Routine
Routine
Chapter 14 min read

Rotina

O familiar zumbido produzido pela TARDIS ecoava, ao passo que o Doutor travava as coordenadas rumo a Londres, século XXI. Havia bastante tempo que ele e Clara estavam viajando, sem que a morena passasse em sua terra natal. O gallifreyano definitivamente não se importava com isso, porém Clara queria ver como estavam os seus alunos e rever alguns amigos e parentes, então o Doutor decidiu ceder. Ele sempre cedia no final, não importava o quão absurdo pudesse ser o pedido da companheira.

Por um momento, lembrou-se de outros tempos, outra vida, na qual ele não costumava viajar com ninguém, além da sua pequena Susan. Ok, ela não era tão pequena assim, mas avós sempre serão avós e ele não conseguia deixar de mimá-la ou de vê-la como sua criança. E foi graças à ela que ele se abriu para os humanos pela primeira vez. Depois de anos — séculos, na verdade -, humanos acabaram por virar seus companheiros favoritos de viagem e ele conseguia olhar para a Terra com um sentimento parecido com o que ele tinha em relação à Gallifrey. Ok, não era exatamente a mesma coisa, porque pensar em Gallifrey fazia com que seus corações se comprimissem num misto de dor e saudade, porém ele via o planeta azul como seu segundo lar atualmente, o que já era muita coisa, considerando o caráter nômade do Doutor.

O barulho das engrenagens, tão familiares, da TARDIS indicava que estavam prestes a pousar agora. Clara surgiu na sala de controle precisamente naquele instante, parecendo até que estava cronometrando o trajeto. Ela fazia uma listagem de todas as coisas que precisava fazer na cidade e perguntava ao Doutor em quando eles estavam aterrissando.

“Dois dias depois que você partiu, bem a tempo de dar a sua primeira aula do dia.” respondeu o alien.

“Ai, que ótimo! Eu fiquei de recolher as atividades que os alunos fizeram na aula anterior.” comentou a companheira. “Eu bem que podia deixá-las aqui, isso ia me dar mais tempo para corrigi-las. O problema é que elas sempre podem acabar sendo destruídas por um ataque de um Dalek ou algo similar.”

“A TARDIS é bastante segura, não precisa ofendê-la desse jeito.” retrucou o Doutor, passando a mão suavemente no console. “Ela não disse isso por mal, querida.”

“Desculpa, tá?” disse Clara, dirigindo-se à TARDIS. A última coisa que a professora queria era que a nave se indispusesse com ela. Já passara tempo o suficiente viajando com ela para perceber que ela era um ser senciente — e temperamental, diga-se de passagem. A última vez que a TARDIS ofendeu-se com Clara, escondeu o quarto dela por uma semana. Foi a semana mais mal dormida da vida dela e ela não pretendia repetir o feito.

Entretanto, a TARDIS fez um barulho agradável, que Clara entendeu como um “desculpas aceitas” por parte da máquina. Poucos minutos depois, a nave parou.

“Então… Chegamos. Lar, doce lar!” comentou o moreno.

“Não precisa ficar com cara de cachorro abandonado, eu voltarei antes que você possa sentir minha falta.”

“Acho bom.” respondeu o Doutor. As portas da TARDIS se abriram ao mesmo tempo que Clara colocava sua mochila nas costas.

“Tchau, Doutor!” disse Clara, beijando levemente os lábios do mais velho. “Nos vemos mais tarde! Não saia procurando encrenca por aí!”

“Eu nunca procuro encrenca!” defendeu-se o Doutor. “Normalmente, são as encrencas que me procuram.”

“Isso é o que dizem todos os encrenqueiros.” respondeu a professora. “Até mais, Doc!”

O Doutor sorriu com o novo apelido.

“Até mais, Clara!” respondeu o Senhor do Tempo. Em seguida, fechou a porta da TARDIS via console e digitou as coordenadas do local onde passaria o tempo, enquanto sua companheira seguia aquela tediosa rotina humana e lidava com os mini-humanos rebeldes, também conhecidos como “adolescentes.”

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