The Other Side
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Chapter 27 min read

Capítulo 2

Começo a arrumar minhas antigas roupas em umas cômodas que tinha ali, e mesmo depois de ter colocado tudo ainda tinha sobrado muito espaço. Minha vida mudou muito, antes com a minha mãe era tudo contado e espaço não existia, agora com meu pai é totalmente o contrario. Mas eu sabia que não podia dar as costas a minhas origens, mamãe sempre tentou o melhor pra mim, e eu sempre apoiei as decisões que ela tomou, com exceção a de viajarmos sem parar.

Sai do quarto e fui até a escada pelo corredor. Tinha quase certeza de que um dia eu ainda iria me perder nessa casa. Mas hoje me perder seria impossível, o cheiro de comida estava impregnado, era só seguir o rastro e pronto, estava na cozinha.

Não sei como, e não quero me preocupar com isso agora, mas Oliver estava lá, e como sempre mexeu com minha cabeça.

— Olá – disse ao sentar numa cadeira.

- Olá Senhorita – disse Maria mexendo na panela.

- Claire – corrigi

- Deseja alguma coisa Claire?

- Qualquer coisa que você esteja fazendo ai. Estou com muita fome.

- Só um minuto – disse ela ao tampar a panela e ir até o armário.

Levanto de onde estou e vou me sentar um pouco mais perto de Oliver. Tinha que começar a me entrosar com o pessoal da cidade, e Oliver era o primeiro da lista.

— Oi, tudo bem? – disse envergonhada

— Vou levando, e como você esta lidando com a mudança?

- No começo é sempre difícil – sussurrei pegando uma maçã e abocanhando ela.

Ele assentiu e fez menção de se levantar.

— Posso te pedir um favor? – falei desesperada por companhia.

- O que estiver ao meu alcance farei.

- Pode continuar a me mostrar a cidade? Ainda é cedo...

- Seu pai vai deixar? – disse ele astuto

- Claro – menti sem ao menos me importar com pai.

Ele olhou para a Maria, como se perguntasse se era uma boa idéia.

- Tudo bem, acho que não tem nada de mais, mas antes quero que comam alguma coisa – respondeu ela com um sorriso nos lábios.

— Ok – respondemos os dois e rimos com a coincidência.

Maria era a melhor cozinheira que eu já tinha visto. Ela fez o banquete com tanto carinho que cheguei a dizer que ela tinha a comida melhor do que a da minha mãe. Não que fosse difícil ter uma comida melhor do que os ovos fritos de mamãe.

- E então? Está pronto? – disse à Oliver me levantando delicadamente e colocando minha mão sobre a dele.

- Um pouco cheio, mas pronto!

Nos despedimos de minha avó postiça e corremos até o carro. Algo me dizia que Oliver e eu seriamos como dama e vagabundo.

A rua estava bem movimentada, ainda era começo da tarde então tinha muito tempo pra andar por ai. O que me deixava mais alegre, porque estar com ele me deixava mais feliz.

A cada km que passávamos, ele me olhava preocupado e sempre dava um jeito de voltar um pouco.

- Será que podemos ir andando mais adiante? Assim acho que poderia conhecer melhor a cidade...

- Não sei se seu pai aprovaria isso...

- Ele não está aqui, e se você não contar nada ele não vai saber...Alem do mais, estou com você, estou segura.

Ele corou. Ele corou do jeito mais lindo que eu já havia visto. Ele era o menino mais lindo que eu já havia visto.

Ele ainda estava em duvida se era uma boa idéia sair do carro e caminhar pela rua comigo, como se fosse cair um meteoro na minha cabeça só por eu estar andando na rua...

Sem perder mais tempo pego ele pela mão, e puxo ele pela rua. Como parecia estar surpreso pela minha ação, permite que eu o puxe ainda mais.

Nossas mãos ficaram juntas por tanto tempo, que ambos esquecemos de desgrudá-las. E no momento em que percebi isso, ele soltou-a deixando um calor estranho no meu corpo.

— Gostaria de ir ao Hayde Park? – disse ele em contrapartida.

- Claro – disse sem graça.

Não que eu fosse questionar o fato de ele não querer minha mão junto a dele, mas é que era realmente bom estar em um lugar com ele. Então caminhamos os dois calados. Cara, isso ia ser desconfortante...

Chegamos em casa já de noite, meu pai estava agarrado no sofá com aquela nojenta da mulher dele, que ainda não fui nem um pouco com a cara.

- Olha só querido, ela chegou. – disse com um sorrisinho na cara, que retribuo da mesma forma.

Ela não está vendo o Oliver do meu lado? Será que é cega também? Porque era só o que faltava ela ser cega também.

- Como foi o passeio minha filha?

- Foi bem legal, o Oliver me levou ao parque, adorei ele... – ok, eu adorei ele ( Oliver)

- Está com fome? – perguntou a baranga

- Só um pouquinho, vou na cozinha comer alguma coisa.

- Não prefere comer na sala de jantar? – revidou ela me olhando incisiva

— Vou comer na companhia de meu amigo Oliver – e dito, sai da sala os deixando boquiabertos.

- Maria será que você poderia me fazer rapidinho alguma coisa pra comer? Esse passeio me deixou com fome.

- Claro, e sem querer me intrometer, mas amanhã você começa na escola, não é?

- Sim, amanha começa a tortura.

- Mas você não queria vir morar com seu pai?

- Sim e eu gosto de estudar, só que as vezes cansa essa rotina, entendeu?

- Mais ou menos, mas deixa pra lá, você não tem que me contar nada sobre a sua vida se não quiser...

- Maria, você é a avó que eu nunca tive. O que quiser saber, pode perguntar – disse com um sorriso no rosto

- Claire, fico muito feliz de te ouvir falar assim de mim...

Retribuo o sorriso e me sento na cadeira a espera de alguma conversa. O outro casal que estavam ali quando entrei pareciam estar com medo de conversar em minha presença.

- Por que estão tão calados? Não sou nenhum monstro nem tão feia assim. Pelo menos eu acho...

- Desculpe Claire, o que gostaria de conversar?

- Primeiro, não quero que fiquem desse jeito perto de mim, e segundo, qual o nome de vocês? Não os tinha visto mais cedo.

- Meu nome é Gina Simon. Prazer

- Prazer. – digo lhe dando um abraço.

Ela fica surpresa, mas logo retribui o ato de afeto.

- Robson Frod – disse o homem.

O cumprimentei e ficamos conversando enquanto comia. Eles eram todos amigos e trabalhavam pro meu pai a alguns anos, falaram um pouco sobre o infeliz casamento de meu pai e sobre a mulher dele. Quando o sono me atingiu, me despedi dos empregados da casa e segui até o quarto na companhia de meu amigo Oliver.

- Obrigada pelo dia maravilhoso – sussurrei e lhe depositei um beijo na bochecha.

Fechei a porta e quando estava pra entrar no banheiro ouvi ele dizer contra a porta.

- Posso lhe oferecer dias assim por toda a eternidade – respondeu ele