O silêncio na cobertura duplex em Copacabana era cortante, rompido apenas pelo som abafado das ondas do mar batendo contra o paredão da Avenida Atlântica. As luzes embutidas no teto de gesso iluminavam o piso de mármore branco onde papéis confidenciais de auditoria estavam espalhados de maneira caótica.
Heitor Mello andava de um lado para o outro, com a camisa social completamente amassada, a gravata jogada sobre o sofá e os cabelos despenteados pelas próprias mãos trêmulas. Ele segurava o telefone sem fio com tanta força que os nós dos dedos pareciam translúcidos.
— Como assim congelaram as contas da holding, Carlos? — Heitor explodiu, a voz ecoando pelas paredes de vidro da sala de estar. — Eu sou o fundador! Eu assino os projetos! O conselho não pode simplesmente bloquear o fluxo de caixa sem a minha anuência por escrito!
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