E se, e se nós fugíssemos?

E se, e se fôssemos embora hoje?

E se, déssemos adeus para nos salvar?

E se, e se fôssemos difíceis de encontrar?

E se, e se nós perdêssemos a cabeça?

E se deixássemos eles pra trás assim não seríamos achados?

Tony sabia que o mundo precisava dos vingadores, ele tanto sabia disso que por esse motivo durante o um ano que os outros membros ficaram fora ele organizou tudo para que eles voltassem e fossem declarados inocentes.

Mesmo contra sua vontade, ele até mesmo aceitou que eles vivessem novamente debaixo do mesmo teto que ele; mas ao ver todos eles entrarem na casa como se nada tivesse acontecido na última vez que tivessem se visto, foi demais até mesmo pra ele.

— Vocês conhecem o complexo, com exceção do Capitão e dos membros novos, os quartos continuam os mesmos. -Tony falou tentando terminar com aquele assunto para poder se fechar em um lugar só seu e fingir que não existia.

— Por que eu não posso voltar pro meu quarto? -Steve perguntou tentando se aproximar mas tudo que o moreno fez foi dar três passos pra trás deixando claro que queria distância.

— O último andar foi fechado, somente às pessoas com acesso nível Alfa podem entrar tanto lá quanto no laboratório e não, vocês não tem mais acesso nível Alfa, agora são todos Betas. Se precisarem de ajuda com alguma coisa procurem a Friday, não eu. -o moreno falou saindo da sala e deixando que os outros membros se adaptarem novamente até a casa.

E quando as luzes piscarem como uma cabine fotográfica

E as estrelas explodindo, seremos invencíveis

Steve sabia que voltar a ser o que eram antes seria difícil, ele entendia que não iria voltar pra e encontrar o Tony de braços abertos disposto a voltarem com o relacionamento deles de onde tinham parado, mas ele era positivo e queria acreditar que iria conseguir ser muito mais do que só um intruso na torre; só que depois de uma semana morando novamente debaixo do mesmo teto e eles só se encontrarem algumas vezes no corredor mas nunca tempo suficiente para o loiro tentar começar uma conversar, ele começou a entender que nada seria tão fácil quanto ele sonhava.

Tony estava quase morando no laboratório e se escondendo do ponto de vista dos outros membros dos Vingadores, mas o que eles não sabiam era que o moreno andava fazendo muito mais do que somente ficar lá dentro criando novas armaduras e atualizando equipamentos não só da equipe para confrontos como também para o próprio prédio, e uma das últimas coisas que ele tinha feito era o vidro das paredes do laboratório. Agora quem estava do lado de fora não via mais o que acontecia dentro, mas quem estava dentro ainda tinha toda a visão.

Minha juventude, minha juventude é sua

Viajando pelos céus, bebendo cachoeiras

Minha juventude, minha juventude é sua

Vamos fugir agora e para sempre

Minha juventude, minha juventude é sua

A verdade grita alto, não dá para ignorar

Minha juventude, minha juventude é sua

Minha juventude é sua

Diferente dos outros dias, quando os vingadores desceram pro café da manhã não encontraram a cozinha completamente vazia e silenciosa, assim que se aproximaram do corredor escutaram risadas e uma música baixa tocando pelos alto falantes do lugar; Steve foi o primeiro a se aproximar do cômodo encontrando tanto o Tony quanto o Peter sentados em cima da ilha enquanto um homem que o Capitão não conhecia parecia concentrado na cafeteira e na conversa que os outros dois estavam tendo.

— Não Pete, o negócio é o seguinte, Hozier não fez simplesmente uma música triste, ele fez um hino pra pessoa que amava, na música ele fala que deveria ter venerado ela mais cedo, que ela é risada em funeral, que ela é a última profetisa verdadeira; não é uma música triste, ele fez uma canção pra poder adorar ela. -Tony falou empolgado, ele gostava daquela música apesar de não ser do tipo que estava acostumado, e gostava ainda mais de poder ajudar o garoto com o dever de casa.

— Anthony está certo Peter, a música é uma adoração, acredito que justamente por isso ele fala “Minha amante é a luz do sol, E para manter a deusa ao meu lado, Ela exige um sacrifício”, a melodia é triste e toca o seu coração mas a letra vai tocar sua mente e te fazer pensar. Você tem que colocar mais sentimentos no seu trabalho ou não vai parecer que você entendeu o contexto da música e a proposta, você tem que deixar claro que a pessoa que está destinando a música pra sua amada quer muito mais que somente um romance passageiro. -Stephen falou se virando entregando uma xícara pro moreno e se apoiando ao lado dele devolvendo a folha pro garoto, era um trabalho de literatura que ele estava tendo dificuldade e por isso os três tinham se reunido naquela manhã antes do café.

— Então vocês acham que quando ele diz que está disposto a drenar todo o mar ou então entrar em um ritual, ele está falando sério? Ele realmente seria capaz de fazer qualquer coisa por ela? Drenar o mar, louvar as mentiras dela, disposto a aceitar a morte imortal? Existe um amor nesse nível? Alguém consegue confiar em alguém a esse ponto? Entregar seu coração dessa forma? Então ele também seria capaz de matar alguém ou então roubar um banco pra fazer ela feliz? -Peter encheu os dois de perguntas fazendo eles rirem e só então notando as outras pessoas que também estavam na cozinha- Bom dia pessoal.

Todos responderam o comprimento e foram se sentar na mesa tentando fingir que a cena que tinham visto na cozinha não era estranha, com exceção do Steve que continuou parado no mesmo lugar, surpreso por ouvir a voz do Tony depois de tantos dias e missões em completo silêncio, era uma coisa que aquecia o seu coração ao mesmo tempo que quebrava ele.

— Faz dias que estamos aqui, com você em completo silêncio mas foi só esses dois aparecerem, que você vira a pessoa mais comunicativa do mundo. -o loiro falou balançando a cabeça pronto pra dar um passo pra mais perto do Tony, mas parou quando viu o outro homem ficando na frente do menor.

— Tá tudo bem Stephen, vamos somente sentar e tomar café e depois podemos terminar o trabalho com o Peter lá no laboratório ou no quarto dele. -Tony falou segurando no braço do mago e sorrindo pro garoto desceu da bancada indo se sentar na mesa, onde mais uma vez ficou em completo silêncio somente esperando acabar para poder voltar a sua vida.

O que Steve e Peter não notaram, mas as outras pessoas na mesa sim, era o fato de que o amor que o garoto queria tanto saber se era possível foi o amor que Steve e Tony tinham antes de todo o problema que tiveram a um tempo atrás; o alter ego do homem de ferro confiava, amava, estava disposto a acreditar na morte imortal, roubar um banco ou até mesmo matar alguém por ele mas no final tudo que ganhou foi mentiras que não estava pronto para louvar e um escudo cravado no peito.

E se, e se agente começasse a dirigir?

E se, e se a gente fechasse os olhos?

E se cruzássemos o farol vermelho rumo ao paraíso?

Porque não temos tempo para envelhecer

Corpo mortal, almas eternas

Cruze os dedos, aqui vamos nós

Tony sabia que não podia evitar os vingadores pra sempre, ele queria adiar o máximo possível até o momento em que não pudesse mais adiar essa conversa, e infelizmente aquele dia tinha chegado; eles estavam terminando uma missão, e todos já estavam dentro do avião prontos para ir embora quando tiveram um imprevisto, fazendo o moreno ir até lá resolver o problema enquanto os outros iam embora, a situação foi de fácil resolução mas isso não significa que o moreno saiu intocado.

Ele pousou na varanda que ia até a sala e cozinha, quase no mesmo momento em que o elevador se abriu revelando os outros vingadores, Tony abriu a armadura já dentro do prédio revelando o seu braço e bochecha sangrando.

— O que aconteceu com você? Se não dava conta, deveria ter chamado a gente pra ajudar a resolver. -Steve falou se aproximando com a Natasha vindo logo atrás, sabendo que era melhor ficar por perto caso alguma coisa acontecesse enquanto os outros somente observavam de longe.

— Eu dei conta, acho que isso ficou claro já que eu estou aqui. Friday, fez o que eu pedi? -o moreno perguntou pra AI, se referindo ao scanner que ela estava passando para saber se ele tinha mais machucados.

— Encontrei alguns problemas mas não é nada preocupante, mas como foi pedido do Senhor, já estou chamando o Doutor Strange.

— Que problemas? Me deixe ver os machucados, você não pode ficar assim, pode demorar pro médico chegar, deixa eu cuidar disso. -o loiro falou se aproximando rápido o que fez o Tony se assustar e erguer as mãos em posição de defesa- Eu só quero te ajudar Tony, não vou te machucar.

— Eu não sei mais o que esperar de você, agora pode decidir isso mas depois pode acabar... -o engenheiro começou a falar mas antes que pudesse terminar, o som de faíscas se fez presente e todos com exceção dele olharam assustados um pano vermelho passar voando pela comodo.

Levi foi rápido em sair dos ombros do mago assim que o mesmo abriu saiu na sala do prédio, ele foi direto até o homem de ferro, se enrolando nele tentando ver por ele mesmo se o homem estava bem e tentando passar mais conforto e comodidade enquanto o mago vinha logo atrás pronto para entrar novamente entre o Tony e o Steve.

Por um momento todo o cômodo ficou em silêncio, as pessoas somente se olhavam tentando entender o que tinha acontecido, e quem era aquela pessoa que tinha saído de dentro do que parecia ser um portal mágico.

— O que tá acontecendo aqui? Friday, me ligou, dizendo que você estava machucado Tony, vamos pro laboratório pra eu poder cuidar disso. -Stephen falou se aproximando o olhando com cuidado o rosto do menor, vendo que não era nada muito sério e que não iria ficar cicatriz.

— E depois eu vou descansar, eu sei como funciona Mago. -Tony falou sorrindo mas quando viu que os outros vingadores pareciam próximos de atacar eles resolveu que era hora de fazer apresentações necessárias- Vingadores, esse é o Doutor Stephen Strange mas também podem chamar ele de Mago Supremo, ele costuma frequentar a torre algumas vezes então já devem ter visto; Stephen, você conhece os Vingadores.

— Aquele dia no café da manhã era você, estávamos curiosos sobre você já que a gente não tinha sido apresentado ainda, é bom conhecer você Doutor Strange. -Natasha foi a primeira a falar tentando evitar mais problemas.

— Como vocês se conheceram? O Mago obviamente tem poderes mas nunca vi ele por aí salvando as pessoas, mate a nossa curiosidade. -Scott perguntou se aproximando, deixando claro que estava realmente se matando de curiosidade.

— A gente já vem se trombando a um tempo, Stephen jura que não era destino mas eu sei que foi o universo. -Tony falou rindo porque o único jeito que ele sabia responder aquela pergunta, porque desde que o Doutor tinha estado na sua vida definitivamente, ele não conseguia evitar sorrir ao lado dele- Nós encontramos a primeira vez durante o tempo que eu estava estudando no MIT, depois nos vimos quando voltei do Afeganistão, e depois veio acontecendo algumas outras vezes.

— Mas só continuamos a manter contato depois que a gente se encontrou a um ano. Foi um prazer conhecer vocês, mas agora temos que ir, vamos nos ver novamente. -Stephen falou se aproximando do engenheiro e passando um braço pela cintura dele, saiu levando o mesmo em direção ao laboratório.

— Algo me diz que eles não estão só mantendo contato, como amigos, nesse ano. -Bucky resmungou fazendo o Capitão América bufar e sair do cômodo chutando o chão.

E quando as luzes piscarem como uma cabine fotográfica

E as estrelas explodindo, seremos invencíveis

— Não precisa ficar me olhando aí escondido, te faz parecer um louco e me deixa desconfortável. -Tony falou olhando por cima do ombro o loiro parado atrás dele, mas logo voltando a sua atenção pra comida que estava na sua frente.

— Você comendo durante o trabalho? Isso é estranho, você não costuma nem sair do laboratório normalmente.

— Stephen ta pegando no meu pé por causa da minha alimentação, ele, Friday e Peter se juntaram para controlar o que eu como e que horas eu vou comer. -o moreno falou dando de ombros vendo o outro se sentando na mesa, mas mantendo a distância dele de duas cadeiras.

E ele soube ali que era a hora daquela conversa, que ele não tinha mais pra onde fugir e nem tinha mais o porquê.

— Eu nunca consegui fazer você parar o trabalho pra vir comer, se eu não levasse pra você jamais que você iria comer alguma coisa.

— Eu ainda faço isso, mas Stephen e Peter estão se esforçando bastante pra me fazer ter uma rotina mais saudável, e como aquele garoto me tem enrolado em seu dedo mindinho, eu só tenho feito o que deixa ele feliz.

— As coisas mudaram mesmo enquanto estivéssemos fora, você parece bem apegado a eles. -Steve falou respirando fundo, entendo pela pose tensa do outro que ele não estava pronto para aquela conversa mas vendo que ele não tinha fugido ainda era um bom sinal- Eu deveria aproveitar esse nosso momento para pedir desculpas, eu venho pensamento em fazer isso desde que fugi naquele dia mas ainda sim não sei o que dizer.

— Só peça desculpas se realmente estiver arrependido, e eu não estou falando em estar arrependido pelo que fez comigo ou como me deixou, quero saber se está arrependido de ter mentido pra mim.

— É claro que eu me arrependo, eu fiz o que achei que ia ser melhor pra você mas agora eu sei que somente fiz o que era melhor pro Bucky e pra mim. Foi difícil voltar mas eu estava com saudade de casa, mas o que realmente foi difícil foi ver você aceitando todo mundo de volta até mesmo o Bucky mas ainda sim fugindo de mim.

— James não teve culpa pelo que aconteceu, ele foi só mais uma vítima mas você tem culpa por ter escondido de mim, estávamos juntos, dividimos segredos e planos mas ainda sim você escondia de mim que os meus pais tinham sidos assassinados; você entende o porque eu demorei tanto pra te perdoar? Eu confiava em você, e você quebrou essa confiança e depois o meu coração quando me deixou pra morrer lá.

— Eu entendo, agora eu entendo e me arrependo do que fiz, havia outro jeito de lidar com o que aconteceu. Eu sinto que o seu coração eu não posso recuperar, mas espero que possa ter novamente sua confiança, vou fazer o meu melhor pra isso.

— Você é uma boa pessoa Capitão, só fez algumas escolhas erradas e eu também mas todo mundo faz isso, eu sei que em algum momento vamos perceber que eu já vou estar confiando em você novamente, como se nada tivesse acontecido. -Tony falou deixando de lado a parte sobre ter seu coração conquistado, o loiro não tinha nenhuma chance de ter ele novamente.

— Ele faz bem pra você, mesmo quando estávamos juntos não me lembro de ter te visto dessa forma, você está feliz.

— Acho que nunca estivesse tão feliz, Stephen me faz bem e Peter é um sonho de garoto, me sinto em paz finalmente. -Tony comentou sorrindo, e no mesmo momento o elevador se abriu revelando as duas pessoas que faziam ele sorrir daquela forma.

— Você está passando os seus péssimos hábitos alimentares pro Peter, ele está tendocme convencer de que só porque tirou um A+ no trabalho de literatura a gente deveria jantar pizza. -Stephen falou se aproximando e depois de trocar um aperto de mãos com o loiro se inclinou beijando a testa do moreno.

— Você também não acha que eu mereço Senhor Rogers? Eu me esforcei bastante, e recebi muitos elogios por causa do trabalho, tenho que ser muito bem recompensado. -o garoto falou animado se sentando do lado do engenheiro fazendo olhos de cachorrinho, porque ele sabia que sempre funcionava.

Steve somente concordou com a cabeça, sorrindo fraco e se levantando pra sair da cozinha, ele já tinha terminado o que tinha ido fazer ali não tinha mais porque continuar ali olhando o que parecia ser a família perfeito que a algum tempo pode ter pertencido a ele mas sabia que se fosse ele ali debruçado no encosto da cadeira do Tony, eles não seriam tão felizes e perfeitos daquele jeito, pelo menos não com os segredos que ele escondia.

Mas pelo menos, ele podia dormir aquela noite tranquilo em saber que a pessoa que ele amava estava sendo amado e cuidado e que o filho que queria que fosse seu estava sendo tratado e mimado; ele talvez fosse chorar mais uma noite mas sabia que quando fosse se levantar para tomar café da manhã no dia seguinte não iria olhar uma cadeira vazia à sua frente, porque as coisas aos poucos iam voltar ao seu normal.

Minha juventude, minha juventude é sua

Viajando pelos céus, bebendo cachoeiras

Minha juventude, minha juventude é sua

Vamos fugir agora e para sempre

Minha juventude, minha juventude é sua

A verdade grita alto, não dá para ignorar

Minha juventude, minha juventude é sua

Minha juventude é sua

Minha juventude, minha juventude é sua

Viajando pelos céus, bebendo cachoeiras

Minha juventude, minha juventude é sua

Vamos fugir agora e para sempre

Minha juventude, minha juventude é sua

A verdade grita alto, não dá para ignorar

Minha juventude, minha juventude é sua

Minha juventude é sua

Minha juventude é sua

Minha juventude é sua

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