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again

Franiquito

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Chapter 14 min read

Capítulo 1

AGAIN

Suspirou pesadamente mais uma vez. Passou a mão pelos cabelos já bagunçados pela repetição do movimento. Olhou para o relógio e desviou o olhar sem prestar atenção às horas. Piscou um par de vezes e torceu os lábios em um beiço tristonho.

Passaram alguns minutos até piscar novamente e perceber que o tempo avançava, e rápido. Mirou o relógio outra vez e teve a impressão de que transcorrera quase dez minutos desde a última vez que o olhara. O que tinha feito naquele curto período que já nem recordava mais? Sua cabeça andava nas nuvens...

Passou a mão pelos cabelos pela enésima vez. Começava a sentir certa ardência no couro cabeludo por causa daquilo, mas não se importou. Apenas recostou-se melhor à cadeira diante do computador. Não estava confortável, mas também não se importava com aquilo. Mal sentia onde estava e o que estava fazendo... Embora não estivesse fazendo nada. Não conseguia fazer nada, aparentemente.

E tinha coisa a ser feita... Tinha trabalhos para planejar, para começar, para continuar, para terminar... Uma quantidade razoável de trabalhos que forama cumulando-se ao longo dos dias e das semanas... Tinha passado muito tempo sem que notasse. Era a única coisa que ocorria ultimamente: o tempo passava e não via. Cada novo dia era apenas um novo dia, cada nova noite era apenas uma nova noite... Passava o dia inteiro percorrendo os caminhos que devia percorrer automaticamente, sem prestar atenção nos lugares pelos quais passava, nas estradas pelas quais caminhava, nas pessoas com as quais falava.

E falava pouco também. Costumava ser mais alegre e mais vivaz, mas aquilo se perdera nos últimos dias... semanas? Meses...? Não sabia mais, não tinha uma boa noção de tempo. As pessoas lhe dirigiam a palavra e, quando ouvia, sorria fracamente e respondia com calma. A não ser que estivesse em um dia mais complicado, aí sua resposta podia ser bastante grosseira.

Muita gente já havia lhe perguntado o que acontecera, por que mudara... Também gostaria de saber o motivo exato. As coisas começaram simplesmente a acontecer... Não recordava ao certo como tudo iniciara, mas após terem começado, não pararam mais... E então muita coisa aconteceu.

Tivera medo. Insegurança. Incerteza. Percebeu-se sem reação, sem palavras para enfrentar o que acontecia à sua volta. Sem forças para parar aquilo tudo e tentar controlar a própria vida.

Tinha vontade de parar, mas não sabia como. Parecia não haver um meio, pois não parecia haver nada de errado... O que tinha acontecido? Por que tudo aquilo começara?

O suspiro dessa vez foi mais forte, soando mais como um bufido irritado. Os cabelos já estavam diante dos olhos de novo. Tinham se passado outros vários minutos que não sabia dizer, pois não tinha prestado atenção no relógio uma vez sequer.

Eram duas horas e quarenta e seis minutos da madrugada. Precisava ir dormir, embora não tivesse vontade. Mas tinha sono. Mas sabia que não adormeceria se fosse para a cama.

Sua vida tomara rumos que nunca imaginara... Parecia ter seguido o pior caminho, sem muitas chances de escolha. E agora não sabia como voltar atrás, como consertar tudo...

Não tinha ideia do que fazer.

Não tinha ideia de como agir.

Sabia o que queria – queria que tudo voltasse ao normal –, mas não sabia como obter o que queria de volta. E sentia-se impotente, um ser patético.

A melancolia que enchia seu peito era tão sutil que demorava a notá-la... mas estava sempre ali, causando-lhe um desconforto pequeno, mas constante. Era uma sensação que ia e vinha, que crescia e diminuía conforme as lembranças surgiam... Conforme pensava no que tinha acontecido e não compreendia, não achava solução...

Duas e cinquenta e um. Sentia as pálpebras pesando sobre os olhos. Ainda vestia a mesma roupa com a qual saíra mais cedo. Tinha chegado em casa e não tinha se prestado sequer a tomar um banho ou comer algo.

Não tinha muito apetite.

Mordeu o lábio inferior e percebeu como estava ressecado. Sua boca e garganta também estavam secos.era aquela sensação que nunca ia embora, de que tinha parado de produzir sons, de que era incapaz de gerar palavras para dizer o que sentia.

Não sabia o que sentia. Mas queria tudo de volta, como era antes...

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