– Olá Diário. Ainda estou bastante curiosa a respeito do meu passado. Ainda não me lembro ao certo o que aconteceu, só fragmentos de lembranças. tive até um sonho estranho. No sonho, alguém me tira dos escombros... Bem, voltarei lá pra descobrir mais alguma coisa.
*Mais uma vez, Marceline volta às ruínas de sua antiga escola. No céu, aviões caindo aos pedaços voavam e chamavam a atenção de robôs que estavam escondidos*
– Hm... O que aconteceu depois? Vejamos, eu estava exatamente aqui, debaixo dessa mesa... Será que meu sonho estava certo? Será que alguém me salvou? Mas, quem?
*Marceline, passa a olhar com mais atenção o chão da antiga escola e vê um capacete*
– Acho que me lembro desse capacete...
"Acordei com gritos, gritos de pessoas procurando por sobreviventes. Pela fresta dos escombros consegui ver carros e tanques. Gritei por ajuda, gritei o mais alto que pude, mas parecia que eles não me ouviam. Comecei a chorar e então alguém veio e levantou o pedaço de parede que me prendia. Vi a face de um rapaz, um soldado alto e ruivo. Consegui ler em sua farda "Bill". Ele tirou o capacete e colocou em minha cabeça, eu mal conseguia me mover e então, dormi.
Alguns dias depois, finalmente acordei, mas fiquei assustada. o lugar onde eu estava era assustador e não se parecia com um hospital. Estava com as mãos e os pés amarrados à cama. Comecei a me desesperar e tentar sair, mas não conseguia. Então ouvi vozes, essas vozes diziam algo como 'eles foram afetados pela radiação e vão morrer'. O que isso significava? Onde estava o soldado? Então, a porta se abriu e entrou alguém com trajes especiais, não conseguia falar nada, ele chegou perto de mim e injetou algo que me fez voltar a dormir.
Não sei por quanto tempo dormi, mas tive certeza que o remédio não fez muito efeito. Acordei, mas mantive os olhos fechados para enganá-los, eles ainda estavam conversando. Mas percebi algo incrível, minha audição estava muito boa, consegui ouvir as gotas de chuva que batiam na parede do lado de fora, os passos de insetos e até mesmo a conversa dos dois cientistas que estavam do lado de fora do quarto:
– Você está louco? Ela é só uma criança! Eu exijo que você a solte!
– Ela não é mais uma criança, meu caro. Aquela maldita bomba transformou ela em uma aberração! Não só ela, mas outros humanos, animais e plantas também. Creio que as mutações que ela terá serão piores.
– Porque você acha isso?
– Ela estava muito perto da explosão, na verdade, nem sei como ela sobreviveu.
– E o que nós podemos fazer para ajudá-la?
– Nada. Absolutamente nada... Só esperar, ela não vai sobreviver, tenho certeza.
– E os soldados? Eles não deveriam ter ido até aquela área.
– Eles não tem culpa, estavam no lugar errado e na hora errada. Alguns deles morreram. Mas um deles, o que salvou a garotinha, está sofrendo o processo de mutação. Ele não é mais humano.
– Sério? E o que pretende fazer?
– Experiências, é claro. Vou estudá-lo e descobrir mais a respeito dessa mutação.
Aquilo ecoou em minha mente... Senti uma força crescendo em mim, algo que nunca senti antes, e consegui arrebentar as amarras e escapei pela janela."

