Shion passara por um episódio de extremo vazio existencial. Apesar de um corpo grande, se sentira novo, um recém-nascido, com o Mundo inteiro a sua volta para exercer sua pressão e ao mesmo tempo aguentar a dele. Não imaginaria que fosse passar por um segundo período de perda de memória. Não na condição em que estava. Quando foi avançando pelo corredor de um material desconhecido de cor azul-esverdeada que o levaria posteriormente a uma cabine pequena onde estaria um registrador — o homem registraria a entrada dos recém-chegados um por um em No. 7, assim como misteriosamente queria saber tudo o que cada sabia sobre si mesmo, o que levava Shion a pensar na hipótese de estar sendo manipulado mentalmente por algum tipo de entidade, mas rapidamente o esqueceu — repentinamente acordou em um quarto pequeno, na parte de cima de uma beliche, ainda praticamente dormindo.
O cômodo estava basicamente escuro sem contar a fresta em uma janela que ocupava quase toda a parede perpendicular a cama, à seus pés. Ele se sentiu nesse momento menos assustado, como se o próprio ambiente o confortasse, mas não tinha muita consciência. O que é isso agora? Tentou mexer um músculo, mas seu corpo não respondeu, como se fosse esmagado por várias pedras espalhadas por ele, e sua respiração tornou-se fraca a ponto do homem pensar no fato de estar sonhando ainda. A realidade era desmaterializada, e aos poucos Shion pode ver de pé próximo a beliche a figura de uma mulher — ou garota – brilhando ouro e sorrindo, seu fulgor iluminando todo aquele lugar e trazendo a Shion um sentimento de paz.
Shion, você me ouve? ela dizia, com uma voz elegante e serena.
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