Lucy
Lucy
Chapter 215 min read

Capitulo 2

Assim que entro, paro ali mesmo na porta e começo a chorar, não pelo Kevin, mas sim pela Melani, como ela pode fazer isso comigo? Não conseguia acreditar que aquilo era verdade. Ignorei um pouco meus pensamentos, percebi que minha mãe não havia chegado, pois ainda era cedo, acabei que destruí a minha noite e nem ao menos curtir a festa. Tirei meus sapatos, coloquei eles em um lado da sala e ia subindo as escadas, quando um barulho batendo na porta me fez parar e atender, dando de cara com o Trevor.
"O que está fazendo?" Eu disse devido ao fato de que ele estava segurando uma garrafa de vodka.
"Bom, como eu vi sua noite se tornar a pior da sua vida, decidi ajudar. Tinha uma garrafa dessas no meu carro, que era para contribuir com a festa da turma, mas acabei esquecendo de entregar, então eu a vi e achei que seria legal fazer isso" Ele diz estendendo a garrafa para mim.
"E o que quer que eu faça?" Pergunto confusa.
"Quero que me deixe entrar e divida essa garrafa comigo, para podermos terminar o que começamos beber a pouco tempo. E claro, acabar com a angústia" Ele diz sorridente. Penso bem, não tinha ninguém em casa, minha mãe provavelmente só voltará bem tarde e preciso desabafar com alguém, eu não conheço muito bem esse Trevor, mas é a única opção agora.
"Bem, pode entrar, mas é por pouco tempo, ok?" Digo limitando.
"Sim senhora" Ele diz e eu deixo a passagem para ele entrar e ele o faz.
"Não vamos beber pura ne Hall" Ele diz.
"Oh, claro que não, tenho que está aparente quando minha mãe chegar" Eu digo e vou até a cozinha e pego duas latas de refrigerante que tinha ali, era comum sempre ter. "Aqui está" Digo estendendo a lata para o garoto na minha frente.
"Muito bem, vamos abrir essa maravilha" Ele diz, abre a vodka e me prepara o drink.
"Está muito bom, na medida certa" Comento.
"Sim, muito bom" Ele confirma.
"Então..." Digo sem assunto.
"Quer falar sobre o que aconteceu?" Ele pergunta me fazendo lembrar das vezes que desabafava com a Mel, o que me deixa pior.
"Não sei, me magoou muito ela ter feito isso, eu não poderia imaginar isso vindo da Melani, de outras garotas, óbvio, mas dela não" Digo desapontada.
"Vou te falar uma coisa, o Kevin não é o cara mais fiel do mundo, ele te traía muito, escutava essas conversas alheias no vestiário e nas reuniões do time, então só digo para você ter paciência e conversar com a sua amiga antes de tirar qualquer conclusão" Ele diz sério.
"Eu vejo isso depois, agora só quero tomar isso porque está muito bom, e vou chorar se falar disso" Eu digo.
"Sem problemas" Ele responde.
"An, gosta de filmes? Séries?" Eu pergunto.
"Star Wars" Ele diz e seus olhos brilham ao dizer.
"Oh, conheço, mas nunca vi" Eu digo.
"Você tem que ver, é uma explosão de perfeição" Ele diz surpreso por eu nunca ter visto.
"Bom, poderíamos ver, mas não tenho eles aqui" Eu digo.
"Tenho um dos filmes no meu carro, levei para casa do Daniel e esqueci de guardar em casa" Ele diz.
"Esse seu carro é o que? Um porta malas gigantes que guarda de vodkas à filmes?" Eu pergunto.
"Exatamente, esse carro é a minha vida" Ele diz orgulhoso.
"Ok" Digo e dou uma risada.
"Vou lá buscar" Ele diz, levanta e antes de chegar até a porta ele se vira.
"Ah, um detalhe, não é um carro, é o meu jipe" Ele diz, da uma piscada para mim e sai. Patético. Depois de um tempo, ele volta com o filme nas mãos e o coloca no DVD e senta no sofá novamente. Não estamos perto, praticamente cada um está em uma ponta do sofá.
"Estou até arrepiando" Digo sarcástica e faço uma cara de ironia.
"Ah, sarcasmo é a minha praia, então não nada nela" Ele diz ainda olhando para o filme. Eu dou uma risada novamente e decido prestar atenção no filme. Depois de uns 30 minutos de filme, eu peguei a vodka que estava na mesinha de centro e coloquei mais uma rodada para os dois. Tomamos e terminamos o filme.
"Fantástico, não me canso de ver, o que achou?" Ele pergunta entusiasmado.
"Legalzinho" Eu digo.
"Você é estranha" Ele diz.
"Você é bem mais" Eu digo arqueando uma sobrancelha.
"O que faremos agora?" Ele diz e se ajeita no sofá.
"Vamos fazer um jogo" Eu digo lembrando do jogo que aprendi numa festa com os amigos no 1° ano.
"Ok, como é?" Ele pergunta.
"Chama vira vira" Eu respondo e dou um sorriso.
"Especifique" Ele diz.
"Bom, é simples, quem virar mais copos em 1 minuto ganha" Eu especifico.
"Você não vai ganhar" Ele diz com cara de vitorioso.
"É o que vamos ver" Eu digo.
"Espera, sua mãe não vai achar ruim?" Ele pergunta.
"Se achar, já vai ter acontecido, agora anda, me ajuda a por nos copos lá na cozinha" Eu digo e puxo ele. Chegando lá pegamos vários copos e colocamos medidas iguais em cada um.
"Coloquei o cronômetro, um minuto" Ele diz.
"1,2,3 valendo" Eu aciono a partida e dou play no cronômetro. Minha cabeça já doía, minha garganta juntamente com o meu estômago queimavam, eu bebi todos os meus copos, mas ele não.
"Acabou, ganhei" Digo tonta.
"Eu não consegui, meu estômago é fraco" Ele diz decepcionado.
"Deixo você ganhar na próxima" Eu pisco e sento no sofá.
"Você bebeu 5 copos de dose de vodka puro sozinha, logo mais vai estar bêbada" Ele diz e eu começo a rir.
"Minha cabeça dói" Eu digo e viro a própria para trás.
"Fica ai um pouco" Ele diz.
"Ta bom, coloca uma música" Eu peço.
"Ok" Ele diz e vai até o som e usa o pen drive que fica dentro de um potinho ali no móvel. Colocou uma música bem agitada .
"Gostei" Digo mechendo meu corpo no ritmo da música. Ele sentou, pegou seu celular e mecheu nele e olhou para o tempo, fez isso uns 20 minutos, tempo suficiente para o efeito do álcool fazer mais que efeito em mim.
"Trevor?" Eu pergunto.
"O que?" Ele responde.
"Solta o celular e venha aqui" Eu disse o chamando com um gesto com o dedo. Não demorou um segundo e ele já estava bem perto de mim.
"O que foi?" Ele pergunta.
"Você me acha burra?" Eu pergunto.
"Eu sempre soube o quanto você é inteligente, te observei tanto tempo que sei cada pinta existente no seu rosto" Ele diz e põe o meu cabelo atrás da orelha.
"Me beija" Eu digo, não sabendo exatamente o que estava fazendo, eu disse.
"Como é?" Ele pergunta.
"Horas, me beije" Eu repito e ele chega seu rosto perto do meu, minha respiração vira de calma para ofegante, juntamente com a dele. Trevor não parecia forte fisicamente, mas quando apertou a minha cintura zerei todas as minhas conclusões sobre ele. Com a outra mão, segurou meu pescoço e uniu nossos lábios em um beijo calmo, mas ainda era bom. Não queria parar nunca, seus lábios são quentes e macios. Eu me fui me deitando em cima dele, mas ele parou o beijo.
"O que foi?" Eu pergunto.
"Olha Lucy, você está bêbada, não sabe o que está fazendo, então não farei nada com você, sei que amanhã irá se arrepender" Ele diz e senta um pouco mais longe.
"Ah, claro, nem sei onde eu estava com a cabeça" Eu digo e eu chego mais perto dele e coloco a minha cabeça em seu ombro, ele põe as suas mãos na em volta de mim e eu coloco os pés em cima do sofá.
"Descanse, está em uma situação horrível" Ele diz.
"Tudo bem" Digo, seguro o seu rosto e dou um selinho em seus lábios e durmo. Sei que estou movida a álcool, que em meu estado de boa consciência eu nunca beijaria um geek como ele e que amanhã vai ser um longo dia, mas ele era um cara legal, mas não posso me apaixonar por ele, é contra as regras da minha vida social. O tempo passou, acordei às 3:30 da manhã, eu e o Trevor estávamos ainda colados um no outro mas com um cobertor sobre nós, acho que foi a minha mãe, estava com uma ânsia enorme de vômito, então corri para o banheiro e vomitei, ninguém escutou, então lavei minha boca, fui para a cozinha, tomei um remédio em gotas para dor de cabeça, pois a mesma estava explodindo de dor, acho que bebi muito na noite passada. Voltei para a sala, tinha a opção de subi para o meu quarto, ou dormi ali com o Trevor, decidi deitar no sofá com ele, o seu abraço é confortante, estava bem aconchegante e nenhum menino fizera aquilo comigo antes, não havia malicia no seu gesto, e isso era bom, então peguei o braço dele, levantei com cuidado para ele não acordar e coloquei em minha volta, aconcheguei no seu peitoral e voltei a dormi como se não tivesse me levantado dali... Minha mãe desceu as escadas e nos acordou, fazendo cada um de nós se afastar sem jeito, por ver que ainda estávamos abraçados.
"Bom dia, casal" Minha mãe disse.
"Não somos um casal, mãe" Eu respondo.
"É senhora Hall, nada de casal aqui" Ele diz.
"Ta bom" Ela diz e da uma risadinha.
"São 6:30 da manhã mãe" Eu digo e afundo minha cabeça nas almofadas do sofá.
"Sim, mas está na hora da escola" Ela avisa.
"Filho, você tem que ir para a escola, então pegue seu carro e vá para casa se arrumar" O pai do Trevor grita lá da cozinha.
"Ok" o Trevor responde.
"Vou ajudar o seu pai na cozinha, pode vim quando quiser, querido" A minha mãe diz e vai para a cozinha nos deixando sozinhos na sala.
"Então, se arrependeu da noite anterior?" Ele pergunta.
"De beber? Não, foi muito bom" Eu digo.
"Se lembra de tudo?" Ele pergunta curioso.
"Sim, nós assistimos um filme, depois escutamos música e bebemos e acabamos dormindo no sofá, foi isso, não foi?" Eu pergunto falando o que eu lembro.
"E claro, foi apenas isso" Ele diz forçando um sorriso.
"Então, olha, não foi pq você veio aqui na minha casa, me trouxe bebida..." Fui interrompida por ele.
"Eu já sei, não somos amigos, você não me conhece, e por mais que você tente, nunca vai se desfazer dessa sua imagem ridícula de burra mimada" Ele diz e sai da sala. Eu não tive forças nem para respondê-lo. Guardei toda a minha raiva naquele momento e subi para o meu quarto. Tomei um banho, coloquei pijamas e deitei na minha cama. Decidi que não iria para a escola, apenas iria descansar e esquecer tudo. Acordo cinco horas depois, minha cabeça já não doía tanto, minha cara estava péssima, mas eu não ia ver ninguém hoje mesmo. Desci as escadas e vi a minha mãe conversando na cozinha, mas não era uma voz masculina do Sheriff Smith, era uma garota, eu conheço essa voz, é a voz da Melani!
"O que você está fazendo aqui?" Pergunto entrando na cozinha.
"Lucy, eu tenho que conversar com você" Ela disse e a minha mãe sai da cozinha.
"Vou deixar vocês sozinhas" Minha mãe disse.
"Você tem cinco minutos" digo e me sento na cadeira da mesa de vidro da cozinha.
"Olha Hall, eu não queria que aquilo parecesse o que pareceu, eu estava mesmo indo fazer xixi, ai eu vi o Kevin com uma garota do time de animadoras do time, então eu comecei a xingar ele e ele me segurou pelo braço me apertou e disse que se eu contasse para você, ele terminaria com você, o que eu sei que é muito importante para ti. Quando ele escutou passos seus chegando, ele me abraçou para a culpa ser minha também e fazer parecer que estávamos te traindo, o que não é verdade" Ela diz e inspira e solta o ar.
"Como pode me comprovar que isso é verdade?" Eu pergunto.
"Tirei uma foto de longe, ainda quando os dois estavam se beijando e só depois eu comecei a falar" Ela disse e pegou o celular do bolso, entrou na galeria e me mostrou a foto. Por mais que o meu amor pelo Kevin seja de 10%, aquilo partia o meu coração, ser traída é uma sensação horrível.
"Nossa" Foi a única coisa que consegui dizer. Ela me abraçou logo em seguida.
"Oh amiga, olha para mim sua biscate, quem é a rainha desse mundo, que acaba com as inimigas? Você! Então tira essa sua cara triste e vamos conversar" Ela disse me animando como sempre fazia.
"Me desculpa meu projeto de bitch" Eu falo.
"Bom vamos para o seu quarto, tenho umas coisas para te falar" Ela diz animada.
"Ta bom, eu também tenho" Eu respondo me referindo ao Trevor. Subimos as escadas, nos sentamos na cama como fazíamos desde que nos conhecemos e ela contou primeiro.
"Depois que você foi embora, não tinha com quem eu ir, então aquele gatinho amigo do tal Trevor, me ofereceu carona, a gente conversou bastante e quando chegamos na porta da minha casa ele conheceu mus pais e foi muito educado, me elogiou e tudo, e depois nos beijamos" Ela diz sorridente ao lembrar da cena.
"O que? Mas já? Tão rápida você, Mel" digo e rio da cara dela.
"Nenhum menino se apresentou para os meus pais, e ele é tão fofo comigo, não é só sexo, ele quer me conhecer e isso é incrível" Ela diz.
"Isso me lembrou o Trevor, ele dormiu aqui em casa ontem" Eu digo.
"O que? Ele dormiu aqui? E depois eu sou a rápida ne Lucy" Ela diz boquiaberta.
"Não aconteceu nada, por isso disse que se parece com o Daniel" Eu digo me lembrando vagamente dos acontecidos da noite passada.
"Você gosta dele" Ela diz.
"Não gosto não" Eu digo e sinto meu rosto se corar por completo.
"Está vermelha, você gosta dele" Ela fala em meio a risadas.
"Você é patética, sabe que não posso namorar um cara como ele" Eu digo revirando os olhos.
"Ele é bonito, não vejo problema" Ela diz.
"Ta bom" Digo e logo me lembro de que na noite passada...
"Ai meu Deus eu beijei ele" Eu digo com a mão na boca.
"O que?" Ela pergunta. Eu levanto da cama e respondo.
"Eu Lucy Hall beijei Trevor Smith duas vezes" Digo.
"Não vejo problema" Ela diz.
"Foi por isso que ele saiu chateado hoje de manhã, eu não me lembrava" Eu digo.
"Pretende conversar com ele sobre isso?" Ela pergunta.
"Não, não quero que ele saiba, vamos deixar assim" Eu respondo.
"Tudo bem, olha, eu tenho que ir agora, matei 2 horários para vim aqui e agora a tarde treino para mim, então eu vou indo" Ela diz, me da um abraço e sai. Deito na cama e fico repassando a cena do meu beijo com o Trevor na minha cabeça inúmeras vezes, como se o disco estivesse aranhado e não mudasse de cena. Minha barriga se tornou um abrigo de borboletas. Alguém bateu na minha porta. Eu atendi e achei que poderia ser a Mel, então gritei lá da cama mesmo.
"Entra Mel" Eu disse. Mas ela não abriu. Levantei, fui até a porta falando...
"Melani, quando te mandar entrar, e para você entrar" Termino de dizer e vejo a figura do Trevor em vez da Mel.
"Bom, eu acho que não sou nenhuma Melani, os meus mamilos são pequenos de mais para isso" Ele fez outro comentário sarcástico.
"Ah, é você, o que quer aqui?" Eu pergunto.
"Vim buscar o meu DVD que esqueci aqui e decidi passar aqui para me desculpar pelo o que eu falei" Ele diz.
"Toda vez que você falar uma coisa ruim para mim vai vim aqui pedir desculpas e pronto?" Eu pergunto.
"Eu não pretendo mas falar coisas ruins com você" Ele diz e olha no fundo dos meus olhos, se possível poderia ver até a minha alma.
"Tudo bem, eu te desculpo, mas agora você tem que ir" Eu digo.
"Eu já vou" Ele vai até as escadas e eu fecho a porta. Escuto outra batida na porta e abro ela.
"Ei Lucy, deixa eu te contar um segredo, fica incrivelmente atraente com esse pijama" Ele sorri torto. Já me disse isso antes, nos encontrar e eu estar de pijama estava virando rotina.
"Patético" Digo, ele pisca para mim e fecho a minha porta outra vez. Encosto na porta e fico sorrindo por alguns segundos até voltar a realidade.

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