– Eu? Mas eu nem lembro o que aconteceu, acordei no hospital e disseram que eu iria presa!
– Não minta para mim. Você já tem passagem na policia, de qualquer forma, vai para o reformatório.
– Mas o que? Você não pode estragar minha vida desse jeito.
– Seus pais concordaram nisso.
– Que pais?
E então começou uma discussão entre a corte e outros. O caso de 6 meses atrás ainda estava sendo explorado e, mesmo assim, não tinham certeza se aquela suspeita era a verdadeira criminosa. Um crime verdadeiramente maluco e sem sentido algum. A única coisa divulgada foi que alguém tinha atirado fogo na plantação e matado todos os trabalhadores de lá. Mas tinha mais um segredo, ninguém sabia ao certo se era aquilo mesmo, a menina dada como culpada muito menos.
– SILÊNCIO! – Disse a juíza, já estressada por toda aquela algazarra. – Criatura, não quero saber se foi você ou não, você vai ser presa por ter roubado e contrabandeado e.. — A mulher de cabelos grisalhos passa o olho pelo perfil da pequena criminosa. — mais umas coisas ai. Se for provado que você fez /aquilo/, você será imediatamente levada pra solitária. Prendam-na.
Os grosserias chegaram com uma algema e armas de choque. "Pra que tudo isso?" Pensava a garota enquanto era segurada por no mínimo, 5 homens armados e fortes. "Até parece que eu sou um monstro, que absurdo."
6 horas de viagem até a chegada no local. Conseguia ver de longe, os grandes muros que tapavam um imenso castelo.
– Nós estamos indo pra um reformatório ou vamos visitar a rainha? – Perguntou, se apavorando com o tamanho do lugar.
– Tem rainhas e reis lá, se quer saber. Mas eles só mandam em seus dormitórios.
– Como você sabe sobre lá?
– Sou um dos seguranças de lá, sei de várias coisas que rolam.
– Achava que malucos e criminosos escondiam as coisas de seguranças.
– São criminosos sem senso, você queria o que?
– Isso quer dizer que eu não sou criminosa e que tenho senso?
– É.. Quase isso.
Ela ficou calada até amarrarem o barco no cais e a levarem para dentro dos muros. Podia ver, de longe, uma floresta que aparentou ter o inicio meio seco, mas a medida que ia chegando perto do meio, aumenta a quantidade de frutos. Os grosserias tiraram suas algemas e a jogaram pra dentro dos portões, junto a sua mochila.
– Idiotas.. – A menina bufou e se limpou, seguindo desajeitada para dentro do "castelo". Ao entrar lá dentro, foi atingida por uma bola de plástico colorida.
– Quem foi a vadia?
– Sai da frente!
Alison revirou os olhos e seguiu até seu quarto, achou silencioso, mas como era bem tarde, já deviam estar dormindo. Entrou no seu dormitório e notou que tinha 4 camas. Com apenas uma no canto sendo desocupada. Não sabia que ia ter que dividir o quarto, mas achou um saco. Também se tocou de que não havia ninguém nele, então decidiu dar um role por ai. Ao sair pela porta, viu uma garota ruiva no corredor, seguindo pro quarto em que ficaria.
– Você é a novata? – Perguntou
– Err.. Sim.
– Seja bem vinda. A propósito, onde vai? Falta 15 minutos pra hora de dormir, se não estiver no quarto, está ferrada. – A ruiva disse séria e seguiu para o quarto. Alison ficou meio que sem entender o porquê de ter que estar na cama em 15 minutos, mas também não se importava..
Não deu 5 minutos e apareceu uma caralhada de gente correndo pelo corredor. As pessoas andavam rápido e se atropelavam, o que resultou numa Alison tonta tentando voltar ao normal. Quando percebeu, já não tinha mais ninguém no corredor. 10 minutos tinham se passado. Pensou sobre o que te tão ruim poderia acontecer e apenas riu. Foi em direção a cozinha, estava tudo silêncioso. Quando entrou lá, enxergou uma garota com roupa de maid agaichada no chão, passando o pano como louca. A menina que estava limpando, se virou para a porta apavorada.
– Quem é você? O que faz aqui? Vá logo para seu quarto! – Disse a menina.
– Ei, calma, o que foi? Por que está estressada?
– Já está quase passando do horário e eu ainda não consegui cumprir meu trabalho, se eu for pega...
– O que de tão ruim pode acontecer, hm?
– Não queira saber. Me ajude ou vá para seu quarto, estou avisan- – A maid foi cortada pelo barulho da porta se abrindo. Nesse momento, começou a soar frio e arregalou seus olhos, fitando a porta.
– Ué.. Mas o que diabos.. – Alison ia dizendo enquanto se virava para ver o que tinha na porta. Quando se virou por inteiro, bem atrás dela, tinha uma mulher com os olhos vermelhos, parecia que tinha fogo em sua volta. A morena se assustou e pulo pra trás, soltando um gritinho estridente.
– O QUE VOCÊS ESTÃO FAZENDO ACORDADAS? – Perguntou a mulher.
– E-Eu só e-estava t-terminando meu trabalho, senhora.. Por favor, me deixe i-ir.. – A maid dizia tremendo, estava quase chorando.
– Vá logo! E você, mocinha, quem é você?
– Sou Alison, e você, quem é?
– Quem eu sou? Você está perguntando, quem eu sou? – A mulher começou a rir cinicamente. – EU SOU MARIANA, A DONA DESSA COISA. E VOCÊ, MAL ACABOU DE CHEGAR E JÁ QUEBROU A REGRA DO HORÁRIO... – Mariana sorriu da forma mais terrivel que Alison já tinha visto. – Venha comigo.. – Agarrou a novata pelo braço e começou a puxá-la pelo corredor. Abriu uma pequena porta no final, onde tinha escadas pro porão.
Finalmente a menina havia entendido o que a ruiva e a empregada queriam dizer. Quando chegou lá embaixo, viu instrumentos de tortura por todo o canto, mas não foi levada pra nenhum deles, não. Ela foi levada pra uma cadeira, lá no final do lugar, onde foi amarrada. A diretora do reformatório, seguiu pra um canto escuro, onde desapareceu por um tempo. Quando voltou, trazia em suas mãos um.. Tubo de cola? Não, não era só isso. Tinha uma outra coisa. Alison apertou bem os olhos tentando enxergar, quando conseguiu ver o que era. Queria rir quando percebeu que o que a mulher tinha na mão era um bigode falso. a mulher tacou cola no bigode, botou no rosto de Alison, desamarrou a garota e mandou ela sair correndo do lugar. No caminho, a menina achou uma manta e decidiu tapar metade do rosto. Foi pro seu quarto, viu que já tinha as 3 meninas, cada uma em cada cama, e se deitou.
De manhã, mal acordou e suas 3 colegas de quarto já estavam em sua volta, a cutucando.
– Olhem, ela acordou – Disse a que usava óculos.
– O.. Que?
– Sofreu a punição, não foi? – A ruivinha fazia cara de quem queria dizer "eu bem que avisei"
– Quem são vocês?
– Somos suas colegas de quarto. A propósito, eu me chamo Lara, a ruiva se chama Jana e essa garota que tem fogo no cu ai é a Fernanda.
– Ah, oi. Eu sou a Alison. Prazer.
– Posso ver qual bigode ela colou em você? – Perguntou a empregada, invadindo o quarto.
– Ah, oi Isis. Se livrou da mancha que a Dandara e a Mylena fizeram? – Jana se dirigia ao banheiro, carregando junto um perfume de morango.
– Não consegui. Aquelas duas inventam de fazer coisas inadequadas no canto do refeitório, e depois eu que tenho que limpar a bagunça.
– Vamos descer, eu estou com fome.. – Fernanda reclamava com a barriga roncando.
– Tudo bem.. – As 4 garotas daquele quarto pegaram suas coisas e desceram em direção ao refeitório.
– BOM DIA GAROTAX – Dandara chegou engolindo um grande pedaço de bolo. – Oi Alison, ouvi falar de você. Na verdade, todo mundo aqui já sabe do que rolou ontem a noite.
– Pega no primeiro dia, isso é quase um recorde. Só não vence o Douglas, que quando pisou aqui, se agarrou com um garoto que ninguém lembra qual é. – Martinho apareceu e se apresentou.
– Alguém tem um pedaço de pão? – Um garoto de cabelos cacheados na cara abriu a porta do refeitório com força, quase quebrando as portas. – EI, QUEM FOI QUE TRANSOU ONTEM A NOITE? AQUELES GEMIDOS ESTAVAM IRRITANTES. – Ao dizer isso, uma menina magrela corou, juntamente com Dandara.
– Tinha que ser, essas mamãozeiras. – Uma gota escorreu pelo rosto de Iris.
– GENTE, VENHAM VER O QUE TÁ ROLANDO AQUI FORA! – Um menino que possuia porpurina, arco-íris e bichinhos de pelúcia em volta entrou no local, puxando umas 10 pessoas pelo braço.