O Fim Era Só o Começo
O Fim Era Só o Começo
Chapter 24 min read

Capitulo 2

Pensei muito em como continuar nossa história. Será que deveria falar um pouco mais sobre nosso casal ou ir direto ao ponto em que tudo realmente começa?

Mas acredito que podemos intercalar os dois momentos: o antes e o agora.

Não sei vocês, mas adoro a ideia de trabalhar com passado e presente, naquele estilo de flashback que nos permite conhecer melhor os personagens enquanto acompanhamos o que estão vivendo atualmente.

Assim, conseguimos fugir um pouco do tradicional e tornar tudo ainda mais envolvente.

Então, sem mais delongas, vamos ao que trouxe vocês até aqui.

— Tio Paulo, poderia pegar o sucrilhos para mim?

Doía em Paulo ouvir a filha chamá-lo de tio. Já fazia três meses que estavam vivendo juntos, mas a doce Mel ainda não conseguia chamá-lo de pai.

— Claro, minha princesa. Quer que o papai esquente o leite para você também?

Ela assentiu, enquanto ele continuava preparando seu café da manhã.

— Bom dia! Como estamos hoje? Mel, querida, coloque no prato somente aquilo que vai comer.

Irina era como um sol por onde passava. Iluminava a todos com sua simpatia e, ao vê-la com aquela leveza, Paulo não conseguia deixar de pensar em tudo o que ela havia enfrentado ao criar Mel durante aqueles anos.

Sentia-se culpado por não ter estado ao lado delas, por ter perdido tantos momentos que jamais poderiam ser recuperados.

Ainda se lembrava perfeitamente de como havia conhecido aquela mulher, nos primeiros anos de escola.

Flashback On

— Cuidado!

Mas, antes que qualquer um dos dois pudesse reagir, a bicicleta perdeu o controle e acabou levando tanto a condutora quanto o rapaz para o gramado à frente.

Por instinto, Paulo levou a mão à cabeça para se proteger. No movimento, acabou atingindo uma pedra e provocou um arranhão na mão.

— Desculpa! Eu perdi o controle quando vi um bicho ali atrás. Não foi minha intenção te atropelar. Meu Deus, olha sua mão!

Ele não sabia dizer se era consequência do tombo ou da situação inusitada, mas havia algo naquela garota de uniforme escolar que já havia chamado sua atenção. Ela parecia verdadeiramente preocupada, quase à beira das lágrimas.

— Não precisa se desculpar. Não foi nada, só um arranhão.

Levantou-se e estendeu a mão para ajudá-la. Depois, virou-se para conferir a bicicleta que, apesar de alguns arranhões, parecia estar inteira.

— Minha mãe não queria me dar essa bicicleta. Costuma dizer que não tenho senso de direção. Estou começando a acreditar nela.

Enquanto falava, ajudou-o a recolher algumas coisas que haviam caído no chão.

— Aliás, me chamo Irina. Sei que não é exatamente a melhor maneira de conhecer alguém...

— Paulo. E, realmente, sua grande chegada foi inesquecível.

Os dois começaram a rir.

Flashback Off

Bem clichê, não é? Típico das histórias tradicionais.

Mas vamos voltar ao presente, onde Paulo e Irina decidiram se dar uma nova chance. Além de recuperar o tempo perdido, ambos precisariam reconstruir a confiança e aprender a lidar com os desafios de uma vida a dois.

E Paulo tinha uma longa estrada pela frente se quisesse conquistar o coração da própria filha.

— Bom dia, querida.

Aproximou-se de Irina e lhe deu um longo beijo de bom dia, o que imediatamente provocou algumas caretas em Mel.

— Espero que continue fazendo essas caretas até os quarenta anos!

Assim que ouviu a provocação do amado, Irina lhe deu um leve tapa no ombro e foi buscar seu próprio café.

Os dois haviam concordado que manteriam a rotina que Irina sempre tivera, sem luxos ou empregados. Queriam apenas os três, dividindo as tarefas e os pequenos momentos do cotidiano.

Para Paulo, aquela era uma oportunidade de conhecer melhor a filha, participar de sua rotina e, principalmente, mostrar que não estava ali apenas para fazer parte da vida de Irina. Também queria conquistar seu próprio espaço no coração de Mel.