Há muito tempo, existia a Família Real Lunar, residiam na Terra e tinham como principal dever proteger e zelar toda e qualquer forma de viva do planeta.
E para tanto além da Família Real Lunar, existiam as Guardiãs, que protegiam a família Real, e também protegiam a vida. A rainha era a líder das Guardiãs, e portadora do Cristal Lunar, uma joia com imensurável poder, que podia dar a vida, ou em mãos erradas tira-la. A rainha era conhecida como Guardiã do Cosmos, pois seu poder representava a tudo e todos.
Por muitos e muitos anos as guardiãs, a família real, e os povos viviam em paz e prosperidade.
A Família Real Lunar era conhecida por suas mulheres belas como deusas, sabias, benevolentes e pela longa vida, eram adoradas por todos. Praticavam a paz e harmonia acima de tudo. Lutando apenas se estritamente necessário.
Porém....
Depois de lacrarem o Caos, as princesas e rainhas lunares mudaram seu jeito de agir, ao invés de gentis e justas, ficaram arrogantes e insensíveis.
E isso causou a revolta de várias pessoas, inclusive das outras guardiãs que se rebelaram e partiram para o Reino de Elysion, governado por homens que sempre foram contra o governo Lunar, e desejavam seu poder.
E por muitos e muitos anos foi assim, geração após geração, Elysianos e Lunares travavam uma guerra pelo poder, sem ter, no entanto, um vencedor....
Dias atuais...
A Princesa Serena andava pelos corredores do castelo. Trajava sua usual capa branca, e sua cesta. Estava saindo escondido de sua mãe, a Grande Rainha Serenity.
Sua mãe sempre queria ensina-la a como governar, porém, ela sempre fugia dessas lições pois não concordava com as atitudes dela.
Andou pelos corredores cumprimentando todos os empregados, e os mesmo respondiam sorridente.
O povo era revoltado com sua rainha, sempre que a viam passando entre os fortes que rodeavam o castelo, jogavam frutas, legumes, ou qualquer outro alimento pobre, representando todos os seus sentimentos em relação a ela. Tinham vontade de fazer mais, porém não o faziam em respeito a sua única filha.
A princesa em contrapartida, era respeitada e amada pelo, por onde ela passava ela recebia chuva de flores e sorrisos, todos a queriam por perto, a abraçavam, e faziam qualquer coisa para protege-la ou faze-la feliz.
E uma dessas serventes era Lissa, a dama da princesa, era ela quem ficava mais perto da princesa, uma senhora, que também tinha cuidado da Rainha Serenity quando criança.
Lissa estava junto da Princesa, a intenção dela era sair do castelo para colher flores e ervas medicinais, Serena sempre o fazia, pois produzia remédios e antídotos e disponibilizava para todos sem custo. Serena fazia visitas diárias ao povoado que ficava perto do castelo, visitava os doentes, curava os que conseguia, e aos que partiam para o outro mundo, orava para que a passagem fosse tranquila e pelo conforto da família.
— Serena por favor tente voltar antes da hora do jantar – recomendou Lissa, preocupada, quando entravam nos estábulos — sua mãe ficará furiosa se souber que você saiu novamente.
— Eu já estou! Serena em nome da Lua e da nossa família, pare de sair para colher mato! Você tem prioridades como futura governante! – raiou Serenity, que tinha imaginado onde sua filha estaria.
— Sinto muito mãe, mas a minha prioridade continua sendo o meu povo. Se serei rainha algum dia devo conhecer as pessoas que vou proteger – falou Serena, montando em Pegasus, seu cavalo branco.
— Deixe de besteira criança. Quando você se tornar rainha vai ver que existem outras prioridades – falou a rainha fitando sua filha seriamente.
— Então eu prefiro não me tornar rainha! – falou Serena, saindo com seu cavalo rapidamente.
Serenity suspirou rapidamente, e com um olhar que foi direcionado a dama de sua filha, a mesma entendeu que era para sumir dali.
“Sua tirania está por acabar, vou proteger a doçura de Serena” pensou Lissa indo para a cozinha.
Serena cavalgava para a floresta, era bem afastada do castelo, suspirou pesadamente. As brigas entre ela e sua mãe só pioravam, os conceitos das duas de como governar eram completamente diferentes.
Mas apesar de tudo... ainda amava sua mãe, e ainda tinha esperanças de conviver em paz com ela.
“Bem, vou dar tempo ao tempo” pensava a princesa, descendo de cavalo e tirando suas rédeas, Pegasus lhe era fiel, então não tinha problemas. Pegou sua cesta e adentrou a floresta tão conhecida por ela, e deixou que a vida que a cercava acalmasse seu coração.
Os soldados de Elysion e as Guardiãs, estavam a postos, estavam prontos para tomar o poder. Por meio de seus contatos, ficaram sabendo de todas as passagens secretas.
Quem comandava os exércitos era o Príncipe de Elysion, Endymion, o mesmo era o herdeiro do trono, e por conta das atrocidades que as Rainhas Lunares cometeram, fora o apoio que os Elysianos tinham do povo do Reino Lunar, e da corte do mesmo.
O exército estava espalhado, ao redor do perímetro, e alguns estavam infiltrados dentro do povoado e alguns no próprio exército Lunar.
Endymion soltou seu falcão com uma mensagem para começarem o ataque, queria que fosse o mais rápido possivel e que se possivel não morresse ninguém.
O falcão voou velozmente, a mando de seu dono, e chegou em poucos minutos chegou ao seu destino, que pegou a mensagem da perna da ave, e assentiu para os companheiros que esperavam suas ordens.
E então o terror começou...
Os exércitos Elysianos atacaram de todos os lados de forma rápida.
A Rainha Serenity, corria apresada pelos corredores querendo achar alguém para esconder sua filha, porém foi presa pelos homens de sua corte, que ela julgava ser de confiança e lhe tiraram o seu cetro e a levaram a força a frente do Rei Maximum e da Rainha Melanie que sorriram abertamente ao conseguirem invadir o palácio.
Estavam no salão principal, luxo era a palavra que podia definir muito bem o lugar, grandes pilares de ouro mantinham o teto todo pinta de pé. Viram seu único filho vindo em direção a eles, estavam satisfeitos com o trabalho do filho.
— Fez um bom trabalho filho! O Reino da Lua é nosso! – falou Maximum, batendo no ombro de seu filho.
— Obrigado, fico feliz em ver que atendi as expectativas de voces. Mas o que faremos com a Rainha e a Princesa? – perguntou ele, um tanto receoso.
— Vamos julga-las é claro! Mandaremos as duas para a prisão! E se seus crimes forem grandes, então serão enforcadas em praça publica – fitou seu pai.
— E olha só quem os soldados trazem! A tão famosa Rainha Serenity! – falou Melanie, debochada.
Serenity que sempre andava com elegância e calma, agora era trazida aos puxões, nada gentis, dos soldados, sendo vigiada de perto pelas Guardiãs que outrora protegeram a Família Real.
— Acho que não vai mais precisar disso não é, alteza? – falou Melanie sarcástica, retirando a coroa da mulher a sua frente.
— Agora eu serei o Rei do seu reino, então como seu superior, quero saber onde está sua filha – ordenou o Rei Maximum.
— Vá par ao inferno! – raiou Serenity, jamais falaria de sua filha.
O Rei ficou possesso com tal resposta e afronta, e deu uma bofetada na albina, que saiu um filete de sangue de sua boca.
— Isso é para você aprender a não me desrespeitar sua vadia! – gritou Rei Maximum.
— Pai, não a necessidade disso! É obvio que ela jamais falaria onde está a filha dela – intercedeu Endymion, não gostava de violência, principalmente contra mulheres, crianças e idosos.
— Ela tem que aprender o lugar dela! – raiou o Rei – Vasculhem todos os quantos desse reino! Quero a princesa aqui! E levem essa vagabunda para a cela!
Em prontidão suas ordens foram ouvidas, e mais do que depressa um esquadrão foi mandado para caçar a princesa.
— Agora que tomamos o reino, poderemos fazer os preparativos para seu casamento com a filha do Conde Megaron, sua noiva Beryl deve estar ansiosa para se casarem – falou a Rainha Melanie.
Endymion apenas assentiu, não estava nem um pouco animado para aquele casamento.
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Ao longe dali...
Serena passou o dia colhendo ervas e flores, e viu a agitação das aves e dos outros animais, e soube que alguma coisa estava errada, foi quando andou para fora da floresta e soldados cercando o castelo e o forte. Serena ficou agoniada, e chamou seu cavalo, o montou e galopou rapidamente para o mais próximo que podia. Estava preocupada com sua mãe e temia pela vida de todos, sabia que algum dia seu reino seria tomado, pelas atitudes das rainhas anteriores era inevitável.
Galopou até o povoado, quando foi parada por soldados que percebeu ser de Elysion, desmontou de Pégaso, o mesmo galopou para longe dali, não deixaria que ninguém mais o montasse.
A princesa não ofereceu resistência, e os guardas a levaram para o grande salão, onde os reis de Elysion, o príncipe, as Guardiãs, e os conselheiros Luna e Artêmis, que em tempos antigos foram os conselheiros da Família da Luna, mas se rebelaram junto das guerreiras.
— Ora mas se não é a princesinha da Lua! – falou Melanie em tom de deboche, vendo a figura toda encapuzada, e com ataduras nas mãos – Dizem que as mulheres de sua família são belas, mas acho que isso não se atribui a você.
— ESPEREM!! NÃO FAÇAM NADA COM ELA! A PRINCESA É INOCENTE!!! – gritou Lessa, chegando ao recinto.
— Se ela for realmente inocente como diz, então precisa temer pela vida dela – retorquiu Maximum.
— Isso mesmo, o que vale para um, vale para todos – falou Conde Megaron, chegando com sua esposa, a Condessa Myra, com seus filhos: Beryl e Seiya.
— Não precisam joga-la na prisão! Eu me responsabilizo por ela! – falava a senhora desesperada, abraçando sua princesa.
— Lessa, não se preocupe, ficarei bem – falou Serena docemente, acariciando a face daquela que foi mais que uma mãe.
— Está vendo só, até a princesinha concorda comigo! Vou deixa-la na cela ao lado de sua mãe! Agora levem-na daqui! – falou o rei.
Serena mostrando humildade, se curvou perante aos reis, e saiu andando em direção a prisão, nenhum dos guardas precisou encostar o dedo nela.
Enquanto todos se vangloriavam da vitória, Endymion ficava pensando na doce voz da princesa e se perguntando o porquê de ela andar toda encapuzada. Mas sabia que não poderia ficar preso a esses pensamentos por muito tempo, pois tinha um reino a concertar.
Serena ia descendo as escadas, até onde ficavam as celas, e como lhe foi dito, estava na cela ao lado de sua mãe, se deitou na cama precária e malcheirosa, e pensou e mais que tudo desejou que seu povo fosse feliz agora comum novo governo, e que pelo menos sua mãe ficasse viva, para poder ver o brilho da vida novamente.
