Pov Percy.
Lá estava eu, Percy Jackson, no Central Park, observando pura troca de sentimentos potencialmente amorosos em púlblico, que eu chamava de Dia dos Namorados.
Eu estava sentado nos bancos do parque, entediado, observando casais de todas as idades passeando, de mãos dadas e com sacolas na mão. Aquilo era pior do que lavar os estábulos do Acampamento. Aquela chatisse de "Eu te Amo!" pra cá, e "Feliz Dia dos Namorados!", pra lá.
Eu já tinha planos pra hoje: acordar meio dia, comer um Mc Donald's com Coca Cola bem geladinha, e ficar jogando Call of Duty o dia inteiro, mas pelo visto, minha mãe e Paul pretendiam ficar em casa, comemorando, e, logicamente, isso não me incluia.
Portanto, terei que ficar o dia inteiro fora, o que me forçava a ficar observando casais se amando e se beijando. Duas palavras: CHA-TO!
Não aguentei ficar sentado. Então, me levantei e comecei a caminhar sem rumo. Qualquer lugar menos ali. Onde está Cronos quando se precisa dele?
Caminhava de cabeça baixa. Estava eu, um adolescente de 16 anos, entediado, caminhando. Até que esbarro em alguém, o que me forçou a cair de bunda no chão. E doeu.
" Meu dia está indo de ruim á pior!", pensei.
Foquei na pessoa que esbarrei. Era uma garota ruiva. Estava acompanhada de um garoto loiro. Mas a garota... não. Não podia ser!
-Rachel ?!- perguntei, incrédulo.
-Percy! Como vai! Deixa eu te apresentar o Marcos.-ela disse, apontando pro loiro.
-Muito prazer.-Marcos disse, apertando minha mão.
-Igualmente. Sou o Percy. E Rachel posso falar com você um minutinho?
-Claro! Só um momento, Marcos.
Me afastei com ela um pouco. Depois, perguntei.
-VOCÊ TÁ MALUCA???????????????
-Calma, peixinho! Não precisa gritar!
-Quem é aquele cara?
-Marcos. Já falei.
-O que você é dele?
-Ficante, eu acho.
-Mas você não pode namorar! Você tem que ser eternarmente imaculada, e...
-Epa,epa! Calma peixinho, vou explicar. Como é Dia dos Namorados, Apolo me deu uma "folga". Eu posso sair, namorar, beijar, só não tranzar. Tenho o dia inteiro livre, só que sem previsões, e claro, sem imortalidade. E agora, com licença, que eu quero aproveitar o dia. Tchau, Percy! Até o verão.- ela disse, e saiu de perto de mim, continuando seu passeio com o Marcos.
Andei alguns metros, depois chutei uma pedra, furioso. Até Rachel tem um namorado, e eu NÃO? Claro que eu não quero um namorado, não me leve a mal, eu não sou gay, mas...
-AI! QUEM CHUTOU ESSA PEDRA EM MIM?????- uma garota gritou.
"Hoje, definitivamente, não é o meu dia."
-Mil desculpas. Foi sem querer.-passei entre duas pessoas, para ver quem teve a má sorte e cruzar comigo. Era uma garota loira, bronzeada, e olhos cinzas.
-Annabeth?
Ela se virou pra mim, com raiva, mas depois seu semblante mudou para surpresa.
-Percy? Foi você que chutou a pedra em mim?
-Foi, mas não era minha intenção. Eu estava um pouco irritado. Machucou?- perguntei.
-Não, foi só superficial.- ela disse, se sentando em um banco. Me sentei ao seu lado. Ela estava com um tênis All Star preto, calça Jeans, uma camiseta listrada vermelha e branca, com um colete branco por cima.
-O que faz aqui?- eu perguntei.
-Bem. Foi feriado hoje no meu colégio por causa do Dias dos Namorados. Eu até pensei em ir pra casa passar o dia, mas meu pai e a esposa deles vão "comemorar" o dia. Então, passei no Olimpo pra ver meu trabalho. Está perfeito. Então, como eu não tenho nada pra fazer, resolvi dar um passeio.
-Somos dois, então.
Ficamos em silêncio por um tempo.
-Sabe,- comecei-. Á alguns anos atrás, íamos ao cinema, mas não o fizemos. Por que não vamos agora?
-Legal. Vamos.
Nos levantamos, e seguimos para o cinema mais próximo. Só estava passando filmes românticos. Resolvemos assistir "Ps, eu te amo.". Eu nunca tinha nem ouvido falar, mas Annabeth já havia lido o livro, e disse que era ótimo.
Até que o filme estava legal. Na metade dele, sem querer, pus minha mão encima na de Annabeth. Ela era macia como seda. Ela não fez nada para mudar isso, muito menos eu. Sei lá, estava tão...bom.
Quando o filme acabou, saímos. Eu estava tão distraído que nem reparei que ainda estava segurando a mão dela. E quando notei, a soltei, enrubecido.
-Me desculpe, eu nem reparei.
-Não foi nada.-ela colocou as mãos nos bolços laterais do colete.- O que quer fazer agora?
-Estou com fome. Quer lanchar por aí?
- Claro. Eu também estou. Que tal o Mc Donald's.
-Leu meus pensamentos. Vamos, loira.
E seguimos calmamente até a lanchonete. Não estava tão cheia. Casais dividiam Milk Shakes. Eu e Annabeth fomos até a fila. Pegamos nossos lanches, e depois nos sentamos. Ficamos conversando e comendo. Ás vezes, riamos sem razão, e despertávamos olhares curiosos nas pessoas que passavam. Quando acabamos os nossos lanches, uma moça de uns vinte anos se aproximou.
-Com licença, mas é que como hoje é o Dia dos Namorados, fizemos um concurso de quem é o casal mais bonito daqui. E vocês ganharam!
Várias pessoas aplaudiram. Eu e Annabeth coramos.
- E há algum prêmio?- perguntei.
-Um vale de 200 dólares para gastarem com o que quiser.
Gostei daquele prêmio.
-Mas para ganharem o vale- ela continuou.- Tem um desafio.
-E qual é?
-Têm que se beijarem!-ela sorriu.
Olhei para Annabeth. Ela acenou, come se dissesse que concordava. Pensei. Valia apena um beijo por 200 dólares. Então, me aproximei da loira, e dei um selinho nela. Foi rápido, mas eu senti o gosto de seus lábios. Morangos.
Mais pessoas aplaudiram. A moça nos entregou dois cartões de crédito amarelos. Em cada um, havia 100 dólares. Saímos da franquia.
-Então. O que faremos com o cartão?- perguntei.
- Sei lá.- ela disse.
-Já sei! Porque não eu comprar um presente pra você e você comprar pra mim?
-Boa ideia! Mas pode ser mais de um?
-Claro. Então, que tal nós nos encontrármos na sorveteria em frente ao Central Park?
-Boa ideia. Ás seis. Até lá.
Então, ela saiu correndo. Eram três horas. Fui no lugar mais óbviu para um presente para Annabeth: a livraria. Mas quando cheguei na porta da mesma, me decepcionei comigo mesmo. Seria muito normal dar isso para ela. E todos sabem que eu não sou normal.
Rodei a cidade por umas duas horas. Já estava anoitecendo. Cheguei em uma joalheria.
-Posso ajudá-lo, rapaz?- uma atendente me perguntou.
-Sim. Eu queria um presente para uma pessoa muito especial.
-Então veio ao lugar certo. Eu tenho aqui alguns colares que certamente é o que você procura.
Analizei alguns colares. Vários modelos, várias cores, vários tamanhos. Mas havia um em especial. Era dourado, com uma pedra em forma de adaga, escrito "Sabichinha".
-Onde vocês arrumaram esse colar?-perguntei, olhando fixamente para o objeto.
-Ah, sim. Uma mulher muito bonita veio aqui. E deixou ele.
"Mulher bonita? Afrodite, sua danada!"pensei.
-E quanto é?
-Cem dólares.
-Eu levo.- Paguei o colar, mandei embrulhar para presente. Olhei o horário. Cinco e meia. Como estava um pouco longe do Central Park, comecei a andar em diração ao mesmo.
Quando cheguei lá, Annabeth estava me esperando.
-Oi. -eu disse. Ela respondeu do mesmo modo.
-Vamos entrar.-a conduzi até a sorveteria.
-Posso ajudá-los?-a moça perguntou.
-Eu gostaria de um sorvete.-falei.
-A vá, Percy, é mesmo? Achei que queria uma macarronada!- Annabeth, disse, me zoando. A moça riu.
-Bem,- eu disse, tentando não me sentir ofendido.- gostaria de um Petti Gateu.
-Eu o mesmo.
-Claro. Podem se sentar. Já levo pra vocês.
Nos sentamos em uma mesa ao lado da janela. A noite caía atravez de Nova York. A moça chegou com os nossos pedidos. Amo Petti Gateu. É muito bom Mas eu sempre me sujo com ele. Minha mãe me chama de boca furada. Vai entender.
Quando acabamos o sorvete, eu paguei e nos sentamos em um banco.
-Está sujo aqui.-Annabeth limpou uma mancha em minha bochecha.
-Obrigado.
-Agora, os presentes.-ela disse.
-Primeiro eu! Primeiro eu! Primeiro eu!-implorei, como uma criança mimada.
-Deixa eu ver. Hum. Percy Jackson, que tal você?- ela ironizou.
-Muito obrigado. Bem, eu achei que seria muito óbviu te dar um livro, então, eu te comprei isso.-lhe estendi o pacote.
Ela o abriu como uma criança que recebe um presente de aniversário. Quando viu o colar, seus olhos brilharam.
-Percy! É maravilhoso!
-Deixa eu por.-peguei o colar e pus nela. Ficava magnífico nela.
-Minha vez. Bem, comprei algo que, acho que vai gostar.
Ela me estendeu um pacote cor azul. Eu o abri cuidadosamente. Detro, havia um perfume Kaik, o meu predileto, que, coincidentemente, havia acabado hoje.
-Gostou?-ela perguntou?
-Adorei.
-Ainda bem. Eu acho que acertei, então.
-Mas o melhor presente.-comecei, colocando o presente de lado- é ter você aqui.
Então, fiz o que eu sempre fasso, ajo, e depois penso. Então a beijei.
Mas não foi um beijo forçado como no Mc Donald's. Foi um beijo especial. Era como se aquele fosse o nosso primeiro beijo.
Quando nos separamos.
-Annabeth, quer ser minha namorada?
Então, desta vez, quem me beijou foi ela.
-Claro, Cabeça de Alga!
A partir daquele dia, os Dias dos Namorados passou a ter um significado mais especial para mim. Pois apartir daquele dias, eu comemorei todos ao lado de minha Sabidinha.
