Mudar de escola nunca era uma tarefa fácil, principalmente quando se mudava para uma gigantesca na qual nunca havia pisado antes. E, talvez por isso, Masuyo estava com um pequeno problema de localização no momento. Mas como se perder não era suficientemente ruim para uma novata, ainda tinha o fato de que o uniforme feminino consistia em uma saia meio curta cinza escuro que Masuyo ainda procurava se adaptar.
Depois de se aventurar na coordenação para pegar seus horários e a lista de clubes, a garota agora se encontrava em meio a algum canto do colégio, completamente perdida. Seu japonês ainda era mais ou menos quebrado, por isso se absteve de pedir informações. Isso e porque era um pouco tímida, mas sempre procurou ignorar essa parte. Até porque tinha passado um bom tempo tentando ler o nome da escola, apenas conseguindo quando uma pequena coruja pousou no primeiro kanji da palavra; Fukurodani. Não queria ter que passar pelo mesmo branco de linguagem ao falar com outra pessoa tão cedo.
O que importava era que deveria se apresentar logo na sala 1-B, antes que as aulas começassem e ela estivesse oficialmente atrasada. O problema era: Como encontrar uma só sala naquela imensidão de escola?
Havia caminhado a esmo durante tanto tempo que agora nem sabia mais exatamente onde estava, apenas que era um pátio e estava lotado de alunos conversando animados e, entre eles, pequenas luzes que só podiam vir de libélulas. Sentindo-se mais sozinha do que nunca e levemente desesperada, virou-se de forma brusca para voltar pelo caminho que achava que tinha vindo, apenas para trombar de uma vez só com outra pessoa. Apenas conseguiu ver uma confusão de cabelos pretos e algo de verde em meio a colisão, ouvindo o som de coisas caindo ao seu redor ao dar alguns passos para trás para não cair junto.
— Ah, desculpa! — Masuyo pediu por puro impulso, abaixando-se para pegar algumas das coisas que tinham caído. Mochila, livros, um caderno...
A outra garota correu atrás de uma bola de vôlei que havia quicado pra longe, voltando também correndo assim que a tinha novamente em mãos.
— Tudo bem. — Sorriu a outra, pegando suas coisas das mãos de Masuyo. — Você também é nova aqui?
— Aham. Sabe onde fica o andar do primeiro ano? Acho que fiquei meio perdida tentando achar — falou, dando-se um tapinha imaginário nas costas por não ter se enrolado em palavra alguma.
— Sei sim. Eu estava no caminho pra lá agora, quer vir junto?
— Se você não se… — Franziu o cenho ao não se lembrar de como dizia “importa” em japonês, soltando um suspiro de desistência ao decidir mudar a frase no meio do caminho. — Sim, eu quero. Aliás, meu nome é Iruka Masuyo, prazer.
— Tsuji Miya. De qual sala você é? — Miya jogou a pergunta, ajeitando a mochila nos ombros ao sair andando com Masuyo em seu encalço, na direção que supunha que era a certa.
— Primeiro ano B. Você? — Masuyo mal teve tempo de completar a pergunta antes de ter Miya olhando em sua direção com um sorriso de orelha a orelha.
— Também! Ai, que alívio. Eu achei que ia ser a que chegaria por último, mas agora que não estou sozinha estou mais calma — começou a tagarelar, e Masuyo agradeceu que as duas eram mais ou menos do mesmo tamanho, porque de repente os passos de Miya começavam a ficar mais rápidos e longos. Culpa do entusiasmo, imaginava.
— Somos duas! Tirando a parte que eu não sabia nem o… que me perdi tentando chegar e você não. Acho que uma de nós está melhor nessa história. — Riu, ajeitando os óculos de grau e tentando ignorar o fato de que esquecia mais uma palavra.
— Ah, que é isso, eu só sei onde é porque pedi informação para umas cinco pessoas diferentes antes de te encontrar. — Miya tentou apaziguar, rindo junto da dificuldade de ambas de se acharem na escola até parar de repente. — Pronto, chegamos.
Por estar apenas acompanhando o caminho que Miya indicava, Masuyo teve que olhar para a pequena placa logo acima da porta da sala para saber do que ela estava falando. O nervosismo do primeiro dia de aula pareceu voltar com toda força ao ver que estava perto de entrar, pela primeira vez, na sala onde passaria boa parte de seu tempo naquele ano. Olhar para Miya pedindo por auxílio não foi uma boa ideia, pois, como já tinha percebido, ela era bem mais extrovertida do que o esperado. Então, quando se deu conta, estava sendo puxada para dentro da sala de aula sem cerimônias.
O ambiente da sala estava acolhedor, para não dizer completamente silencioso. Poucas pessoas pareciam ter encontrado o caminho certo até o momento, e as duas puderam contar apenas mais cinco alunos sentados em suas carteiras além delas.
— Acho que a gente se preocupou demais com isso de chegar tarde — comentou Miya em voz baixa, tentando não atrapalhar o silêncio que reinava na sala.
— Parece até que chegamos cedo. Qual o seu número? — Masuyo perguntou, já começando a andar pela sala atrás da mesa com o número final sete.
— Termina em onze — respondeu ao também começar a buscar seu lugar, notando que não tinha muito bem uma ordem para os números das mesas.
Masuyo encontrou a sua perto da janela, colocando suas coisas sobre a mesa ao mesmo tempo em que Miya fazia o mesmo duas mesas atrás. O som fez com que ambas se olhassem, animadas com a ideia de estarem tão perto, até verem que a carteira entre elas já estava ocupada por um garoto. Este, de cabelos e olhos escuros, havia levantado o olhar do livro que tinha em mãos ao ouvir o barulho que tinham feito ao seu redor, e agora as olhava parecendo cansado.
— Desculpa. — pediu Masuyo, sentando-se com muito cuidado na cadeira para não fazer mais barulho de uma forma meio cômica.
Miya não parecia ter a mesma ideia de deixar o garoto em paz com seu livro, sentando em sua cadeira com um pouco mais de barulho. E, como se não bastasse, empoleirou na mesa para ver por cima do ombro do desconhecido.
— É, a gente não queria te atrapalhar. Que livro é esse? — As coisas que tinha dito não se complementavam, mas Miya não parecia ligar.
— Hm… Harry Potter — respondeu o garoto, parecendo um pouco hesitante em conversar com as duas.
— Ah, eu vi os filmes, nunca li os livros. — Miya claramente não estava notando nada daquilo, mas seu comentário sobre os livros fizeram Masuyo se enfiar no assunto sem perceber.
— Nunca leu os livros? Como assim nunca leu os livros?! — Seu tom de voz parecia tão indignado quanto a expressão do menino com o livro para a afirmação de Miya.
— Nunca tive a oport…
— Mas, Hi-chan! É só uma ajudazinha! — A voz de uma garota, estridente e acabando com a pouca paz que ainda sobrava na sala, cortou qualquer linha de pensamento existente no recinto.
— Hotaru-san, o ano nem começou ainda — respondeu o garoto, Hisashi, que a acompanhava, em voz baixa e abraçado a sua mochila como se quisesse manter certa distância da garota.
— Mas vai começar! E quando começar eu não vou saber inglês direito e vou sofrer na aula, você quer que eu sofra, Hi-chan?! Você quer ser o responsável por minhas notas baixas?! — As duas maria chiquinhas, aos quais os cabelos castanho claros de Hotaru estavam presos, se balançavam loucamente enquanto a menina praticamente pulava ao redor de Hisashi.
— Por favor, não me chame de Hi-chan, a gente acabou de se conhecer. — Seu tom de voz diminuía cada vez mais a cada palavra dita, os cabelos loiros quase tapando seus óculos ao abaixar a cabeça.
— Se eu não te chamar assim você me ensina, Hi… Hisashi-san? — O nome, agora com o honorífico, fora dito com tamanha seriedade que Hisashi parou de se mexer no momento em que estava para sentar em sua mesa. Hotaru acabou vendo isso como uma oportunidade para continuar falando. — Isso é um sim?
— Não é porque eu estou lendo um livro em inglês que eu sou bom nesse idioma.
Era uma tentativa um pouco falha de divergir a atenção dela para outra coisa, e Hisashi tinha quase certeza que não daria certo. Sentou-se em sua cadeira com um leve suspiro, só para ter Hotaru empoleirada em sua mesa logo a sua frente.
— Claro que é! Por que você leria uma coisa que não entende? — Franziu o cenho, tombando a cabeça para o lado, curiosa e um tanto quanto confusa.
— Pra aprender — respondeu Hisashi, com a expressão igualmente confusa.
— Isso não faz sentido , Hi-chan. — Voltou a apoiar os pés no chão ao deixar de quase subir na mesa de Hisashi, virando o rosto para os lados como se buscasse ajuda.
O olhar de Hotaru acabou parando em um grupo de três pessoas que conversava perto da janela, sendo os que estavam mais perto de onde ela estava. Na verdade eles não estavam bem conversando, uma garota parecia tentar se defender de algo enquanto os outros dois a olhavam como se os tivesse traído.
— Ei, vocês! — chamou-os de repente, abrindo a boca para perguntar algo relacionado a conversa anterior quando seus olhos notaram a bola de vôlei abaixo da mesa de um deles. — Você joga vôlei? Vai se inscrever para o time?
E então, como se o seu problema com o inglês não fosse mais importante, a atenção toda de Hotaru estava nos três desconhecidos, e que agora olhavam em sua direção com níveis diferentes de confusão. Miya foi a primeira a sair daquele estado, abrindo um sorriso de orelha a orelha.
— Vou sim! — respondeu, no mesmo instante em que os outros dois apenas assentiam com a cabeça para a pergunta que não dava mesmo para saber a quem tinha sido dirigida.
— Eu também! Tá vendo, Hi-chan? Eu falei que todo mundo adora vôlei, você devia tentar também! — Virou-se rapidamente para Hisashi, mas não deu tempo a que ele respondesse antes de estar falando outra vez. — Eu sou Hotaru, Oshiro Hotaru. Jogo como líbero, e vocês?
— Tsuji Miya, levantadora — apresentou-se, Miya, apoiando ambas as mãos na mesa por ainda estar de pé.
— Iruka Masuyo, ponta. — Masuyo abriu um pequeno sorriso, encostando-se na parede atrás de si.
— Akaashi Keiji, levantador. — Ele demorou um pouco mais a responder, mexendo com os próprios dedos antes de falar alguma coisa.
E então, como se o silêncio anterior da sala tivesse sido apenas um sonho, parecia que aquela pequena apresentação era o que faltava para que de repente todos começassem a falar de uma vez. Miya, assim que ouviu que Keiji também era um levantador, teve seu nível e número de perguntas para o garoto aumentados exponencialmente. Hotaru agora estava sentada na mesa de Hisashi, que tentava virar um com a cadeira por ter muita atenção em sua direção, conversando com Masuyo sobre tipos de recebimento.
A única coisa que foi capaz de parar a confusão de conversas paralelas na sala foi a chegada da professora, que com um pigarreio e o bater de seus livros no pequeno púlpito, chamou a atenção de todos os alunos. Até mesmo Hotaru saltou correndo da mesa de Hisashi para ir até a sua, tendo uma leve dificuldade em achá-la por não ter buscado antes. Naquele momento a sala estava com praticamente todos os lugares ocupados, mas nenhum dos cinco havia notado os outros alunos entrando em silêncio ou conversando baixinho, tão animados e/ou constrangidos estavam naquele momento.
Miya abriu o caderno para começar suas anotações, tentando resistir ao impulso de continuar conversando sobre seu esporte favorito com o garoto à sua frente ou com qualquer uma das duas garotas que agora sabia o nome. Suas prováveis colegas de time. Céus, ela estava muito animada.
Masuyo pôs alguns fios de seu cabelo curto ondulado e negro atrás da orelha antes de respirar fundo e tentar ficar totalmente focada no que a professora começava a falar. Ficou levemente em pânico ao não entender muita coisa de primeira, mas pelo menos os números e sinais que ela escrevia no quadro eram universais. Talvez pudesse tirar dúvidas com o garoto loiro de óculos que se sentara na mesa ao lado do tal Keiji depois, ele parecia inteligente. Não que o próprio Keiji ou mesmo Miya ou aquela garota animada demais não parecessem inteligentes, mas… Ela sacudiu a cabeça. Foco na aula precisava ter.
Hisashi anotava freneticamente o que a professora tinha a dizer. Não era muito bom em Matemática, então precisava se esforçar duplamente para manter suas notas altas. Mas a garota com os cabelos curtos e os olhos muito azuis parecia saber o que a professora ensinava, já que raramente fazia anotações e passara a aula inteira sem perguntar. Qual o nome dela mesmo? Iruka-san? Mas bom, ele provavelmente não conseguiria se livrar da garota pequena e animada demais para poder pedir ajuda, o que seria um problema. Talvez o garoto sentado ao seu lado pudesse ser de alguma ajuda?
Keiji guardou o volume 3 da série do Harry Potter em sua mochila e abriu o livro daquela disciplina, já aguardando o intervalo. Aquela garota animada demais não era muita coisa comparada ao que vivia desde o começo da adolescência com seu amigo e colega de time, mas ele não podia deixar de ficar curioso. O quão bem será que a baixinha e as duas garotas que chegaram primeiro jogavam? De qualquer forma, Keiji estava apenas aliviado que elas claramente não faziam parte do fã clube maluco que o perseguia. Não precisava ficar hesitante com elas como tinha sido no começo.
Hotaru suspirou, batendo os dedos na mesa em um ritmo muito rápido. Não conseguia ficar quieta e nem prestar atenção naquela coisa chata que era Matemática, mas precisava tentar se quisesse se formar um dia. Anotava tudo, mesmo que não entendesse coisa alguma. Talvez Hi-chan pudesse ensiná-la… Mas que absurdo era que ele não jogasse vôlei! Todo mundo adora vôlei! Até mesmo aqueles desconhecidos que não eram mais desconhecidos jogavam, todos eles! As duas garotas, Mi-chan e Makka-chan, provavelmente estariam no mesmo time que ela. Seria tão divertido!
***
— Tenho que levar o almoço para uma pessoa. — Akaashi anunciou para ninguém em particular quando o sinal tocou e os alunos começaram a se juntar para o horário de almoço, tirando duas marmitas de dentro da mochila. Miya também pegou a sua, enquanto Hisashi apanhava uma pequena bolsa onde vários potes separados por cor guarneciam seu almoço.
— Você vai para o pátio onde tem a lanchonete? — Hotaru indagou, se aproximando muito rapidamente do garoto de cabelos escuros. Ele assentiu, ao que ela sorriu animada — Ótimo! Preciso comprar algo para comer, estou faminta!
— Bom, vejo que eu também preciso. — Masuyo acrescentou, tirando uma bolsinha com dinheiro de dentro da bolsa — Esqueci que precisaria trazer almoço.
— Ah, então a gente vai com vocês também! — Miya exclamou, se levantando com sua marmita e indicando para Hisashi fazer o mesmo.
— Eu preciso saber onde fica o pátio mesmo… — este deu de ombros, murmurando mais para si mesmo enquanto seguia os outros quatro para fora da sala. — Você tem certeza de que sabe o caminho, Akaashi-san?
— Sim, eu tenho. — foi a resposta do garoto, que tentava equilibrar as duas marmitas enquanto Hotaru o enchia de perguntas saltitando ao seu lado. “Para quem você vai levar o almoço? É para sua namorada? Seu amigo? Seu irmão? O que tem aí? Está gostoso?”
— Ela tem energia, não? — Miya riu com Masuyo, que assentiu com uma risada levemente nervosa. Não sabia até onde isso era bom.
Os cinco andaram por algumas multidões de alunos, Akaashi calmamente evitando-as com os quatro logo atrás dele. Viraram em pelo menos dois corredores, que Masuyo tentou memorizar para não se perder novamente, e então chegaram ao pátio. Ele era gramado e em formato retangular, com algumas árvores fazendo uma sombra agradável, algumas libélulas brilhantes passeando por ali, e em um dos lados alguns alunos se concentravam no balcão da lanchonete. Parecia ser o centro da escola, Miya analisou. Talvez todos os caminhos levassem àquele lugar, o mesmo onde trombara com Masuyo algumas horas antes.
— Vamos ali comprar comida, Hotaru. — Masuyo chamou, a garota baixinha assentindo e andando muito depressa na direção da lanchonete. Miya riu.
— Vou pegar um lugar para nós debaixo de uma árvore, certo?! — gritou para as duas que já estavam um pouco longe, Hotaru erguendo a mão com um sinal positivo enquanto continuava correndo. Miya e Hisashi se dirigiram para a árvore que possuía menos pessoas, tendo verificado que o garoto de cabelos negros e expressão calma sabia para onde eles estavam indo.
Akaashi parou e olhou em volta, facilmente encontrando a pessoa que queria. Sozinho numa parte sem árvores do pátio, jogando para cima uma bola de vôlei e treinando recepções, com um sorriso bobo no rosto e os cabelos brancos e pretos mais despenteados que nunca. Andou até lá, com alguns segundos de paz para pensar antes do rapaz com a bola de vôlei reparar nele.
— Kaaaaashi! — sorriu ele, pegando a bola antes de correr até o amigo. — Como foi a sua aula? Achou muito difícil? Fez alguns amigos? Por que tem duas marmitas?
— Uma é sua, Bokuto-san. Você esqueceu de manhã e sua mãe me pediu para trazer. — ele estendeu uma delas para o amigo, que riu mais. — Vamos para aquela árvore ali, algumas pessoas da minha sala estão lá. — Akaashi apontou para a árvore debaixo da qual Miya e Hisashi já começavam a comer, observando Masuyo e Hotaru voltarem da lanchonete com o canto do olho. Bokuto assentiu, correndo para lá enquanto o amigo andava calmamente depois de revirar os olhos.
— Hey, hey, hey! Vocês são os novos amigos do Kaaashi? — perguntou logo ao chegar, fazendo Hisashi dar um pequeno pulo de susto e quase derrubar sua marmita. Miya franziu a testa com confusão, para logo depois notar a marmita nas mãos do rapaz e abrir um sorriso amigável.
— Pode-se dizer que sim, acho. Qual é o seu nome? — ela disse, fazendo Bokuto sentar-se pesadamente no chão e sorrir.
— Bokuto Koutarou, segundo ano turma C e futuro ace da Fukurodani! E vocês, quem são?
— Tsuji Miya, levantadora. Esse é Ishida Hisashi, ele não joga vôlei. Somos da turma do Akaashi-san.
— Por que você não joga vôlei?! Todo mundo ama vôlei! — o garoto do segundo ano indagou, subitamente indignado. Hisashi respirou fundo enquanto Miya ria, lembrando-se de que já o tinham feito aquela pergunta na mesma manhã.
— N-não gosto muito de esportes. — hesitou na resposta, um pouco intimidado pela animação do garoto. Akaashi sentou ao lado do amigo ao mesmo tempo que Masuyo e Hotaru chegaram até os quatro com alguns sanduíches e suco em mãos.
— Esse é o seu amigo, Kei-chan? O que você trouxe a marmita? Ele joga vôlei com você? — As perguntas de Hotaru vieram também uma atrás da outra enquanto se sentava junto a Masuyo, e Keiji ignorou o leve deja vu que teve para poder responder.
— É ele sim, Oshiro-san. Estaremos no mesmo time. — Procurou ser o mais breve possível em sua resposta, abrindo o próprio almoço no processo com toda calma do mundo, como se ao seu lado Bokuto não estivesse vibrando de animação.
— Agaaaashi é um ótimo levantador! O melhor da província! — Bokuto declarou de repente, quase revirando todo seu almoço no gramado ao mover-se de repente para levantar os braços aos céus.
— Sério?! — Os olhos de Hotaru estavam brilhando por causa daquela notícia e agora encarava Keiji como se ele fosse uma estrela. Ao seu lado Masuyo e Miya tentavam segurar a risada e Hisashi aproveitava não ser o centro das atenções para comer.
— Não, Oshiro-san, minhas habilidades são normais. Bokuto-san, por favor, cuidado com seu almoço. — Apesar de suas palavras, Keiji não demonstrava estar realmente incomodado com o que acontecia ao seu redor. Nem mesmo tirava o olhar de sua comida.
— Ah, meu nome é Hotaru e eu sou líbero, a Makka-chan aqui é ponta! — Como se apenas dizer seu nome não fosse suficiente, Hotaru empurrou Masuyo de leve com o ombro.
— Prazer, Bokuto — falou a garota, ajeitando levemente os óculos antes de notar que tinha esquecido o honorífico. — ...san. — terminou com um suspiro, mais para si mesma que para os outros, até porque naquele mesmo instante Hotaru e Bokuto já tinham saído em uma tangente sobre alguma coisa a ver com ataques na quadra. Miya apenas ria; se sentia cansada em apenas observar aqueles dois, quem diria acompanhar seu raciocínio.
— Esse vai ser um ano muito interessante. — ela comentou para ninguém específico, voltando para seu almoço ao notar os protestos de seu próprio estômago.

