Fallen Angel
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Chapter 27 min read

A garota nova

Bill encarava a prova de química, malditos termos que faziam sua mente embaralhar-se mais ainda, ele observava o gêmeo na classe ao lado, respondendo às questões facilmente, Bill se perguntava como o irmão estaria respondendo à tudo, com tanta calma e convicção, até que Tom abre um sorriso vitorioso, e faz sinal para que ele e Bill trocassem as provas.

Bill obedece ao gêmeo, e assim que o professor vira-se de costas, os dois rapidamente trocam as folhas, o mais novo checa toda a prova, e percebe que Tom tentou ao máximo fazer a letra exatamente igual à sua, se não fossem por algumas letras "o" que eram quase deitadas e o "T" que mais parecia uma ponte do que uma letra.

Tom sorri e começa a preencher a folha em branco, que o irmão havia lhe entregado, agora restava apenas colocar o nome no alto da folha, que o mais velho havia feito questão de deixar em branco, para que o mais novo preenchesse com o seu.


***

– Então é isso? Esse garoto não é tão inocente e desprotegido. – Olhos maldosos observavam Bill do fundo da sala, tão fixos nele, que mal se concentrava em fazer a tal prova, nem precisaria, era só questão de entrar na mente do professor e conseguir que este lhe acrescentasse os pontos necessários no final do ano.

Ainda no fundo da sala, mas do lado oposto, dois pares de olhos se chocavam apreensivos e incomodados com a estranha presença que emanava à volta dos gêmeos, que se preocupavam em apenas parecer estar revisando as respostas na folha.

A prova terminou e todos entregaram suas folhas, para depois sair e ir para o intervalo.


***

– Ah Tom, obrigado! Estava pior do que cego em tiroteio. – Bill deu dois tapinhas nas costas do irmão, e juntos foram até o refeitório.

Compraram um pedaço de pizza para cada um e sentaram-se perto da porta de saída, trataram de acabar com a fome que as aulas chatas de matemática, física e química haviam lhes trazido.

– Tom, onde conseguiu as respostas? – Bill colocava o último pedaço de pizza na boca enquanto esfregava as mãos para limpar os farelos, esperando uma resposta convincente do irmão, afinal não obtiveram tanto sucesso, colando nas últimas provas, graças às fontes nada confiáveis de Tom.

– Ah Bill, confia em mim, foi uma garota, ela disse que eu podia confiar. – Bill olhou desconfiado e apreensivo para o irmão, que estava despreocupado deliciando-se com sua pizza.

– Oi, como estão? – Bill sorriu ao ver um loiro sentar-se ao seu lado, ajeitando os cabelos bagunçados devido ao boné.

– Gustav, melhorou do resfriado, que bom! – Tom quase berrou, de boca ainda cheia, olhando em volta, procurando pelo outro amigo, que estava sempre na companhia do mais baixo.

– Estranho né, ficar resfriado em pleno verão. – Gustav ironizou o próprio azar, e logo fitou uma garota que passava atrás de Tom, olhando para Bill, distraído em seu desenho, algo que lhe aparentava ser um anjo, ou alguma coisa alada, ele observou o desenho com mais calma, chegando à conclusão de que aquilo era um anjo.

– Legal, onde viu? – Gustav tomou o caderno de desenhos do mais magro, e analisou cada detalhe da figura, virando-a de cabeça para baixo, para deixar Bill com aquele olhar cômico que ele sempre fazia, arqueando uma das sobrancelhas e passando a língua pelos lábios.

– Não precisa me seduzir Bill, já sou seu. – A risada atrás de Gustav se mostrou matreira, sem dúvida era Georg, o típico brincalhão do grupo.

– Oi Georg, pelo visto o Gustav não foi o único a melhorar. – Tom levantou-se do banco onde estava e fitou ao redor, com aquele típico olhar malícioso e descontraído que apenas ele sabia fazer.

– Pois é, devo ter pegado um resfriado do Gustav, esse perebento. – Georg riu e recebeu uma olhada fria e brava de Gustav, que ameaçou dar-lhe um soco, mas tudo que fez foi apenas dar um tapa na barriga do amigo, que colocou as mãos no local.

Bill pegou o caderno de desenhos que estava no colo de Gustav e o guardou na mochila, junto com o dinheiro da pizza que havia sobrado.

– Vocês querem vir na minha casa hoje? Minha vizinha gostosa voltou de viagem. – Georg mostrou seu semblante mais safado, Tom logo abriu um sorriso pervertido, lembrando da tal vizinha do amigo, Gustav riu da cara que os dois faziam, mas logo em seguida já era possível notar aquele olhar malícioso no rosto aparentemente inocente do loiro.

– Sinceramente, vocês não têm mais o que fazer?! – Bill pendurou a mochila no ombro direito e saiu de perto do grupo, indo até o laboratório, onde teria a quarta aula.

– O que foi com ele? – Georg perguntou, deixando uma ruga de dúvida aparecer em seu rosto, mas nem Tom sabia o que dizer, então apenas deu de ombros e foi atrás do mais novo.

– Bill, me espera. – Tom puxou o irmão pelo ombro e assim que este se virou, pode notar os olhos castanhos prestes a transbordar, sem nenhum motivo aparente.

– Mas, o que houve? Você estava bem agora há pouco. – Tom olhava preocupado para o menor à sua frente, esperando por uma resposta convincente do irmão.

– Só quero ficar um pouco sozinho, por favor. – Tom aspirou o ar violentamente, estufando o peito e logo em seguida o soltou com força, passou a ponta dos dedos por sobre o rosto e olhou para o irmão, tímido o observando.

– Tá bom, vai matar a aula? – Bill balançou a cabeça negativamente e tentou sorrir para o irmão.

– Ok, depois da aula vamos no mercado e mais tarde quero ir ao cinema, vai vir comigo? – Bill sorriu para o irmão, dessa vez sem muito esforço, ele gostava da companhia do de dreads, e há dias que já vinha pedindo ao mais velho que fosse com ele ao cinema.

– Tá, agora vai pra aula, eu vou lá incomodar os gês. – Tom virou as costas e voltou para perto dos outros dois, enquanto Bill ficou parado, o observando se afastar, quando foi virar-se para seguir até o laboratório sentiu alguma coisa empurrá-lo para trás caindo de costas no chão e alguém à sua frente também havia caído, Bill levantou-se, passando as mãos pelas costas devido à dor e olhou na direção do ser com quem havia se chocado, uma garota nova, que ele nunca havia visto na escola, ou pelo menos nunca notara sua presença.

Ela tinha cabelos curtos e escuros como o breu, uma maquiagem preta delineava o par de olhos castanhos da garota.

– Desculpa, foi sem querer. – Bill ajudou a garota a levantar e recolheu os livros dos dois que estavam atirados pelo chão.

A garota sorria para ele, ajudando-o a arrumar as mochilas que estavam ao lado dos livros.

– Tudo bem, eu que não estava prestando atenção. – Bill entregou os livros da jovem e verificou se não haviam esquecido nada pelo chão.

– Vai para o laboratório agora? – A garota perguntou, arrumando a bolsa nas costas e verificando os livros que Bill carregava.

– Sim. – Bill ajeitou a mochila e reorganizou os livros em suas mãos, deixando o maior embaixo.

– Podemos ir juntos? – A garota apontou para o corredor que levava até o laboratório e Bill balançou a cabeça positivamente, seguindo a garota até o laboratório.

Por alguma razão aquela garota o havia feito esquecer o motivo das lágrimas que se preparavam para cair de seus olhos, nada como uma pequena distração e uma breve conversa com alguém interessante, para você esquecer algumas dores, nem que seja por alguns minutos.

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