Rota
Quem poderia estar
Com a Razão que de mim insiste em se esquivar?
[E tem feito uma falta terrível, mesmo nos momentos de inevitável insanidade]
Quem poderia me ajudar
A me livrar da Dor que não quer mais passar?
[E tem doído, mesmo não sabendo de onde Ela vem]
É cansativo, desgastante e tão inútil...
Esperar que alguém me note,
Quando nem mesmo eu faço questão de me notar;
É cansativo, desgastante e tão inútil...
Esperar que algum dia o Vazio vá embora,
Quando Ele é tudo o que me resta
Quem poderia se importar
Com mais um coração partido e alguns nervos desalinhados?
[Componentes vitais e em mim tão desprovidos de emoções concretas e sensatas...]
Quem poderia me mostrar
Como se faz para esquecer coisas que jamais aconteceram?
[Coisas com as quais tenho sonhado ardentemente, inutilmente!]
É tão frustrante...!
Saber que nada disso vai mudar;
Minha tristeza indissolúvel, meus sentimentos absurdos,
Meus desejos imaturos, meus sonhos obscuros...
É deprimente...!
Saber que a perspectiva não é boa,
Que a conta é muito alta pra que eu pague sozinha,
E acima de tudo, que ninguém embarcaria nesse barco fadado ao naufrágio
Quem ligaria... Se nem eu mesma mais me importo comigo,
Quando nem mesmo o Vazio preenche a falta de Vida que eu sinto...
E eu só queria ir embora; queria abandonar essa malfadada rota;
Só queria não sentir mais nada, não me sentir mais assim tão cansada.
Laísa Mangela Gomes Cardoso
(21/03/2009)
