Cancer
Cancer
Chapter 23 min read

Conhecendo os netos

Naquela noite, uma segunda feira, eu ficaria com Bete por quatro horas, o combinado para que eu e ela nos conhecêssemos.

Sentada à beira da cama, eu procurava assuntos, já que não havia muito que fazer de momento. Como sei que idosos gostam muito de falar sobre bons momentos do passado, eu perguntava a ela sobre algumas coisas, como os nomes de seus netos.

Bete revelou que era professora, e me deixou impressionada ao contar que havia lecionado no colégio onde eu fiz meus dois primeiros anos escolares. Apenas as datas não se coincidiam, o que era uma pena.

Enquanto ela falava sobre seus alunos, outros netos chegaram. Jonas e David.

Achei muito interessante! Os 3 netos dela pareciam ser uma só pessoa, não fosse a aparência. Eram igualmente jovens, educados, carinhosos e bonitos, cada um com sua personalidade.

Célio, o que conheci primeiro, se comportava como o chefe da casa, falava com firmeza e segurança. Jonas era mais vaidoso, tinha corpo definido e atlético, e cabelos longos até os ombros. E David, o caçula, devia ser o mais calmo, era engraçado e amava gatos, também tinha um corpo musculoso e adorava mostra-lo.

Me admirei com a forma que Bete era tratada pelos três, com muito amor e dedicação, algo que nunca vi de rapazes tão jovens.

Finalmente, depois de trocar as roupas da matriarca, com a ajuda de David, eu fiz para ela um mingau, que ela mesma explicou como devia ser, e servi em sua boca, pois ela continuou deitada, apenas a inclinamos um pouco. Ela disse que o mingau estava muito bom, e fiquei contente, era a única coisa que fiz diretamente para ela.

- Agora você pode apagar a luz e ir embora, eu vou dormir. — ela disse.

Achei bom que ela me dispensasse, por que eu não saberia se devia ir ou não embora.

Bete tinha algumas coisas em comum comigo, e uma delas era a ansiedade de movimento: Se tem que acontecer que seja logo.

Fiz como ela pediu, certa de que havia dado tudo certo. Me despedi dos meninos e fui embora.

Mas ao chegar em meu lar, o telefone tocou. Era Célio, que não estava na casa quando sai.

- Olá, Célio, está tudo certo?

Meu coração batia forte e eu pensava coisas como: Ela me odiou, ele vai dizer que não estou preparada, eu fiz algo errado...

- Minha avó gostou muito de você! Você voltará no sábado?

Mania de pessimismo...

- Ah, claro! Estarei ai!

Combinamos então a hora, e ele ofereceu mais do que eu havia pedido antes, à sua mãe. Fiquei feliz e satisfeita, não era o emprego dos meus sonhos, e nem o é de muita gente, mas aquilo elevava minha auto estima e auto confiança. Fazer o bem era um ato que me dava prazer.

— ---Sábado, primeiro dia de trabalho ------

Eu sabia que nesse dia a casa estaria cheia. Marta e seu marido estariam lá. Minha maior ansiedade era agradar por um dia inteiro, e não cometer gafes.

Fui recebida pelo genro de Bete, pai dos rapazes, e fui diretamente para o quarto dela. Quando ela me viu não esboçou nenhuma reação.

- Oi, Dona Bete, lembra-se de mim?