Meet Me Halfway
Meet Me Halfway
Chapter 13 min read

Capítulo 1

Sasuke_‘’Idiota’’, às vezes ago pelos meus instintos, e nem percebo que acabo de ferir uma pessoa aleatória. Hinata. Ela saia correndo do prédio. Não sei explicar mas senti o mundo desmoronar naquele exato momento, a sensação de atacar a fragilidade daquela menina foi atordoante. Desconheço mais do que qualquer outro. Não trocamos palavras, não olhamos nos olhos, talvez nem mesmo gostamos um do outro.

Senti minha alma sufocada e minha mente inundada por lembranças desagradáveis.

Correu em meio à chuva sobre um céu nublado, não poderia deixar de admirar tamanha graciosidade, aquela que buscava preservar-se e fugir dos medos. Que tinha o poder de contemplar as mínimas coisas, extremamente vulnerável. Não consegui codificar o enigma daquelas emoções, descrevia sua pessoa com tanta perfeição que parecia conhecer mais do que se pensava.

Fiquei preocupado. Apreensivo. Comecei a refazer seus passos.

Tento refazer um trajeto mental sobre os fatos que acometera há pouco tempo. Havia desaforado sobre Hinata pelo simples fato de acidentalmente ter esbarrado em mim. Nada intencional, mas as palavras escaparam-me como água. ‘’Idiota’’. Os olhos derreteram-se sobre sua face, o pânico roubou-lhe a cor e via estremecer involuntariamente. As cenas seguintes seguem sobre o presente momento.

Cruzei a cidade, vasculhei cada esquina para que não arriscar-me a perdê-la na falta de visão, a neblina estorvava as imagens. Talvez a garota não tivesse problema; afinal seus dois grandes orbes arroxeados eram programados logo a isso.

As lágrimas se misturavam sobre as gotas de chuva que colidiam ao rosto, chorei, não pela situação, mas por tudo, meu espírito estava sobrecarregado. Não lembro a ultima vez que chorei, mas certamente deveria ser no dia da morte de meus pais. Foi no exato dia que perdera sua felicidade, sua identidade, perdera até a razão de viver. O ódio certamente nos motiva a continuar a existir. E não dói. Dói. Mas não se sente; é nostálgico, o amor dói, lateja, e engana. A odiosidade é a passagem mais fácil, não há obstáculos, é você contra si mesmo, já o amor está lá cheio de conflitos e necessidades.

Só parei de correr quando finalmente havia encontrado. E encontrei. Sobre a chuva e as lágrimas. Sentada num banco com a cabeça cabisbaixa. Não há muito que fazer, já estava lá ensopada, abatida e com raiva de mim.

Aproximei-me vagarosamente, procurando uma brecha naquele banco. O que não mais justo do que compartilhar uma angústia, estava habituado. Pela primeira vez senti-me derrotado sem derramar um pingo de suor. Vaguei minhas mãos em busca de um contato físico, estava muito frio. Não houve reação desta. Folguei as mãos sobre a cascata de cabelo, aproximando ainda mais de seus olhos, pousando sobre seu ombro e depois foi onde minha cabeça buscou conforto. E assim permaneci. O que poderia fazer. Estava feito. Esperei pacientemente seu perdão. Que demorou.

Só quando nos enlaçamos em um amigável abraçado senti que havia ganhado seu perdão. Não sua confiança, nem sua ternura. Seu perdão e apenas isso.

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