Os dias foram passando e ele não comia, não bebia e não dormia. As janelas do apartamento estavam todas fechadas e a luz do sol não era vista por ele há alguns dias. Sentia-se franco, impotente. Sentia-se o pior homem da face da terra, um bicho asqueroso, um verme, um homem indigno de perdão.
Não se importava em ter de viver o resto dos seus dias ali sozinho naquele lugar, onde tudo lembrava o outro. Das paredes que pintaram juntos, aos objetos de decoração, a delicadeza dos lençóis de seda, ao cheiro em todo o ambiente; tudo tinha aquele toque amadeirado e natural que brotava da pele amorenada de Yuu. Ele estava presente sem estar e isso fazia Kouyou ter ímpetos de arrancar os próprios cabelos aloirados.
Só passamos a dar valor quando perdemos, ele sussurrava o tempo todo, para si próprio. Em meio à poeira e a falta de luz ele se arrastava pelo apartamento. O cheiro da solidão invadindo suas narinas, o medo, a falta de fé impregnada em sua pele. Hoje ele ousaria dizer que Shiroyama Yuu era a sua vida e mais do que nunca ele precisava de sua companhia.
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