Doze dias passaram desde que Thomas Shelby chegou ao hospital. Ele não recebeu mais nenhuma visita, mas o terreno continuava vigiado por seus homens. Para a sorte de Lily, o cantor não voltou a aparecer, e aos poucos as coisas se normalizaram. Ainda se sentia ansiosa ao atravessar a cortina bege e encontrar aquele homem ali, branco e imóvel como uma estátua de mármore, mas estava se acostumando. Além disso, descobriu uma maneira perfeita de se acalmar e fazer as horas passarem mais rápido nas madrugadas e manhãs frias: cantar.
Quando eram pequenas, Lily e Dawn iam à igreja com sua mãe toda semana, sem falta. Era um ambiente amigável e reconfortante, como deveria ser, exceto para Lily. Mesmo batizada como todas as outras crianças, sua “condição” assustava boa parte dos adultos, que acreditavam ser coisa do diabo. Proibiam seus filhos de brincarem com ela, faziam fofocas entre si, e todos evitavam a caçula das Price. Acabava sentada no banco do pátio, assistindo Dawn e os amigos jogando um jogo qualquer depois da missa, até que a irmã se compadecia e vinha brincar com ela.
Alguns dias, para não atrapalhar Dawn na sua diversão, Lily ficava dentro da igreja, pulando entre os bancos e inventando algum jogo para si. Até que se divertia sozinha, mas era só para esperar a hora de ir embora. Foi quando a Irmã Sarah, uma freira tão boazinha quanto velha, a encontrou e a convidou para cantar no coral, para “gastar aquela energia em algo bom para o espírito”. É claro que, como qualquer outra garota de 6 anos, preferia muito mais jogar bola com os amigos, mas aceitou e não se arrependeu.
Enjoying the story?
Create your free account in 15 seconds to unlock the next chapters and pick up right where you left off on any device.
