Até certo ponto da minha vida, acreditei que compreendia como ninguém os efeitos devastadores de doenças psicossomáticas como a depressão. Um engano tão ingênuo quanto compreensível a uma psiquiatra de renome, presa somente às teorias, estudos e intervenções que se realizavam unicamente a terceiros. Sempre estive dissociada das enfermidades mentais de meus clientes mais antigos, algo pelo qual era capaz de me orgulhar. Lidar, dia após dia, com a enorme gama diversa das agonias e peripécias da mente humana nunca é fácil, e por vezes os prognósticos mais desafiadores podem tentar derrubá-lo junto com seu paciente, caso o profissional da área não consiga, de certa forma, blindar-se às tormentas da carreira.
Já foi dito meu nome em algum momento, acho. Marina Sales. Um nome que chegou a ser entoado com alguma importância, algum respeito, dentro de minha área de atuação.
Mas que hoje, nada significava, muito menos para mim. Levava impotência e fracasso na sonoridade de cada sílaba, tônica ou não, e todo o seu antigo valor acabou se convertendo em completa banalidade.
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