.

“ACHOU QUE EU DEIXARIA A MASCOTE ME VENCER, CARO HOLMES?”