Capitulo 5 –
Amanda andava rápido demais para que Severus a acompanhasse. O outro, desajeitado que era, quase tropeçava no ar, nervoso com a súbita ira da garota.
— Pare de me perseguir, Severus! E não fale comigo agora!
— Mas Amanda! O que foi que eu fiz! Mulheres...
Diante do comentário machista, ela se voltou para encará-lo. Era noite, não havia ninguém por lá, mais um vasto e provavelmente desconhecido corredor do castelo...
— Você é inacreditável! Snape! Sinto como se não o conhecesse!
Snape a olhou, intrigado.
— Mas é claro! Isso é porque você não me conhece!
Ele parecia estar confirmando o óbvio. Amanda não via alternativa. Tirou o casaco, abriu a camisa já de botões defeituosos (graças a ele, de qualquer forma...) e mostrou-lhe o colar... O perfeito colar, uma joia tão fina, de uma corrente parecendo do mais puro ouro, mas ainda mais fino, não dava para saber bem do que era feita... E o pingente era uma pequena ampulheta dourada.
— O que é isso? – ele parecia genuinamente curioso.
— Isso, meu amigo, é um Vira-Tempo.
Snape nunca vira um "Vira-Tempo", mas era um aluno aplicado, daqueles que ele odiava, não necessariamente como a Hermione, pois só não gostava de se mostrar, mas sabia, sim. E deu um passo para trás, com o susto.
— Como você conseguiu isso?! Você quebrou praticamente todas as Leis! Você cometeu um... crime! Vários crimes!
— Incrível logo você ter o desplante de me falar de crime! Aquela gentinha fede a quilômetros de distância! E não me venha com esse olhar de espanto! Como pode andar com eles?!
— São meus amigos!
— Amigos?! Francamente, Snape... Eu acho que me enganei! E isso já não importa mais, vou falar com Dumbledore! Já devia ter feito isso desde o começo, e é isso o que vou fazer agora mesmo!
— NÃO! – Snape a agarrou, em pânico. – Não! Eles nos matam! Eles matam a gente, Amanda!
Ela olhou para o seu... Mestre de Poções e agora ele parecia realmente... um garoto de quinze anos, indefeso e assustado... Implorando.
— Ora, achei que fossem seus amigos!
— Você não entende. O Lorde das Trevas não tem amigos. Não é assim que funciona. A gente escolhe de que lado está, e pronto.
Amanda empurrou Snape bruscamente e disse:
— Eu já escolhi meu lado. Está na hora de mudar o seu!
— Amanda, está cometendo um erro! Não sabe no que se meteu e Dumbledore é um só! Se isso virar um guerra—
— Dumbledore é o único que pode controlar o resultado dessa situação se tudo der em merda!
A última palavra pareceu ecoar pelos corredores, tamanho o espanto de Amanda ao proferi-la, inclusive na sagrada presença de... Severus Snape. Ele jamais permitiria que um aluno falasse assim com ele... E agora só ficava lá, a fitá-la, com cara de pateta.
Era de matar de rir... E por isso, ela deu um sorrisinho, completamente fora de hora.
— Não conta pro Dumbledore... Por favor...
Amanda suspirou. Que pedido mais... imbecil. E ela ainda por cima, obedeceria... Bem-feito se tudo desse errado no final, como deveria!
— Amanda... – ele seguiu, perguntando – Se você vem do futuro... Espera aí... Você me chamava de "Professor Snape"! Por quê?!
— Aparentemente, Snape, você não era muito inteligente há alguns anos, né? – ela disse, passando a mão na cabeça dele num gesto para ridicularizá-lo, como se ele fosse uma criancinha.
— Eu sou professor de quê, nesse Futuro?! De que ano você vem?!
— Eu vim de 1996... Peraí... Em que ano estamos, só pra confirmar? É uma boa pergunta! Em que ano estamos, Snape? Qual o mês?
— Junho de 1975. Eu era professor de Defesa contra as Artes das Trevas...? – ele parecia sonhar.
— Caramba... Como eu vou me ajeitar por aqui? Sequer faço parte do calendário! Onde vou arrumar roupas? Não podem saber dessa história de jeito nenhum!
— Acho que tenho uma ideia... Não sei se vai dar certo, mas vou tentar... Espere-me no Salão Principal em meia hora. Seja bem discreta.
Demorou mais de quarenta minutos, mas Snape apareceu carregando uma mala relativamente grande em direção a Amanda.
— O que é isso?
— Roupas. – ele respondeu, satisfeitíssimo consigo mesmo. – Narcissa Black Malfoy. Ela adora fazer uma caridade... Contei uma história qualquer e ela não se negou em doar coisas das quais ela não precisava mais. Não se preocupe, ela com certeza ainda tem mais alguma. Bellatrix é que ficou desconfiada, mas ainda bem que não fez nenhuma pergunta.
— Obrigada... – ela agradeceu, pegando a mala.
— Não vai carregá-la, não é? Vai usar magia, com certeza!
— Achei que não pudéssemos usar magia nos corredores.
Snape riu, incrédulo.
— Vou me lembrar disso no futuro, pode ter certeza. – disse Amanda.
E ele se foi, com aquele sorriso tão iluminado... Ela queria tê-lo beijado, mas não teve a oportunidade! Que pena...
E ao chegar ao Retrato da Mulher Gorda, lembrou-se de que não tinha ideia da senha!
Só faltava, para completar, a maldita Lily Evans ser a primeira a sair para "ajudá-la".
"Lily... Esse nome..."
Amanda não precisou pensar muito.
"Lily Potter! Seriam a mesma pessoa?! Estaria a mãe de Harry Potter envolvida num triângulo amoroso?!"
Envolvida por pensamentos tão perturbadores, Amanda nem viu a hora em que pegou no sono...
Quando acordou, já estava numa cama. Nem sabia quem a havia colocado lá.

