Era o primeiro dia de aula novamente, significava que iria encontrar com Regina após dois meses do episódio beijo que não deveria ter acontecido. Eu não queria ir, não queria ver o seu rosto. Não queria enfrenta-la. Não queria competição. Não queria fazer todos os trabalhos com ela sem ela nem olhar na minha cara. E eu não sabia se ela se lembrava do que ela havia feito. Era tão injusto! Ela fazia as coisas, não se lembrava de nada e eu que ficava remoendo tudo em minha pobre cabeça confusa.
Coloquei uma calça jeans, um tênis e uma blusa de frio simples, deixei o meu cabelo solto e me sentei na cama.
Eu estava demorando mais que o normal para eu descer para o café da manhã então minha mãe subiu um pouco preocupada.
—Emma? Tudo bem querida? _ Eu estava sentada na cama já vestida e a mochila jogada ao meu lado. Ela se sentou ao meu lado e me abraçou de lado. _ O que está acontecendo? Você sempre se anima no primeiro dia. _ depositou um beijo em minha cabeça.
— Sim, mas hoje não._ suspirei.
— É por causa do incidente do ano passado? _ encostou minha cabeça em seu ombro.
— Sim. _ Sim, eu havia contado para a minha mãe também num dia de TPM em que ela me pegou mais nervosa que o normal xingando a televisão com uma barra de chocolate pela metade. Então eu descarreguei tudo e ela apenas me abraçou.
Nem eu entendia o motivo de todo esse drama meu.
—Vamos, vai dar tudo certo meu amor._ Ela se levantou e estendeu a mão.
Uma das coisas que eu nunca podia reclamar, nunquinha mesmo, era da atenção que meus pais me davam. Aceitei sua mão e descemos para tomar o café juntos, como sempre.
Meu pai estava fazendo suas deliciosas panquecas enquanto minha mãe terminava de colocar a mesa, comi cereal enquanto as panquecas ficavam prontas.
— Preparada para trabalhar com adolescente, Mary?_ meu pai questionou enquanto me servia panquecas.
— Um pouco nervosa, não posso negar. Pena que não são como Emma. _ Ela disse se sentando ao meu lado e passando a mão em meu braço.
—Fazer o que? Criaram-me bem e a fôrma desta aqui_ fiz um movimento com a mão mostrando meu corpo_ quebrou. Ela já tinha feito o desjejum, só estava me esperando.
—Emma, não demore muito, tenho que chegar mais cedo. _ eu ia com mamãe e papai iria para o serviço depois, ele estava trabalhando como advogado na prefeitura.
—Tá, já acabei. Vamos?
Chegamos e eu fui procurar a minha sala, Regina estava na mesma sala que eu, e meus amigos também. Isso era ótimo! Fui para a minha sala. Estava muito cedo, porém já tinha combinado com Killian e o casal-não-casal de chegarem mais cedo. Ainda não tinha ninguém, então tratei logo de escolher nossas mesas, Killian logo atrás de mim, Eric ao meu lado e Ariel atrás dele. Esse era o meu grupinho, mas não significava que não tinha amigos, tinha a Mullan, a Elsa, a Ruby e outros que eu conversava, mas nem tanto, entretanto os outros são os meus melhores.
Lily Page, a filha da vice-diretora e amiga de Regina entrou na sala e me cumprimentou com um sorriso falso.
—Olá Emma, fiquei sabendo do contrato, a Regina me conta tudo._ Arregalei os olhos, será que ela tinha contado do beijo também?_ Só não tente matar ela novamente como no jogo. _ Ela jogou sua bolsa na mesa e saiu rumo a bagunça de alunos perdidos procurando por suas salas e seus amigos.
— Love!_ Killian quase gritou quando me viu. _ Mesma sala!_ eu o abracei como se eu não tivesse saído com ele praticamente durante todos os dias das férias.
Estava realmente feliz por ele estudar comigo, ele era o meu porto-seguro dentro da sala de aula. Ele colocou sua mochila na mesa.
Logo depois Eric e Ariel chegaram, sempre juntos.
—Resolveram assumir o namoro?_ Killian perguntou.
— Queremos ser os padrinhos do casamento e dos bebês. _ Eu disse passando o braço em Killian. Para quem não conhecia Killian se passava por um homem másculo e super hetero, até ele abrir a boca, já fingiu até ser meu namorado quando uma tia minha perguntou se eu estava namorando. Ele apenas passou seu braço em minha cintura, engrossou a voz e me deu um beijo na bochecha.
—Não tem nada acontecendo. _ Os dois disseram ao mesmo tempo. Mais gente ia entrando e juntando os grupinhos nas mesas, Ella chegou e foi ao encontro de Úrsula e depois Lily Chegou, faltava apenas Regina.
— Aquela é a Regina George, é o mal em pessoa._ Killian disse quando Mills entrou por impulso dei um tapa nas costas dele como pedido para calar a boca. Ela olhou em nossa direção e depois para mim e continuou andando ao encontro de seu grupinho. _Ai, o que foi?
—Para com isso tá?
— Tá certo, só quero saber quando vocês vão devolver minha amiga._ levantou o meu cabelo como se estivesse me analisando.
No primeiro horário tivemos uma apresentação com Jefferson até a minha mãe chegar para avisar sobre um projeto.
—Bom dia a todos, meu nome é Mary Margaret, serei a psicóloga da escola e estarei atendendo a todos às segundas, quartas e sextas. _ Ela dizia com o maior sorriso de todos, como se trabalhar com adolescentes infernais e cheios de hormônios fosse o sonho de qualquer psicólogo. _ E a pedido do diretor da escola, vamos fazer um simulado, uma dinâmica que durará um mês._ todos começaram a conversar inquietos e Jefferson pediu por silencio. _ Em duplas. _ Não, ela não tinha falado aquilo. Ela olhou para mim._ Vocês adotarão um saco de farinha, vão fazer duplas com quem quiser, menos os casos especiais dos quais já fui informada. Vocês terão que projetar suas vidas, com cálculos de tudo que seria gastado até o saco de farinha, vulgo seus filhos, saírem da faculdade, queremos um trabalho completo, envolvendo tudo mesmo. Esse projeto tem a finalidade de aumentar a responsabilidade de vocês e criar uma certa expectativa do que está vindo por ai em suas vidas.
Ótimas palavras mãe, agora vou ter que criar um saco de farinhas com Regina por um mês.
—A professora Zelena pediu para ficar responsável por essa turma, qualquer dúvida é só nos procurar. Assim que o nome da professora foi pronunciado ela entrou na sala empurrando um carrinho de supermercado com sacos de farinha.
— Professor Jefferson uma ajudinha? Agora vocês podem fazer as duplas e uma fila única aqui.
Todos nos fizemos as duplas, eu fui em direção a Regina que não disse nada, Killian ficaria como pai solteiro. Ele estava do nosso lado, éramos os últimos da fila quando Neal gritou do fundo.
— Qual dos três é o pai?_ a maioria riu, como eu pude ter uma queda por um idiota como aquele? Jefferson mandou Neal ficar quieto.
—Que pena Killian, pai solteiro, mas tenho certeza de que as meninas vão te ajudar. _ Zelena deu um saco para meu amigo e colocou seu nome na lista.
— Regina e Emma! Está aqui. _ Eu sorri e ela piscou para mim. _ Atenção a todos, vou precisar dos trabalhos prontos daqui um mês, vou observa-los também. O segundo sinal tocou. _ Sou eu aqui mesmo. Então podem começar a decidir essas coisas que só vou começar a passar matéria semana que vem.
—Então, Regina, como você quer começar?_ eu não queria tomar frente do trabalho, daria os meus palpites apenas quando achasse necessário. Ela não respondeu, apenas pegou o saco de farinha e foi para a sua mesa. Fiquei parada por um momento e me virei para Zelena. _Tá vendo?
—Emma, sua nota está em jogo. Vai lá. _ Respirei fundo e me virei na direção da minha dupla.
—Eu não quero fazer trabalhos com você, Emma. _ ela disse o obvio olhando para o saco de farinha.
—Nem eu, mas se você não notou ainda eu sou obrigada como você. Então se você quiser fazer o trabalho sozinha ótimo, ou se quiser que eu faça, ótimo também. Agora, lembre-se de que estaremos sendo observadas e avaliadas. Então qual é a sua escolha? _ Ela me olhava assustada com a minha reação. Eu continuei em pé com os braços cruzados esperando por uma resposta. _Então?_ Ela olhou para um ponto atrás de mim, não me virei para ver para onde ela estava olhando, mas sentia o olhar de Zelena repousado em nós. Ela respirou fundo e me respondeu.
— Eu abriria logo um poupança para a faculdade. Colocaria uma quantia todo mês._ Puxei uma cadeira e me sentei ao seu lado enquanto que ela pegava um caderno, olhei para Zelena e a ruiva estava conversando com outros alunos, Killian estava conversando com Eric e Ariel, alguns dos idiotas de minha sala estavam desenhando olhos e bocas no saco de farinha. Ela percebeu que eu estava reparando nas atitudes dos colegas. _Eles são uns idiotas.
—Acho que deveríamos dar um nome. Menino ou menina? _ Ela me encarou procurando por algum sinal de que eu estava brincando.
— Menina. _ Levantei a sobrancelha esperando pelo nome. _ O quê? É serio a história do nome? _ Então ela riu. Divinamente, separando os lábios carnudos pintados de vinho. Eu concordei sorrindo. _ Então tudo bem, que tal..._ ela parou para pensar ainda com um sorriso no rosto. _Que tal Branca de Neve?
— Ótimo, vamos começar. _ Virei seu caderno para mim e peguei uma caneta. _ Nome: Branca de Neve, nascimento: setembro. _ quando percebi qual seria o próximo local a ser preenchido parei. _É... Filiação. _ olhei para ela.
— Coloca aí Emma Swan e Regina Mills.
—Professora, precisamos carregar esse saco para cima e para baixo? _ Neal perguntou.
—Aqui na escola sim. Faz parte do trabalho. _ Zelena explicou. E as pessoas começaram a reclamar. _ Pessoal, isso é para mostrar para vocês como são as responsabilidades de uma vida adulta, aproximadamente, é claro.
_ Então o que temos que pesquisar? _ Ela me questionou tocando em meu braço para fazer minha atenção voltar para ela.
— Seria bom se perguntássemos para alguma mãe. Minha mãe poderia nos ajudar.
— Nós teríamos que calcular mais ou menos quanto de fralda que gastaríamos, roupas, alimentos, tudo.
— Quanto seria gasto com babás. _ Completei.
— Ela iria para essa escola, não?
—Sim, assim economizaríamos dinheiro para a faculdade. _ ela ia anotando tudo em seu caderno, todos os tópicos que falávamos. _Plano de saúde e dentário._ Ela colocou uma mecha de seus cabelos negros na orelha, mas a mecha continuava caindo. Minha vontade era de colocar a mecha atrás de sua orelha, mas me segurei com medo de sua reação, ela fazia um bico enquanto se concentrava.
— Emma? Terra para Emma? _ Estalou os dedos perto de meu rosto, ela estava rindo com a minha ligeira confusão e fiquei vermelha de vergonha. _ Estava perdida em que?
—Pensando na formatura dela. _ eu realmente não queria falar para ela em que eu havia me perdido. _ Nós vamos fazer um bolo, cookies ou outras coisas? _ ela deu um tapa leve em meu braço. _ O que?
— Ela vai ser a nossa filha por um mês! _ Ela ficou vermelha depois que percebeu suas palavras.
—Sim, mas depois podemos fazer um bolo de chocolate. _ eu estava rindo.
—Vou pensar. Certo. Quem vai ficar o ela? _ Colocou o saco de farinha em sua mesa.
— Eu, te entrego ela amanhã, tudo bem? Esse é o meu telefone. _ Peguei a caneta de sua mão e escrevi o numero de meu celular e o da minha casa. _ Se você quiser saber notícias de nossa pequena Branca de Neve qualquer hora é só ligar.
—Tudo bem, hoje começarei a parte escrita enquanto você cuida da parte visual.
Várias ideias passavam pela minha cabeça. Quando saísse da escola arrastaria a minha mãe para as lojas.
Qualquer trabalho que tivesse eu levaria a sério. Eu poderia competir com ela sem estar competindo, apenas mostrando do que eu sou capaz. Olhei no meu relógio tinha só mais alguns minutos.
—Se me der licença, vou botar o papo em dia com a Zelena. _ me levantei e peguei o saco de farinha, o segurando como se fosse realmente um bebê. _ Olá.
—Emma! Como está indo com esse trabalho?_ me perguntou com um sorriso enorme.
—Até que está indo bem. Conheça a Branca de Neve. Vou ver com a outra mãe dela se você pode ser a madrinha.
—Eu vou aceitar prontamente. Só não se matem. _ eu dei uma gargalhada.
— Vou ver como o Killian está se saindo como pai solteiro.
Eric e Ariel tinham nomeado o saco de farinha de Willie e Killian de Collin. Passei o resto da aula com o saco em meu colo, quando fui para o recreio levei o saco comigo, percebi que muitos haviam esquecido o projeto na sala eu era uma das poucas que havia levado o projeto para a cantina.
O sinal tocou indicando o fim do primeiro dia de aula, meus amigos já tinham saído estava guardando as minhas coisas quando Regina tocou em meu braço.
—Qualquer coisa pode me ligar também._ Sorriu para mim e foi ao encontro de suas amigas.
Guardei tudo e peguei o saco de farinha e fui ao encontro de minha mãe.
— O que achou desse projeto? _ Ela perguntou sorrindo.
—Vamos às compras. _ Abri a porta de joguei minha mochila e fiquei com o saco em meu colo.
