Ao olhar para o calendário que encontrava-se em cima do balcão da recepção da pousada, [Nome] reparou que o feriado estava a chegar. Ela queria passar o feriado a trabalhar, mas sua tia a impediu e mandou tirar aquele dia para se divertir.

Em Kyoto não tinha muitas amizades ali. Os amigos que fizera durante a época da escola decidiram ir embora daquela cidade e tentar uma vida melhor do que havia ali.

Como não se encontrava muitos hóspedes naquele momento da pousada, [Nome] dirigiu-se para o seu quarto para descansar um pouco e planear o que iria fazer no feriado. Sentou-se na sua cama. Era raro haver aqueles momentos de descanso por ali. Toda hora a pousada recebia hóspedes e não havia nenhuma pausa na qual ela podia ter um momento em paz. Enquanto pensava para onde devia ir no dia do feriado, virou-se na cama e olhou para foto que se encontrava em cima da cômoda. Na fotografia estava ela junto do seu primo Sho quando eram crianças.

Então teve a ideia que no feriado iria fazer uma visita surpresa para ele. Fazia um bom tempo que não estava com Sho. Quando o mesmo decidiu fugir de casa, já que sua tia não aceitava que seu filho tornasse um cantor. Queria que ele cumprisse o papel de herdeiro, no futuro deveria assumir a pousada. Mas como ele escapou, [Nome] passou a ser uma das responsáveis pelo futuro da pousada. Porque o seu pai e sua tia não queriam que o legado da família acabasse ali e a pousada fosse para as mãos de outras pessoas.

[Nome] reparou que ainda não tinham dado por falta dela. Por isso, decidiu preparar a sua mala de viagem. Faltavam poucos dias para o feriado chegar, mas deixou tudo pronto antes da hora e comprou o bilhete de ônibus.

(…)

— Pai, tia, não precisavam de ter vindo me acompanhar até à estação — falou [Nome] a olhar para sua família. Sabia qual era o medo que eles estavam a ter naquele momento: que nunca mais voltasse a casa como fez o seu primo, que até agora não voltara para fazer as pazes com a família.

— Irmão, a sua filha conhece-nos muito bem — contou Yayoi que encontrava ao lado do pai da [Nome]. A sua sobrinha é muito diferente do seu filho que compreendia muito bem a situação sem ninguém falar para ela.

— Nós queremos vê-te a ir embora em segurança. Podes dizer ao Sho queremos ter uma conversa com ele — avisou Kenichi, o pai da [Nome]. Ele e a sua irmã querem pedir desculpas ao jovem por não ter apoiado o sonho dele. Agora estão arrependidos e querem voltar a ser uma família unida.

[Nome] despediu-se da sua família com um abraço. O ônibus estava quase a chegar ao local para transportar os passageiros que iam para Tokyo passar o feriado.

Meteu-se da fila para entrar no ônibus e procurou pelo seu lugar. A jovem tinha decidido sair logo de manhã cedo porque queria aproveitar bem o feriado ao lado do seu primo. O mesmo não sabe que sua prima vai o visitar.

(...)

As duas horas de viagem de Kyoto para Tokyo chegaram ao fim. Durante a viagem [Nome] não tinha muito o que fazer. Dormiu por alguns minutos porque acordou cedo, mas durante o resto da viagem, estava à procura de informações da agência onde o seu primo trabalhava.

Ao sair da estação, viu muitos dos passageiros a serem recebidos pelas suas famílias ou amigos. [Nome] sorriu ao ver aquele momento. Depois, foi tomar o café da manhã para em seguida colocar o seu plano em ação para encontrar com seu primo Sho.

Já com a barriga cheia, ligou para o número de celular do seu primo. Era a primeira vez que ia ligar para ele. Antes nunca tentou telefonar, porque sempre recusava as chamadas da sua tia.

Enquanto esperava que atendesse o celular, foi caminhando pelas ruas de Toyko até chegar ao edifício da agência Akatoki. Muitas vezes foi parada ao longo do caminho pelos caça-talentos que encontravam na rua a reunir pessoas para entrar no mundo do entretenimento.

(…)

Na agência Akatoki, os cantores andavam muitos ocupados a ensaiar. No final da tarde, iriam subir ao palco para cantar. Sho era um dos que estaria presente. Ele se encontrava concentrado a ler a letra da sua música quando o seu celular começou a tocar.

— Shoko, podes atender a chamada do meu celular? — perguntou Sho que levantou o seu olhar para a moça.

— Posso sim — respondeu Shoko que se encontrava mais perto do celular e sabia que o mais novo não gostava de ser interrompido quando estava a ensaiar.

Shoko pegou no celular do cantor e viu quem era a pessoa que estava chamando. Ao ver o nome da pessoa, arregalou os olhos. Mesmo assim atendeu a chamada porque sabia que os primos não se reuniam há um bom tempo, pelas histórias que Sho tinha contado a ela.

Ouviu o que [Nome] tinha a dizer para cantor. O ídolo reparou que sua agente estava com um sorriso no rosto a falar com pessoa noutro lado da linha. Ficou com uma pulga atrás da orelha, curioso para saber quem era a pessoa que decidira chamá-lo no feriado.

Fazia várias semanas que o cantor estava se preparando para este feriado, onde a agência decidira fazer um show para agradecer aos seus fãs por estarem sempre o apoiando no percurso da sua carreira artística.

(...)

[Nome] não estava à espera de quem atendesse a chamada fosse uma mulher. Começou a conversar com Shoko e falou que queria encontrar com Sho e queria o surpreender. Percebeu pelo tom de voz que a outra devia já ter escutado histórias sobre si.

Falou à mulher que já se encontrava em frente ao edifício da agência, ela começou a lhe dar indicações. Arranjou um cartão de identificação pelo segurança e teve um acesso liberado para aceder ao andar onde encontrava o camarim do cantor.

Parada já a frente da porta do camarim, [Nome] respirou fundo. Não sabia qual iria ser a reação do outro. Bateu a porta e esperou que pudesse entrar.

— A porta está aberta. Pode entrar. — gritou Sho que parou de ensaiar quando escutou alguém batendo a porta. Sabia que não era Shoko que tinha saído dali quando terminou a ligação e foi comprar umas bebidas.

— Olá, primo. Há quanto tempo não nos vemos — pronunciou [Nome] ao entrar na sala. Viu que Sho tinha ficado em choque, não sabia o que dizer. Olhou-a de cima a baixo. O tempo tinha realmente passado: estava mais alto que ela.

O ídolo não sabia o que falar para sua prima. Então resolveu abraçá-la e chorou; sentira muita falta dela. Mesmo tendo discutido com a sua família, não tinha despedido da sua prima naquela época por não estar presente no local.

— Pode não parecer, mas ele sentiu a sua falta — revelou Shoko ao entrar na sala e viu o momento de Sho com [Nome] e nunca tinha visto ele tão frágil, nem quando se zangara com Kyoko alguns meses atrás.

— Não foi o único, também senti falta dele — confessou [Nome] que retribuiu o abraço do seu primo.

— Desculpa por nunca ter tido coragem de ligar — disse Sho que já tinha se recuperado da surpresa que recebeu. Percebeu quem foi a pessoa que ligara a ele alguns minutos atrás: tinha sido [Nome].

— A culpa também é minha. Eu fiquei magoada quando foste embora sem dizeres nada e tive que assumir o teu lugar — explicou [Nome], que tinha ficado zangada por uns dias mas quando viu o seu primo na televisão, ficou feliz por ele ter buscado fazer aquilo que gosta. Deixou de lado as suas mágoas que tinha e decidiu vir fazer as pazes e apoiar ele até ao fim da sua carreira.

— Por minha causa, tiveste que abdicar do seu sonho de viajar pelo mundo — comentou Sho ao ver que tinha sido egoísta e não tinha pensado quem iria ficar mal era a [Nome].

— Agora o meu sonho é outro. Só quero ver a minha família feliz a fazer o que amam — falou [Nome] queria ver a família toda reunida novamente e em paz.

Shoko voltou a sair do camarim do cantor para deixar os primos mais à vontade. Ficou contente por saber que a família do Sho está disposta a compreender melhor o sonho do garoto.

Eles decidiram sentar e começaram a conversar sobre vários assuntos, do que se passara na vida deles quando estavam afastados. Uma coisa de que ambos tinham certeza: nunca iriam esquecer daquele feriado.

[Nome] aproveitou bem o feriado ao lado do seu primo: assistiu-o cantando no meio da multidão. Aquela noite ia ficar na memória deles quando puderam partilhar muitos momentos maravilhosos.

A partir daquele feriado, [Nome] e Sho voltaram a se reunir. Uma dessas reuniões foi em Kyoto, onde o cantor pode fazer as pazes com a sua mãe e que se desculpou com o filho por não ter compreendido o sonho dele, mas agora iria estar sempre ali apoiando.

O sonho da [Nome] acabou-se por realizar, onde a sua família estava feliz e não havia mais ninguém zangado uns com os outros.

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