[ Bon Jovi — Thank You For Loving Me ]

- Sabe que horas são, Kaulitz? Você por acaso olhou as horas em algum momento? Eu fiquei te esperando a noite toda!

- Cala a boca, não quero ouvir seus sermões agora.

- Ainda por cima, bêbado! O que esta acontecendo? Você não é de fazer isso!

- Por que? Só você que pode?!

Foram tantas as minhas vezes ficando na sua porta. Já estive lá antes umas mil vezes, por um mal entendido. Mas você olhou nos meus olhos e teve a declaração sincera dos meus arrependimentos. Perdoou-me nas mil vezes, mesmo eu não sabendo lidar direito quando era você.

- De novo bêbada?!

- Não estou bêbada, apenas alta. Por acaso não sabe diferenciar as coisas, seu retardado?

- Deve ter transado com alguém. Olhe as horas e olhe como você chega!

- Você acha que eu sou o que? Uma vagabunda pra sair transando com cada um que me aparece?

Eu poderia? Eu deveria? Desculpar-me por dormir no sofá aquela noite? Por ter ficado até tarde fora com meus amigos? Você me viu desmaiado no jardim de novo e te culpava por isso, só para poder falar com você, nem que suas palavras fossem emitidas por gritos.

- Eu quero saber, você e a... Céus, você e a Catherine ficaram juntos... Quando eu viajei?

Palavras não ditas foram nossas desavenças. Você chorou, eu tentei esconder a verdade, mas não menti. Você partiu diversas vezes quando eu só precisava de uma pequena atenção.

- Eu não sei o que visto.

- Se eu trouxesse uma roupa de palhaço, você ainda assim não deixaria de estar linda.

- Pára de fazer piadinha e vê se me ajuda, senhor engraçadinho?

Seu rosto assombra todos os meus sonhos que já foram agradáveis. Sua voz expulsou toda a sanidade em mim. Seu abraço era como uma ida ao céu, e o seu sorriso do “bom dia” era que me dava prazer em levantar.

- Ei, posso saber o que faremos hoje?

- Hoje é dia de ensaio e eu ainda tenho que passar no ateliê pra checar algumas roupas.

- Ah, então... Nos vemos de noite?

- Sim, sim! Mas não me espere pro jantar. Tchau, Bill.

Toda vez que olho para você, meu amor, vejo algo novo que me deixa mais animado do que antes e me faz te querer mais. Quando vejo o que a vida vem se tornando, tudo que faço é amar você.

- SURPRESA! FELIZ ANIVERSÁRIO, KAULITZ!

- Hun, achou mesmo que eu havia esquecido desta data, bobinho?

- Suspeitava que não.

- Então, me esperou pro jantar?

- Claro!

Já estivemos no inferno e voltamos, não se lembra? Por tudo isso, você sempre é minha melhor amiga. Por todas as palavras que eu não disse e todas as coisas que eu não fiz. Aquele dia eu encontraria um jeito de dizer as palavras certas.

- Mary-Kate, aqui é o Bill. Eu só to ligando pra saber como você está. Quer dizer, na verdade eu só liguei pra dizer um “oi”. Então, oi! Ham... Olha, me desculpa, eu não deveria ter feito o que fiz, e você sabe que nunca foi a minha intenção. Bem... Se você atendesse ao telefone, ficaria melhor pra poder me expressar, é meio estranho falar com uma secretaria eletrônica. Ta bom, você não deve estar em casa, então... Quando ouvir essa mensagem, me liga... Sei lá, a gente poderia marcar de se encontrar. Tchau.

No baile você era a fada solitária que procurava alguém, mas sua magia atingiu meu coração e enfeitiçou meus olhos. Tremi para pedir um encontro, você checou meu pulso? Eu tinha inspiração para compor enquanto você dormia. Eu te mostrei um anel, eu fiz a pergunta debaixo de um céu estrelado.

- Calma, Kate! Não é nada disso que você esta pensando!

- Ah é? Então o que é que eu vejo, Bill?! Você realmente não presta...

Olhando para as páginas da minha vida, as lembranças apagadas de você e eu. Erros, você sabe que eu cometi alguns e arrisquei algumas coisas caindo de tempos em tempos. Querida, você estava lá pra me ajudar a superar. Já estivemos por aqui algumas vezes, tentando recuperar as palavras não ditas. Vou deixar tudo bem claro desta vez, eu só quero você. Se você me perguntasse como chegamos tão longe, a resposta está escrita em meus olhos.

- Você é impossível, Mary-Kate!

- Há, agora EU sou impossível? Você que é louco, seu maníaco ciumento!

- Você se atira para tudo que se mexe e respira. Fica meio difícil não ficar louco com isso. Principalmente quando está bêbada...

- Bêbada?! Você me chamou de bêbada, Bill Kaulitz?

- Deu pra ser surda também? BE-BA-DA, quer que eu escreva?

- CALA A BOCA SEU ANOREXICO, ACHA QUE PODE FALAR DE MIM?

- Eu? Anorexico? Tsc, ta... Não é porque uma pessoa seja magra, que ela seja doente, sua burra!

- Ah claro, com certeza! Uma pessoa que emagrece de semana em semana, com certeza deve ser normal.

- Mary-Kate, eu quero que você pegue suas coisas, saia de minha vida e esqueça que um dia tivemos alguma coisa. Eu quero esquecer que já namorei uma vagabunda.

- Nunca mais apareça na minha frente você, seu ridículo! Eu tenho NOJO de você e não acredito que perdi um ano de minha vida ao seu lado. Você é magro e nem dá gosto de abraçar. Sua maquiagem é ridícula e mais parece um travesti quando coloca essas roupas. Vá se ferrar, Kaulitz! – Ela saiu batendo com força a porta.

Deveria ter fechado minha boca, as coisas tomaram um rumo errado, porque enquanto as palavras saiam dela, soaram estúpidas. Se esse coração pudesse falar, diria que você é a única, mas estou gastando meu tempo quando penso nisso.

- Bem, o caso é grave. Eu e toda a equipe médica presente ontem, tentamos fazer o possível, mas... Já era tarde, nada podia ser mais feito.

- Doutor, por favor, sem delongas. O que aconteceu?

- A senhorita Mary-Kate... Perdeu a visão.

Eu deveria ter dirigido a noite toda e ter ultrapassado todos os semáforos. Eu fui mal entendido. Eu tropecei com minhas palavras, fiz o melhor que pude. Droga! Mal entendido outra vez... Eu só queria que você fosse minha e de mais ninguém.

- Pelo que foi constado pela pessoa que a trouxe, algum produto químico que ela usava para revelar suas fotos caiu sobre seus olhos...

Por todas as vezes que estivemos dançando, e eu disse que seus sapatos estavam me machucando. Você os tirou para não me ver sofrer, você tem feito isso na nossa vida. Naquele dia andando na neve, nós deitamos para olharmos as estrelas, elas sabiam como meu coração batia forte. Aquela árvore sempre terá nossos nomes marcados. Meu amor, eu faria tudo de novo se preciso.

- Infelizmente, por mais que estes casos não sejam a maioria, a quantidade de doadores não supra a necessidade.

- Eu dôo.

- O senhor? Mas...

- Eu causei isso, eu sou o culpado.

- Hum... Senhor Kaulitz, dizem que Deus escreve certo por linhas tortas. Se era para acontecer isto, tudo que estiver envolvido é apenas um pretexto.

Então somente me perdoe por não te fazer sorrir da última vez que nos vimos. Essas feridas parecem não querer cicatrizar. A dor é mais real do que eu posso ver. Talvez até muito mais do que o tempo não possa apagar.

- Esta bem, como queira.

Já vivi, já amei, já perdi, já paguei dívidas, já cansei de ver você partir e pagar pelos meus erros. Sua presença ainda permanece aqui a cada cômodo e a cada retrato, apesar de não poder ver. Até a neve que cai tem um pouco da sua essência e isso não vai me deixar em paz. Todos estes desagradáveis pensamentos agora parecem não valer de nada, mas os guardarei bem.

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