The End of Innocence
The End of Innocence
Chapter 228 min read

Capítulo 2

Bom... eu tenho a resposta.... meus olhos se abriram de novo... só que... acho que ainda estou na mesa de operações... tento mover a cabeça – ai! como doi... – para o lado, para ver se a sailor Terra ainda está lá... ela está... e ainda está sozinha... sozinha me olhando, me observando... rezando... chorando... e ainda está com a roupa... rasgada...

Joynah... tome vergonha e... vista alguma coisa... se a Ray aparecer... vai te dar uma bronca... se bem que acho que o... Herochi até que vai gostar... quem diria... eu estou aqui, provavelmente toda.... arrebentada e só fico pensando... em besteira... bom... é o meu jeito... você sabe disso... será que Diana está bem? Ela... ela a ajudou contra o tigrão... mas não a vi voando junto com você e a sailor Moon...

Eu viro a cabeça de novo para cima, e me sinto como se a ressaca do natal e do ano novo viessem de uma só vez... seria até possível... se eu bebesse. Eu nunca mais vou beber... bebi uma vez... e... carrego esta vergonha... até... hoje... hum... isso me lembrou do Tony... porque? Acho que estou... devendo alguma coisa para... ele... nossa... quanta gente! Eu acho que estou bem machucada... ai... ai, AI!!!! ESTÁ DOENDO!!!! O QUE ESTÃO FAZENDO AI???

Passou... que bom... doeu muito, eu acho que quase consegui gritar... um deles, quer dizer, uma delas olhou para mim... fez até um carinho em meus cabelos... sabe... eu devo estar delirando... eu juraria que era minha mãe...

Qual delas? Ora... o que mais fica comigo... minha mamãe Amy... calma mamãe Michiru... eu te amo também... não fique com ciúmes de sua amiga... mamãe Michiru... mamãe Haruka... maninha Suzette... maninha Hotaru... onde estão vocês? Será que já sabem? Estarão preocupadas comigo?.

Eu estaria... na verdade, eu estou... e muito... mas acho melhor pensar em outras coisas... como a minha família de belas donzelas... hum... ai! eu quase grito de dor, pois senti uma vontade enorme de soltar uma risada... sabe... se eu fosse menino, iria adorar uma família assim... só de mulheres... todas bonitas... os dois pirralhos não contam! bom... eu não sou um menino... sou uma garota... e bem normal, Garanto! Ai... porque cismei de ser tão exigente? Já podia ter uma penca de namorados a essa altura... eles estariam lá junto com Joynah... a sailor Terra... me observando... ficando preocupados comigo... chorando...

E... depois... quando eu estivesse no quarto me recuperando... eu ganharia um montão de flores e bichinhos de pelúcia... ai, ai, ai!!! eu adoro isso!!!! Tony... não fique com ciúmes não... é só falar que me ama, que quer namorar comigo... que eu penso... no seu caso... eu... droga... lá vou eu de novo... piscar os olhos... bem... até breve...

Espero...

Ela viu o hospital. Devia ser aquele, era o único rodeado de gente, como sailor Moon tinha dito. Só que... ela não disse que tinha tanta gente assim. Até a guarda da cidade estava lá, tentando afastar os curiosos.

Era um hospital simples, pequeno, e voltado para atender as crianças da região. Tinha no máximo seis ou sete andares, com um acesso para um transporte vertical no seu topo. De fato, tinha um que estava pousando lá agora. Será que já iam transferi-la? Será?

Meio indecisa e preocupada com aquele monte de gente em frente a porta, ela desceu suavemente, com cuidado para que suas asas de fogo não machucassem ninguém. Ela pousou em frente a entrada do hospital, mas a multidão estava no meio do caminho.

- Sailor Sol! Uma palavra por favor.

Mas... o que era aquilo? Ela deu um passo para trás, assustada. De repente, do meio daquela multidão, começaram a surgir pessoas com dispositivos de gravação na mão. Repórteres. Ela nunca precisou encarar aquilo antes. Na verdade, nenhuma sailor jamais foi assediada por eles antes. Lógico... sempre saiam de cena antes que eles aparecessem...

Mas, daquela vez, era diferente. Uma delas tinha sido gravemente ferida, e fora levada a um hospital comum. Era natural que houvesse esse interesse pelo assunto. Mas tinha que ser logo ela a primeira a que exigissem uma entrevista? Ela continuou a andar para trás, seu rosto mostrava o seu medo. E agora? O que ela ia fazer? Como ia sair daquela situação?

Agindo por puro instinto ela fez a suas asas surgirem, com tal fúria que assustou os que se aproximavam. O calor que elas geraram tinha sido enorme, o bastante para causar queimaduras, se ela as mantivesse neste nível por muito tempo. Ainda assustada, ela voou por cima da multidão e aterrissou por trás do cordão dos guardas. Eles seguraram os desesperados repórteres.

Que experiência... anda com o coração batendo forte, ela entrou no hospital. Notou imediatamente que o chão estava molhado. Mais a frente, podia ver vários faxineiros o limpando. Muito eficiente. Mas por que tanta gente para manter o corredor limpo?

- Me desculpe...

Que susto! Ela deu um pulo para trás com o toque dele.

- ... mas – ele também ficou assustado com a sua reação – devo pedir que... bem.. pode reduzir a chamas de suas asas?

As asas... puxa! Ela nem tinha lembrado que elas ainda estavam acesas.

- Perdão – disse ela apagando suas asas, muito envergonhada – onde... onde estão elas?

- Bem, a que foi ferida está sendo operada. As outras estão na sala de observação. No meio do corredor, a esquerda.

- Obrigada – respondeu ela, andando lentamente na direção indicada.

Logo ela passou pelos faxineiros, e viu. Viu a trilha de sangue... sentiu o cheiro dele – por que ela tinha que ter o seu olfato tão sensível? – teve que segurar a compulsão de correr para um banheiro. Não podia perder o controle ali.. não agora.

Ela entrou pela porta quase que correndo, e viu elas. Sailor Moon, ainda em sua forma de Ethernal, e Chibi Moon no seu colo, a abraçando com força, praticamente segurando apenas com uma grande força de vontade a necessidade que tinha de chorar.

Ela deu alguns passos e chegou ao lado delas. Sailor Moon estava sentada, com os olhos fechados. Balançava lentamente o corpo para a frente e para trás, embalando a irmã que segurava firmemente em seu colo. Ela provavelmente queria ter certeza de que ela não podia ver.

Notou a grande vidraça naquela sala, e, através desta, o movimento lá dentro. Um monte de médicos ao redor de alguma coisa, que, simplesmente, ela não conseguia ver o que seria.

Mas imaginava... devia ser a sailor Titã quem estava no centro daquela convenção médica. O centro das atenções. Duas horas já tinham se passado e ainda estava sendo operada. Devia ter sido muito grave mesmo.

- Sailor Moon? – chamou ela com cuidado, acreditando que a pequena princesa já estivesse cochilando.

Ela abriu os olhos e olhou lentamente para ela. Estavam vermelhos... podia ver claramente que ela tinha chorado bastante. Tanto quanto ela... curioso o que se passa na nossa mente nestes momentos... sailor Sol imaginou que seu rosto deveria estar igualzinho ao dela, vermelho de tanto esfregar as lágrimas com as mãos, e com os olhos inchados de tanto chorar.

- Alguma notícia da mamãe? – perguntou ela, com a voz tremendo.

- Ela cancelou tudo e está viajando para cá. Deve chegar no fim da tarde.- respondeu ela, sem fazer nenhum esforço para demonstrar segurança. Ela não tinha.

- Leve minha irmã para a casa da Rita... – pediu ela se levantando e oferecendo a pequena criança para que a pegasse – as outras já devem estar lá ou indo para lá. Não quero que ela fique aqui.

- E você? – perguntou enquanto, com cuidado, tomava a pequena princesa no colo.

- Estou com medo de deixar a sailor Terra sozinha. Ela está mais abalada do que eu... – ela estava olhando para o vazio agora – carregou ela o tempo todo, ficou encharcada com o seu sangue... meu Deus... porque isto tinha que acontecer?

Ela não disse nada. Não tinha o que falar.

- Fique calma – disse pousando a mão no seu ombro – ela chegou até aqui... vai chegar até o final.

- Eu espero... espero mesmo. Vai.. leva a minha irmã. E fique por lá. não deixe nenhuma das outras se meter nisto.

- Foi o que Urano disse. Netuno vai vir para cá logo, logo. Marte e Vênus já estão com Urano, procurando ao redor. O Treinador e o Samurai também. Eu vi Saturno chegando quando o treinador me mandou pegar sua irmã.

- Que bom... algum sinal... dele?

- Não... fiquei voando o tempo inteiro, para satisfazer a Urano de ficar fora do alcance, e para poder procura-lo. Não vi nada.

- Tá bom – ela sorriu, incrível! Sailor Moon ainda conseguia sorrir – vá agora. Antes que ela acorde.

Sem se despedir, ela começou a andar com a Chibi Moon no colo. E pensar que tinha sido ela, que por anos a tinha carregado no colo, quando ainda era comum ficar em sua forma de felina... quando chegou no corredor, ficou reticente de sair pela porta de entrada. Não queria encarar aquelas pessoas de novo. Resolveu pegar o elevador e sair pelo teto, da área de pouso dos transportes flutuantes.

Quando chegou lá em cima, havia um transporte lá – devia ser aquele que ela viu pousando quando chegou – e... mas... aquela era a sailor Terra... o que estava fazendo ali? Viu ela pegar algo muito pesado de dentro do transporte e começar a carrega-lo para dentro do prédio. Devia ter se oferecido para carregar algum equipamento, para se sentir mais útil. Ou, para não ter de pensar no que estava acontecendo com a Titã...

Ela apertou a pequena adormecida no seu peito e acendeu as suas asas. Logo estava voando, carregando sua preciosa passageira rumo a casa da Rita. Pelo menos, lá seria mais fácil entrar sem ser percebida. Como ela ficava do lado do palácio, bastava entrar neste, se transformar, e ir andando até lá.

Só que ia ter de acordar a Chibi Moon para que ela fizesse o mesmo...

Um leigo iria estranhar tanta demora em uma cirurgia. Especialmente uma feita para “remendar” alguém que tinha sofrido múltiplos cortes como ela. Mas não era bem assim. Não é simplesmente costurar o que está cortado e pronto. A carne não é um tecido de roupa, é bem mais delicado, e há muitos detalhes a serem vistos. Muitos mesmo. O primeiro, é decidir por onde começar. Qual o órgão crítico mais atingido? Nesse caso, podia-se até sortear. Coração, pulmão, fígado, pâncreas, vesícula, o canal digestivo... a lista era grande. Era mais fácil dizer o que ainda estava intacto.

Logicamente, o primeiro da lista deveria ser o coração, certo? Não exatamente. Não foram só os órgãos que foram tratados da mesma forma que se faz com as vísceras de boi no açougue – comparação nada gentil, mas verdadeira neste caso – muitas veias foram seccionadas. Muitas mesmo. Não adianta muito começar a tratar do coração se não cuidar da irrigação sangüínea deste. E, neste caso, em pelo menos em três locais, as veias que alimentavam o coração estavam partidas. O médico chefe já estava trabalhando nelas quando chegou. Os outros estavam cuidando de outras veias, em outras partes do corpo.

Sem elas, podiam ir lavar as mãos e ir embora, pois nada além de um milagre a deixaria viva. Na verdade, era um milagre ela ainda viver. Como tinha agüentado até ali?

Não pense nisso. Não se deve pensar nisso. Um médico precisa, deve, é obrigado a não pensar em seu paciente como uma pessoa. É apenas um mecanismo complexo de carne, sangue, órgãos internos... Não se pode pensar na alma, pois um médico não trata dela. Apenas da carne, apenas e tão somente da carne vermelha.

E como estava vermelha a carne dela... e preta também. Já haviam partes necrosadas. Era esse o segundo problema quando se “remendava” alguém. Não se pode simplesmente costurar tudo e depois leva-lo para a recuperação. Não é como um corte superficial. É preciso antes, avaliar o que vai poder ser salvo e o que não vai. Em outras palavras, tem que se cortar fora tudo o que corre o risco de necrosar dentro do paciente. Carne necrosada... nome bonito para se referir a carne morta e podre.

Com cuidado, e se esforçando para não ver o seu rosto, ela suturava as veias do coração. Ao seu lado, uma enfermeira estava auxiliando a suprir de oxigênio as partes do corpo que não estavam ainda irrigadas, jateando estas com uma solução aquosa transparente, rica em oxigênio e que cumpria com a mesma função do sangue, com a vantagem de não coagular quando exposto ao ar. Isso iria garantir a sobrevivência dos órgãos enquanto a circulação sangüínea não fosse restabelecida.

Cinco minutos, dez minutos, quinze minutos... demorou quarenta minutos até todas as veias do coração estarem novamente em condição de transportar o sangue dela. Ela olhou para o trabalho “menor” dos outros, e ficou satisfeita. Pela primeira vez, Titã tinha um pequeno ponto ao seu favor. Sua circulação interna seria iniciada em breve. Seu coração estava parado, mas isso não indicava que estava morta. A máquina que fazia o trabalho dos pulmões e coração dela estava ligada desde que tinha chegado. Tinham conectado ela na sua jugular, para manter seu cérebro suprido com sangue, enquanto cuidavam do pescoço para baixo. Conforme os grampos que impediam que os vasos sangüíneos rompidos jorrassem sangue fora eram retirados – pois, estavam suturando estes – mais e mais suas chances subiam.

Mas, em termos percentuais, ainda eram menores que um dígito.

A doutora Amy começou a cuidar agora do coração. Ele tinha sido apenas arranhado, mas esses arranhões eram preocupantes. Muito mesmo. O ventrículo direito parecia possuir apenas uma pequena película de músculo, mantendo o sangue em seu interior. Se o coração voltasse a pulsar assim, esse pequena fresta iria se abrir, causando uma mortal hemorragia interna. Com a frieza de séculos de prática, ela pegou o bisturi e abriu o ventrículo, no mesmo local em que havia apenas uma pequena e quase imperceptível fresta. Pegou um tencionador e esticou a carne ao redor do corte que tinha feito. Tinha que retirar aquela carne de lá, pois ela iria necrosar com o veneno que aquelas garras tinham deixado.

Um barulho chamou a sua atenção. Alguém tinha entrado na sala carregando alguma coisa. Assim que teve uma pequena folga, ela lhe dirigiu o olhar. Viu a jovem sailor Terra terminar de por no chão o equipamento que tinha solicitado. Com ele, seria possível controlar cada órgão do corpo dela independentemente de seu cérebro, evitando – ela esperava – convulsões e colapsos futuros.

A jovem saiu rapidamente. Até que ela ficava bonita com aquela roupa esterilizada... pobrezinha... devia estar morrendo de fome. Ela tinha visto seus cortes quando tinha entrado lá. Também tinha sido atacada, e, com certeza, devia estar enfrentando a mesma infecção que a sua querida filhinha. Não, filhinha não.. era uma paciente. Apenas isso. Uma mera paciente como tantos outros que tivera antes.

No caso de Joynah, especificamente, ela tinha bem menos receio. Ela era bem mais que uma humana, embora um pouco menos que uma sailor – fisicamente falando, ao menos — tanto que, devido a provavelmente possuir uma carne bem mais resistente, deve ter sofrido apenas cortes profundos. Nada comparado ao... fatiamento ocorrido com Titã. E, com sua capacidade de recuperação, seria bem capaz de enfrentar aquela infecção. Pelo menos, até receber o coquetel de anticorpos que já tinha pedido para trazerem dos laboratórios do palácio.

Bom, hora de se concentrar de novo. Ela terminou de seccionar a parte danificada do coração e já o estava suturando. Teria que fazer o mesmo com a outra parte arranhada. Mas, terminado isso, o coração estava fora da lista de prioridades.

Tinha uma coisa que a estava incomodando um pouco. Na verdade, a incomodava muito. Desde que começou a trabalhar no coração, tinha notado algo diferente. Tudo bem, um corpo com cinco grandes cortes transversais de um lado a outro era profundamente diferente de tudo o que já tinha visto antes. Os médicos aproveitaram estes cortes para afastarem a carne e trabalhar nos órgãos internos. Só que.. o coração fica embaixo do fígado... normalmente, para se acessa-lo, fazia-se necessário afasta-lo um pouco. Ela podia ver a vesícula ali do lado, aberta como um saco pequeno – ninguém ainda estava cuidando dela – a vesícula era praticamente pendurada no fígado. Ela podia ver a vesícula... onde então estava o fígado?

Quando terminou de cuidar do outro arranhão do coração, decidiu perder alguns segundos para avaliar o quadro geral dela. Ela não tinha tido tempo – ou coragem – de fazer isso. Agora, ela se arrependia de tê-lo feito. O pâncreas estava cortado em dois lugares, o canal digestivo também. Nem o intestino grosso e o delgado escaparam dos cortes, muito menos o rim direito. A caixa torácica tinha sido rompida como se fosse madeira fina, as costelas foram cortadas com um único golpe, praticamente não oferecendo nenhuma proteção ao interior de seu corpo. Seu diafragma estava como as bordas de uma bexiga de ar que tinha estourado por ter sido enchida demais, e isso era como estavam as coisas que ela podia ver apenas pelos cortes abertos. Ainda não sabia se eles tinham ido mais fundo.

Quanto ao fígado, ela conseguiu acha-lo... as três partes em que ele ficou fatiado.

- Allete, atenda a porta.

- Estou indo, Rita, mas me conte se acontecer alguma novidade.

- Pode deixar.. se falarem algo nos próximos trinta segundos, eu te aviso.

- Engraçadinha...

- Eu não estava querendo ser engraçada!

É, ela não estava. apenas estava nervosa como todos eles. Meu Deus... a pobre Anne, gravemente ferida. E elas sendo obrigadas a ficar ali, sem poder fazer nada.

E o que iam fazer? Anne era a mais poderosa delas, e estava entre a vida e a morte agora – pelo menos, foi o que os repórteres disseram. Sua mãe mandou ela e sua irmã localizarem as outras e ficarem ali, na casa da Mina. A dona da casa os recebeu quando estavam saindo, para integrar o grupo que estava caçando quem tinha feito aquilo com Anne. Parece que sua irmã tinha sido ferida também, mas já estava melhor. Até o Afonso tinha ido. As sailors mais poderosas, tirando Mercúrio, que devia estar operando Anne, estavam todas no parque nacional. Junto com os guardiões da Terra. Elas só iam atrapalhar mesmo se fossem até lá.

Assim, decidiram que era melhor reuni-las em um só local, para passarem instruções depois, caso fosse necessário. Só que a casa da Rita, apesar de espaçosa, não era lá muito ideal para deixa-las a vontade. Estavam todos se acotovelando na sala, observando atentamente a holovisão, aguardando novidades.

Tudo o que tinham descoberto até então, foi que Amy tinha ido até lá, a sailor Moon e a sailor Terra ainda não tinham saído do hospital, e que a sailor Sol tinha ido até lá, e saído logo em seguida, carregando aparentemente uma criança nos braços. Devia ser a Chibi Moon.

Ela abriu a porta para ver quem era que estava na entrada da casa. Que surpresa! Era a Diana e a Sereninha.

- Entrem – gritou, correndo para abrir o portão – entrem logo.

Viu Diana passar pelo portão aberto. Nossa, ela estava com a cara fechada. E Sereninha também. Aquilo não era um bom sinal, não era mesmo. Elas estavam todas juntas quando aconteceu, devem saber como é que Anne realmente está. Tudo o que descobriram pelos seus pais e assistindo a holovisão era que: “A Sailor Titã, gravemente ferida, deu entrada no hospital infantil Berta”. Outras notícias davam conta que, devido ao seu terrível estado, a tinham levado para o hospital mais próximo, e que este não tinha equipamento ou pessoal para cuidar de seu caso, mas que, como provavelmente ela morreria se levada a outro local, acabaram trazendo o material e o pessoal para este. Sailor Moon trouxe alguns – incluindo Amy – e a sailor Terra trouxe alguns equipamentos.

Mas isso tinha sido há duas horas. Desde então, nenhuma novidade tinha sido transmitida. Alguns outros holocanais, falavam de uma movimentação incomum das sailors e dos guardiões da Terra no parque nacional, que estava atualmente interditado, por ordem da segurança da cidade.

- Desliguem isso – disse Diana assim que chegou na sala – por favor.

Ela olhou para Sereninha, que estava com os olhos apáticos, e claramente irritados, com o choro que devia ter feito. Rita imediatamente desligou a holovisão quando viu aquilo. Foi até a Sereninha, e a convidou para ir para o seu quarto, brincar com os filhos de Amy – o Sume os tinha deixado lá também.

Ela foi com a Rita, felizmente. Sabia que ela provavelmente não iria brincar com eles, mas como iria querer mostrar que era forte, ficaria mais controlada. Não se sabia o quanto que ela tinha visto – esperava-se que não muito – mas isso iriam confirmar agora, com Diana. Ela estava lá com elas, deveria saber o que tinha acontecido.

Todos fizeram uma roda ao redor de Diana. Suzette, Marina, ela mesma, Herochi, Yokuto, e logo depois Rita, quando voltou pelas escadas depois de deixar Sereninha lá em cima. Ninguém ainda tinha dito nada, estavam com medo de perguntar. Diana olhou para cada um deles e, suspirando, sentou-se em um dos sofás sem encosto. Suzette e Rita sentaram-se do seu lado, os outros foram para os outros sofás, para aguardar quando ela tivesse coragem de começar, ou quando alguém tivesse coragem de perguntar algo.

- Com ela está? – perguntou Suzette, que era, obviamente a mais interessada. Afinal, Anne era praticamente sua irmã.

Diana a encarou com os lábios tremendo. Ela não queria contar, era óbvio. Essa pausa já indicou para todos ali que ela estava muito mal, e que os repórteres não tinham exagerado.

- Horrível – disse ela com voz de choro – muito ruim mesmo. Ele.. ele rasgou peito dela. ELE RASGOU O PEITO DELA!!!

Diana abraçou Suzette com força, não agüentando mais se controlar. Allete ficou pensando na Sereninha, se ela tinha ouvido quando Diana tinha dito aquilo quase gritando. Tomara que não, tomara mesmo. Todos estavam encabulados, com medo de pensar no que tinham ouvido, até ela. Suzette ainda estava parada, afagando os cabelos de Diana que ainda estava abraçada fortemente nela. Mas era apenas um reflexo. Uma rápida olhada em seus olhos era o bastante para saber que ela não estava lá, no seu corpo. Devia ter se retraído para dentro de sua mente, para fugir da realidade. Da dura realidade que Diana tinha lhes revelado.

Ele rasgou o peito dela, tinham sido as palavras. Rasgar, não cortar ou ferir, mas rasgar. A palavra lembra facilmente um tecido de roupa, que, quando muito tencionado, se separa com um som característico. Rasgar, ele rasgou... como se rasga carne? Como se pode imaginar isso?

- Ele quem? – perguntou Herochi, quebrando o fúnebre silêncio da sala.

- Djogor – respondeu Diana entre soluços – foi Djogor.

Agora sim, podiam imaginar o que tinha ocorrido. Djogor, a criatura felina com forma humana, com terríveis garras incrustadas em sua arma que algum desavisado chamaria de mão. Um dos dois traidores da memória de sua raça, que se uniu a um grupo terrível, cujo objetivo ainda desconheciam.

Podia imaginar agora como tinha ocorrido. Infelizmente também era fácil imaginar o que tinha ocorrido com o peito de Anne. Rasgado, com aquelas garras que podiam ser cravadas em aço.

- Diana... – Suzette tinha saído de onde sua mente tinha se escondido – como, como ela está agora? Você sabe?

- Não – respondeu ela ainda abraçada e escondendo a cara no peito da amiga. Já se podia ver a camisa de Suzette toda molhada por suas lágrimas – só vi um monte de médicos ao redor dela. Tinha tantos que nem consegui ver o seu corpo. Estão operando ela. Mas eu não sei.. não sei mesmo... tinha tanto sangue nas roupas deles, muito sangue. Também tinha sangue na roupa de sailor Moon... Em todo o lado direito dela.

Era melhor tentar tirar aquele pensamento dela. Estava assustando todo mundo ali. Ela estava assustada. Não queria pensar naquilo, não daquela forma, em termos de sangue, ferimentos, e coisas similares. É terrível, é a verdade, mas não ajuda nada ficar em pânico.

Allete se levantou e apertou o ombro direito de Diana com força.

- Sailor Sol – disse ela enérgica – controle-se.

Ser a vice líder do primeiro grupo tinha as suas utilidades. De que outra forma iria obrigar ela a se segurar?

- Está bem – disse ela soluçando um pouco – eu vou. Prometo.

- Ótimo.

Allete ficou ajoelhada ao seu lado, e Suzette continuava a afagar os seus cabelos, para ajuda-la a se controlar. Ela sempre ficava calma assim, ou afagando seus cabelos, ou a sua nuca. Uma herança característica de sua raça.

- Minha mãe está cuidando dela... vai dar tudo certo... você vai ver. Vai ver sim...

Diana começou a relaxar com o afago dela. Apesar de ainda saírem lágrimas de seus olhos, ela estava relaxando, fechando os olhos, ficando menos tensa. Seria bom ela cochilar um pouco mesmo.

- Opa! – disse Yokuto pegando o seu visor do bolso e o colocando diante dos olhos, encaixando a haste de sustentação deste em sua orelha – pode falar.. Sailor Moon?

Todos olharam para ele. Mesmo Diana, que estava quase cochilando ficou sobressaltada.

- Está bem, eu digo.

Ele desligou o visor o tornou a guarda-lo.

- Herochi – disse ele para o irmão – sailor Moon pediu para o cavaleiro de Marte Fobos para tentar tirar a sailor Terra do hospital.

- Tudo bem – disse ele pondo-se de pé – eu vou. Alguém quer ir comigo?

- Melhor não – disse Allete – quem for só vai ficar mais preocupado.

- Certo.

Ele tocou no seu relógio e sua roupa energética envolveu o seu corpo. Orion sabia mesmo construir aquelas coisas. Agora, os cavaleiros de Marte e os guardiões da Terra não tinham mais problemas para trocar de roupa. O brilho sumiu e agora parecia que ele estava vestindo mesmo uma armadura. Seu visor escondia muito bem as feições de seu rosto, o que evitava que fosse reconhecido.

- Vou sair pelo palácio – disse ele se dirigindo ao acesso oculto da casa a este. Muitos viram eles entrarem na casa, e seria estranho agora um cavaleiro de Marte ser visto saindo desta – eu aviso se souber de mais alguma coisa.

- Herochi... – chamou seu irmão – veja se a Serena está bem...

- Pode confiar...