Eu estava nervosa, não. Nervosa era pouco, eu estava em pânico. Ta certo que uma semana atrás eu estava quase em depressão, por causa disso, mas agora pensando em tudo o que eu vou ter que passar eu tinha mudado de opinião.
– São dois dias de viagem e você vai levar tudo isso? — Pergunta meu pai atrapalhando meus pensamentos.
Olho para minhas malas.
– Eu tenho que trocar de roupa, passar maquiagem, arrumar o cabelo...
– Por acaso vai aparecer algum paparazzi lá na floresta? — Pergunta meu pai rindo.
– Eu vou tentar diminuir. — Digo brava voltando ao quarto. Mas acabo voltando por causa de um detalhe: — Você não demora dois dias na viagem.
– Isso porque eu nunca fui a pé.
Olho espantada para ele e pergunto:
– A gente vai a pé? E a van?
– Vamos ficar dois meses na alcatéia a van vai se acabar. E também vamos estar lá como membros da matilha e eles não têm carro.
Olho brava para ele e vou para a sala. Ethan est á pronto faz meia hora, deve ser porque não tem nada pra arrumar.
– Acredita que meu pai não quer ir com a gente com a van? — Pergunto j á tentando diminuir minhas malas.
– Ele está certo. Se chegássemos lá com a van e não fosse pra pegar nem deixar ninguém, eles ficariam ofendidos. — Ethan não tira os olhos da janela.
– Nossa mas eles se ofendem muito fácil. — Digo com a bagagem pela metade.
– É. Talvez sim. — Ele continua a olhar pela janela.
– Você está com saudade de lá e também das pessoas, né? — Pergunto e pela primeira vez Ethan olha para mim.
– A saudade que tenho de lá é maior que o medo de lembrar do dia que ela... — Ethan para de falar antes de terminar a frase.
Ouço bem o que ele disse. Eu tentei ser uma pessoa forte para ficar do lado dele, mas na verdade ele era a pessoa forte que ficava do meu lado.
Pego em seu queixo, levanto seu rosto, olho nos seus olhos e digo:
– Não se preocupe, você vai dar a volta por cima.
Dou um beijo nele.
– Com você eu vou as alturas.
Olho espantada para Ethan, realmente ele estava andando demais com Allan.
***
– Eu estou cansada. — Digo tentando meu pai e Ethan a pararem. Já andávamos fazia horas.
– Imagina se tivesse trazido todas aquelas malas? — Disse meu pai. Ethan se virou para trás, olhou para mim e riu.
Eu só estava com a bolsa da escola, mas em vez de enchê-la de roupas dividi metade para roupas e a outra metade para cosméticos como xampu, condicionador, perfume, etc. Aposto que minha bolsa era a mais pesada.
– Quando a gente vai parar? — Pergunto fazendo um biquinho, mesmo não tendo ninguém olhando.
– Daqui duas horas. — Responde meu pai.
– Mas já estamos andando a 8 horas. — Reclamo.
– Na verdade 10. — Concerta Ethan.
Fico espantada com o tempo que estou andando, não achava que fosse tão resistente.
***
Felizmente como me disseram depois de duas horas paramos. Meu pai e Ethan começam a conversar, mas estava cansada demais para prestar atenção.
Acordo com uma enorme dor nas costas e vejo que ainda esta noite, olho para o céu e me concentro na Lua, ela parece estar sorrindo para mim. Percebo que Ethan deitou do meu lado, mas nem com meu mexe-mexe ele acorda; tento me levantar com o maior cuidado possível para não acordá-lo. Dou um beijo na testa dele e quando me viro para trás vejo meu pai nos encarando.
– Oi, pai. — Digo um pouco envergonhada.
– Meio desconfortável, né? — Ele pergunta.
Balanço a cabeça positivamente.
– Você não vai falar nada de mim e do Ethan? — Pergunto.
Ele ri.
– Por quê? Vocês não estão fazendo nada de errado.
Talvez tivesse passado muito tempo com o Rhidian e meu pai não estar surtando por causa de eu dormir do lado de um garoto fosse estranho para mim.
Não consigo segurar a vontade, por isso sento do lado do meu pai, encosto a cabeça em seu peito e pergunto:
– O que você acha que eu tenho parecido com a mãe?
– Os olhos, a boca o sorriso...
– Não, pai. Na personalidade.
– Ela era vaidosa que nem você, tinha muita criatividade, era ótima inventando desculpas e era muito solidária, nunca deixou de doar uma parte do seu salário para os necessitados.
– Você acha que eu sou solidária?
– Solidariedade não é amar o próximo? — Pergunta meu pai olhando profundamente nos meus olhos.
Concordo com a cabeça.
– Então você não ama o Tom, a Shan, a Laureen e o... o...
– O Allan.
– Isso. Você não ama eles?
– Claro.
– Viu, eu não posso me gabar de amar tantos humanos.
– O que você viu na minha mãe que chamou tanta sua atenção?
– A beleza dela e a coragem dela, ela desafiou o alfa várias vezes, isso para os outros era rebeldia para mim era coragem.
– Ela disse uma vez que você era bem bonito.
– Filha, eu ainda sou.
Rio e esse clima descontraído me da mais coragem para perguntar uma coisa.
– Existe preservativo na floresta?
Meu pai me olha com aquele olhar quando os pais percebem que seus filhos cresceram.
– Não. Mas perto da lua nova o risco da mulher engravidar é bem menor.
Sinto meu rosto ficar vermelho. Por que perguntei isso? Mas minhas perguntas embaraçosas não acabaram.
– Você transou com alguém depois que se separou da minha mãe?
Agora foi a vez do meu pai ficar vermelho.
– Sim. Você não lembra que eu tive o Bryn?
Mas a resposta que eu realmente queria saber é se ele já namorou um humano.
– Acho que vou dormir.
– É melhor mesmo.
Meu pai me levou até no lado do Ethan, me deu um beijo na testa e sussurrou no meu ouvido:
– Mas você pode engravidar, mesmo perto da lua nova.
Eu não estava acreditando, aquilo foi um lembrete ou um aviso? Como se eu fosse transar com alguém. Virei-me de frente do Ethan, vi seu rosto tranquilo, mas meus pensamentos ainda estavam na minha conversa com meu pai.

