Not So Suddenly.
Not So Suddenly.
Chapter 123 min read

Não Tão De Repente - Parte 1.

O dormitório era incrível. — por fim, decidi desistir do apartamento e ir para um desses, afim de ter alguma companhia. — Digo, não tinha nada de luxuoso nele, era menor do que o banheiro que eu possuía na casa dos meus pais e menor do que meu quarto em meu antigo apartamento, porém aquelas quatro paredes pintadas de cinza significavam um recomeço entanto para mim. A ideia de tentar entrar em Harvard nunca pareceu tão mais brilhante.

Ainda não havia conhecido meu colega de quarto, mas, com a positividade que eu estava no momento, pouco me importava se ele fosse uma versão universitária de Castiel. Tirei minhas coisas das caixas de papelão e comecei a colocá-las em lugares que tornariam tudo mais fácil para mim. Eu ainda continuava sendo um perfeccionista de carteirinha.

Quando terminei sorri para o resultado, não havia feito uma grande decoração, porém as coisas estavam no estilo Nathaniel. Só havia um objeto sobrando; Um porta retrato perdido em uma das caixas, aquele que continha a foto de Florence, que guardei com tanta devoção no criado mudo do meu quarto. Após refletir alguns segundos sobre o que fazer, fechei a caixa e decidi que aquela parte do passado ficaria no exato lugar que ela pertence; no passado.

Suspiro e olho em volta. Esse é meu presente e muito possivelmente meu futuro, o passado não importa.

Minha primeira semana na cidade se baseou em visitas em centro históricos, aproveitei que vim nas férias para conhecer cada pedaço dali, e ah, para minha sorte meu colega de quarto não era uma babaca. Tratava-se de um britânico tímido chamado Henri, que por muitas vezes me acompanhava em meus passeios.

Li todos os livros possíveis, de verdade tirei um tempo para pensar só em mim, tempo que nunca tive antes. Não havia meus pais, Ambre, a escola, ou Florence. Era só Nathaniel pensando em Nathaniel, e eu comecei a adorar o fato de aprender a me importar comigo.

Acompanhei a formatura dos meus colegas através de fotos que minha irmã me enviou e para minha surpresa realmente não senti nenhuma vontade de estar lá. No fim daquela noite, enquanto estava em um bar com Henri, conhecendo alguns dos novos universitários que chegaram ao Campus, recebi uma mensagem de Florence.

Ir para Harvard sempre foi meu sonho, e compartilha-lo com você seria mais do incrível, mas, não é o que me fará feliz agora, a pessoa que eu sou, que eu me tornei através do Dake precisa que cada momento seja vivido ao lado dele. Eu te amo, Nathaniel, mas, não posso sair da Austrália ainda...Aproveite Harvard por nós, consiga tudo que quer e viva...Apenas viva.

Deveria doer em níveis catastróficos ler aquilo, porém, a realidade já havia me atingido a essa altura; Florence era dele, e ele era dela. Os dois eram completamente apaixonados um pelo outro e eu seria um tolo se continuasse acreditando que havia um final feliz para minha história com ela.

Quando o ano letivo se iniciou, escolhi minhas aulas com animação e continuei acreditando que minha mudança fora a melhor coisa que decidi fazer. Os professores eram maravilhosos, do tipo que realmente inspiram você. Continuei dedicando boa parte do meu tempo ao estudo, realmente focado a levar aquilo a sério.

Eu ligava para Ambre que estava em Milão quase todos os dias, ela me mandava fotos de Branca — eu havia a presenteado com ela — saia com Henri às vezes, lia mais livros e semana após semana tentava acrescentar um novo elemento a minha rotina. De qualquer forma, nenhuma das pessoas do passado haviam voltado a fazer parte dela.

Foi em uma noite qualquer de dezembro que aconteceu; quase um ano depois da minha , uns caras que Henri conheceu em uma das aulas deles nos chamaram para uma festa de fraternidade onde os novatos seriam apresentados a galera. Após muita insistência dele, concordei em ir também, afinal já tinha adiantado todos os assuntos.

A festa era igual a todos as outras que ele já havia me convencido a ir; Com muitas pessoas bêbadas, se pegando, fumando e quebrando coisas. Bem, pelos menos até agora ninguém tentou me convencer a me jogar de um penhasco. Peguei um copo de cerveja apenas para tentar me divertir quando Henri me abandonou no meio da sala com música barulhenta, vi algumas garotas piscarem para mim, mas, fingi que não.

Não é como se eu não tivesse ficado com alguém nesse quase um ano, aconteceu, fiquei com algumas garotas, mas, por mais que eu tentasse acreditar, meu coração ainda não estava preparado para tentar de novo, por isso só ficava com alguém quando minha solidão atingia o máximo de dor.

Parei para observar a coleção de quadros com estampas de garotas da playboy em uma das paredes e franzi as sobrancelhas, inclinando a cabeça um pouco para o lado.

—É ridículo, não é? — aquela voz, eu a conhecia. Me virei mais rápido do que eu pensei e dei de cara com aquela presença inusitada. Sorri, estranhamente comovido com sua presença. A aparência só mudara porque agora a mesma usava roupas em tons mais claros.

Alyssa Smith ainda era a garota com os olhos verdes mais brilhantes que já vi, e agora eles brilhavam de diversão, enquanto a mesma com um sorriso leve, segurando um copo de cerveja também me fitava.

—Alyssa. — falo seu nome, como se para ver a forma que eles ainda soavam em meus lábios, ela soltou uma risada animada.

—Desde que eu nasci. — brinca e após muito tempo sem fazer isso por alguém além de mim, eu dou uma risada de volta.

É estranho encontrar alguém que faz parte de um período da sua vida que você tenta ignorar que viveu e o pior, isso se torna mais estranho quando a pessoa que você encontra parece extremamente diferente da que você deixou. Alyssa não tinha mais o ar rebelde e descontrolado, a maturidade de certa forma parecia evidente nela.

—Então, você aqui...? — espero que ela me explique a loucura de sua presença.

—É, quando você foi embora da Austrália, eu meio que fui também, fui para New York morar com meu pai, tentar me encontrar em mim mesma e essas coisas, sabe? Eu meio que consegui algo bom lá...Acabei de me formar e tentei uma bolsa em Harvard...Cá estou eu. — faz um resumo e em seguida morde os lábios. Então, ela é uma das novatas.

—O que você está cursando? — não sei porque quero puxar assunto, só sinto que isso dará em algo bom.

—Bem, eu quero ser uma médica...Uma pediatra especificamente. — me surpreende com aquela, sempre achei que seu lance fosse a música.

—Achei que tentaria o conservatório de Manhattan. — dou voz aos meus pensamentos e ela faz uma careta.

—Sim. Era meu plano por um tempo, mas, ai eu notei que eu queria mais...Queria fazer uma coisa que realmente significasse algo...Ajudar quem precisa parecia uma boa...Houve um evento comunitário no trabalho do meu pai, visitamos um orfanato e quando eu vi aquelas crianças pobres, tendo que superar uma febre da maneira mais errônea possível porque não possuíam recursos para ir a um hospital...Decidi que me formaria, e usaria meus conhecimentos de graça para cuidar delas. — me conta do jeito mais emocionado possível e de alguma forma até eu me imagino em um plano como esses.

Ia falar para ela como a ideia era boa, mas, nosso momento foi interrompido quando um bêbado qualquer derrubou seu drink em mim. Alyssa riu da minha tragédia, mas, em seguida instruiu que fossemos até o telhado da casa que ela notou que estava vazio. A acompanhei tentando enxugar minha camisa no percurso e em seguida nos acomodamos em um dos bancos disponíveis lá.

Por um tempo, Alyssa me fitou em silêncio, depois riu para si mesma. Achei que fosse pelo ocorrido anterior, mas, mais uma vez ela me surpreendeu.

—Quando Florence me disse que veio para cá, quer dizer, que foi primeiro para New York antes de se acomodar no Campus, pensei em dar uma de stalker, e esbarrar em você de propósito, e fingir que não, só para tentarmos algo. — revela, parecendo um pouco sem graça. — Então, tive um surto de realidade e notei que alguns dias não mudariam como você se sentia sobre a Florence, e que você e eu, não ia acontecer. — me comunica disso em um tom baixo. — E agora, estamos aqui, quase um ano depois, acho que essa é a parte engraçada do destino: Acontece quer você queira ou não. — debocha para si mesma.

Engulo a seco, sentado naquele telhado, sobre a brisa gelada, quando noto que de certa forma, nem mesmo meses foram capazes de mudar como eu me sentia sobre Flore, digo, não é intenso como antes, mas, ainda havia algo, se não houvesse, eu já deveria ter conseguido me envolver com alguém. Alyssa percebe meu desconforto e para meu desgosto deduz tudo.

—Uau...Sério? — indaga incrédula, arqueando uma sobrancelha e balançando seu copo quase intacto. — Okay. — cantarola para si mesma, como se para se controlar.

—Pode dizer. — permito e ela arregala os olhos chocada.

—Vamos deixar uma coisa explícita aqui; Você é terrivelmente perfeito, posso afirmar isso, porque desejei você só com um olhar no corredor daquela escola e escolhi me encantar com você ainda mais quando vi tudo sobre você; Sua personalidade, suas atitudes e como sente... É um completo desperdício continuar se doando por alguém que não vai ser capaz de se doar de volta...Não é que a Florence não queira isso, mas, ela não pode. — tagarela de um jeito que nunca a vi fazendo. Ela sempre foi mais calada, o julgamento só vinha no olhar na maioria das vezes. Quando notou que eu a fitava fixamente, ergueu uma sobrancelha. — O que foi? — questiona curiosa.

—Nada. Só não é todo dia que sou elogiado assim. — digo dando de ombros e de forma automática, Alyssa retira alguns fios bagunçados que insistem em ficar no seu rosto. Ela sorri e eu dou um sorriso de volta. Era realmente bom ter um rosto familiar para fitar. Mesmo sendo a garota que eu achava perdida, e que escrevia péssima canções. — E quanto a Florence; Acho que quando você ama alguém, você não para. Nunca. Mesmo quando as pessoas viram os olhos ou chamam você de maluco, mesmo assim você não desiste. Porque se eu pudesse desistir? Se eu conseguisse seguir o conselho de todos, seguir em frente e achar outra pessoa, então não seria amor. — declaro como me sinto sobre isso.

—Então, nesse caso é bom ser amor? Se vier junto com sofrimento eterno? — indaga séria. — Você tem ao menos falado com ela e seguido com aquela amizade estranha? — continua com os questionamentos.

—Na verdade não. Tenho dado um tempo para mim mesmo. — desabafo de forma que não fiz com mais ninguém desde que cheguei aqui. Nem sei porque faço isso, mas, talvez tenha chegado ao meu limite de novo.

—Tempo para si mesmo? — não parece acreditar. — O que tem feito além de continuar sendo o Nathaniel que sempre foi? — parece adivinhar minha rotina.

—Tenho agradecido por minha mudança para cá, mas, talvez pare com isso, depois de encontrar você e me deparar com esse interrogatório. — brinco e Alyssa ri avidamente.

—Não se iluda, querido, me reencontrar será um dos grandes momentos da sua vida. — quando disse aquilo com a voz embargada, notei que talvez ela estivesse um pouco bêbada.

—Eu não sei. — digo, antes de beber um pouco da minha certeza.

—Os grandes momentos da vida podem não ser necessariamente as coisas que você faz, mas também as coisas que acontecem com você… T ipo, a gente se reencontrar. Todas as peças da máquina funcionando constantemente, trabalhando para que você fique exatamente onde deveria estar. No lugar certo, na hora certa. — era bem pretencioso.

—Esse é o momento certo, então? — zombo.

—Sim, o momento certo para eu te dizer a verdade. — diz após tossir um pouco.

—Que verdade? — não dou muita credibilidade a ela, dado seu estado.

—Sobre você seguir em frente...Acho um dia você encontrará alguém, ficará loucamente apaixonado e terá seguido em frente sem nem perceber. — parece me desejar tal coisa, e naquela noite eu realmente agradeci por aquelas palavras.

Agradeci por aquela noite com a garota de olhos verdes e palavras de incentivo.

[...]

1 mês depois.

Eram duas horas da manhã de um madrugada nevada, quando ouvi batidas na porta de meu dormitório, Henri havia ido passar a noite no apartamento de uma garota que estava ficando há semanas e eu estava sozinho, estudando para as provas mensais. Confuso, exausto e já irritado pela inconveniente visita, abri a porta.

Encontrei Alyssa do modo mais estranho possível; Ela trajava um pijama de unicórnios totalmente fora do seu estilo, seus cabelos presos em um rabo de cavalo bagunçado, usava pantufas de um desenho animado qualquer e carregava consigo um enorme saco de amendoins que atacava com vontade.

—Minha colega de quarto levou o namorado dela para o nosso quarto hoje, e eu tenho quase certeza que eles estavam transando na minha frente. Posso dormir aqui hoje? — indaga depois de explicar sua trágica história e antes mesmo de eu falar algo ela se infiltra dentro do cômodo, sob meu olhar incrédulo.

Acho que deixei de comentar que desde a festa do nosso reencontro, Alyssa praticamente colara em mim, digo, a mesma se forçava a ter mais compromissos comigo do que qualquer outra pessoa no mundo e sua nova ideia brilhante era achar uma garota perfeita para mim, porque segundo ela, a mesma já não se encaixava no posto. Nesse meio tempo descobri que Ally é terrivelmente inconveniente, dramática e odeia que a contrariem.

Ela tem manias estranhas; Sempre come quando está irritada, pulas partes de seus filmes preferidos porque tem vergonha de alguns momentos, e gosta de arrumar apelidos estranhos para todo mundo. Ela era um ser humano estranho, que eu estava sendo obrigado a entender.

—Você não tem amigas com quem pode dormir? — indago, mesmo que saiba que ela deve ter uma resposta na ponta da língua para isso.

—Tenho. Porém, nenhuma delas me levará para o Starbucks quando eu acordar como você. — seu argumento era válido, porque tínhamos mesmo o costume de fazer isso.

—Okay. Mas, você dorme na cama do Henri. — aviso apontando para lá. Alyssa faz uma careta.

—Henri fede a cheetos. — acusa indignada.

—Como você sabe disso? — indago confuso e quando ela arqueia uma sobrancelha, arregalo os olhos. —Sério? Você transou com o Henri? — tudo bem que eu já tinha visto algumas interações entre eles, porém não sabia que tinha ido tão longe.

—Uma vez. Depois da festa. Foi péssimo. — admite mordendo os lábios. Suspiro, ainda incrédulo com tudo aquilo.

—Eu não vou deixar você dormir na minha cama. Eu pretendo usar ela, obrigada. — deixo isso claro.

—Podemos usar ela juntos. — oferece e quando eu faço uma careta como a dela de antes, Alyssa suspira. — Para dormir, seu safado. — ainda me acusa.

—Certo...Mas, você não vai tentar nada...Nenhuma aproximação com segundas intenções. — aviso e ela assente.

Alyssa realmente não tentou nada naquela noite, deitamos na cama, conversamos sobre como foi nosso dia, ela me contou as loucuras do seu e eu adormeci perdido nas aventuras dela. Foi divertido, e não foi a última coisa vez que aconteceu, no próximo mês que se passou cada vez que Henri saia do dormitório ela inventava alguma desculpa para passarmos a noite juntos; Às vezes estudávamos na madrugada, assistíamos algumas séries, escutávamos músicas ou simplesmente compartilhávamos um silêncio tranquilo.

[...]

A véspera de natal chegou com toda sua plenitude, não passaria ele com minha família porque escolhi ver as coisas incríveis que acontecem em New York naquela época do ano. Alyssa resolveu me acompanhar naquela jornada de última hora, nos hospedamos em uma pousada perto do Central Park e depois dela me convencer a comprar um par de toucas natalinas ridículas, assistimos um musical incrível na time square e depois patinamos no gelo. Estava sendo ótimo passar o feriado com ela, Alyssa apesar de tudo tinha uma capacidade admirável de tornar as coisas mais fáceis.

Provamos uma infinidade de chocolates quentes em Manhattan na noite do dia 24 e quando o dia 25 chegou trocamos presentes; Alyssa me deu meu primeiro jaleco — presente que me emocionou muito — e eu a presenteei com um novo violão.

Após sairmos do ringue de patinação de novo no dia seguinte, a mesma apontou para cabeça em direção a uma loira que nos observava há algum tempo e sorriu com malícia.

—Ela está te comendo com os olhos. Quando na verdade era você que deveria estar fazendo isso. — Alyssa não tinha papas na língua mesmo. — Vai até lá. Seja um bom paquerador. — ela ordena, mas, eu não me movo.

—Eu vou ficar exatamente aqui. Comemorando o natal com a garota com a qual viajei. — quando declaro isso Alyssa revira os olhos, mas, posso apostar que vi um sorriso satisfeito em seu rosto. Mas, durou segundos.

[...]

Era 31 de dezembro daquele ano, estava em meu quarto gritando pela bagunça que Henri se encontrava fazendo ao tentar encontrar uma roupa para a festa de ano novo que iria hoje. Alyssa estava sentada em minha cama, encostada na cabeceira, com seu laptop sobre as pernas, lendo algo que eu não tinha interesse no momento. Sua presença não era novidade. A mesma praticamente morava com a gente.

Toda comoção de Henri se dava pelo fato de que hoje finalmente pediria a garota que estava saindo em namoro. O mesmo parecia uma mulherzinha em busca da roupa perfeita.

—Que tal eu levar flores para ela? Posso ligar para uma floricultura para me trazerem um buquê. — ele sugere nervoso e eu arregalo os olhos, antes de eu sequer protestar Alyssa faz isso por mim.

—A menos que você queira passar a virada com seu colega de quarto em um hospital é melhor que não peça por essa flores. — Alyssa diz ainda concentrada em sua leitura. Henri franze as sobrancelhas e Ally com seu talento adivinha que ele não entendeu. — Nathaniel é alérgico a pólen. — esclarece.

—Eu estou chocado que a garota que esqueceu uma roupa vermelha em meio a centenas de brancas na máquina de lavar lembre-se disso. — Henri debocha e seu sotaque se evidencia. — Ah, mas, é claro, isso se trata sobre Nathaniel, como ela não lembraria? — brinca, capturando uma camisa verde no armário.

—O que quer dizer? — indago agora confuso, já que Alyssa não diz nada a respeito.

—Que Alyssa liga tanto para sua vida, que é como uma Wikipédia do Nathaniel. — explica convicto, em reação a minha expressão incrédula, ele olha na direção da Alyssa ainda distraída e indaga; — Ally, qual a cor predileta do Nath? — a desafia a responder.

—Azul. — diz no automático.

—O que Nathaniel odeia? — continua tentando provar seu argumento.

—Doces. — responde sem dificuldades.

—Qual a comida favorita dele? — questiona sério.

—Espaguete à carbona ou a bolonhesa. — conta, enquanto digita algo no laptop.

—Gênero de livros favoritos?

—Romance Policial.

—Signo?

—Aquário.

—Aniversário?

—16 de fevereiro. — Henri me olha com uma expressão triunfante, enquanto estático fito Alyssa. Era surpreendente e estranhamente acolhedor que ela soubesse tudo aquilo sobre mim, que ela houvesse se dado ao trabalho de conhecer cada característica minha quanto eu conheci as delas. Passei uma vida toda me preocupando em saber tudo sobre quem eu amava para não cometer algum erro estúpido, enquanto ninguém nem mesmo Florence que por um tempo acreditei ser minha melhor amiga se preocupou em saber do que eu gostava.

—O que você tanto faz ai, afinal? — indaguei para Alyssa, resolvendo ignorar Henri após um suspiro. Ele riu para nós, antes de sair do quarto.

—Acessei o site da faculdade da Austrália e estou lendo alguns artigos da Florence. Ela é realmente boa. — me surpreende novamente com aquela. — Se quer saber, até tem um sobre você, sobre o que tiveram, e parece sincero. — me diz sorrindo de modo calmo.

Me sento na cama de frente para ela, e penso em Florence, em como dentro de um ano longe dela havia descoberto como amá-la de um jeito menor.

—Talvez algum dia eu leia ele. — não desisto da possibilidade, diante daquilo Alyssa larga o laptop sobre a cama e é sua vez de me olhar surpresa.

—Sim. Você deveria faze isso. — concorda de modo sério.

—Então, agora, que tal você decidir o que faremos na virada? — questiono de modo brincalhão e ela ri.

—Eu tenho um plano. — adianta. — Podemos deitar nessa cama, maratonarmos uma série legal e nos enchermos de comida. — me oferece sorridente.

—Parece perfeito.

[...]

UM ANO DEPOIS.

Com Henri ao meu lado na lanchonete do campus, eu tentava me concentrar a todo custo no livro que estava em minhas mãos, mas, volta e meia meus pensamentos só se focavam em Alyssa que há uma semana havia sumido e deixado de me seguir para todos os cantos. A mesma havia conhecido um cara em um passeio fora da universidade e parecia realmente decidida a tentar algo sério com ele, tanto que tem dedicado os últimos dias a conhecê-lo.

Quero me convencer que não sinto falta dela, mas, sei que isso não será possível. Porque sinto. Sinto falta de ter alguém com quem sempre posso contar, que me ouve, me faz rir, e me enche o saco em todos os momentos. São dois anos de uma amizade louca e sem sentido que de certa forma embeleza meus dias mais chuvosos.

—Ally mandou uma mensagem; Ela não vai poder sair com a gente hoje de novo. Parece que esse Ethan ofereceu ela algo incrível hoje. — Henri me conta revirando sua comida e eu assinto, não me surpreendendo com isso.

Após alguns minutos me despedi dele e disse que seguiria para minha próxima aula. Mas, não foi isso que eu fiz, segui em direção ao meu dormitório e peguei meu celular, digitando o número do celular que eu havia conseguido com Ambre há algum tempo. Coloquei-o sob minha orelha e esperei que meu medo mais profundo dissesse algo.

—Alô? — ela ainda continuava com a mesma voz serena, encostado na minha escrivaninha quase chorei.

—Flore? —chamei pela pessoa que evitei por dois longos anos, a escutei prender a respiração do outro lado da linha.

—Uau...Eu pensei que...Uau...É você mesmo. — parece incrédula, feliz e surpresa por minha ligação.

—É...Desculpe por demorar tanto tempo...Precisei me organizar de verdade para tentar de novo...Ainda haviam muitas feridas abertas. — tento explicar minhas razões.

—Está dizendo isso para a garota que por anos não viveu? — se dá ao direito de zombar.

—Senti sua falta cada dia desses anos. — admito sério.

—Eu também. — diz de volta. Fecho os olhos para aquilo, então me recordo da razão que primeiramente me fez ligar para ela.

—Conheci uma garota, digo, eu já tinha conversado com ela algum tempo antes da faculdade, mas, eu não a conhecia de verdade, agora sei sobre cada parte dela, cada defeito e cada qualidade...Eu não planejei que acontecesse, mas, acho que aconteceu, sem que eu percebesse; Estou apaixonada por ela, Flore. E ocasionalmente, se tivesse apaixonado por alguém seria para ela que contaria isso, mas, a situação é meio complicada agora. — quando explico minha situação, Florence gargalha.

—Eu estou muito feliz em ouvir isso e notar que tudo é verdade, e Nath, você não pode planejar sua vida como se ela fosse um prédio. As coisas não funcionam assim. Você precisa apenas vivê-la...E ela vai se projetar sozinha...Então, só ignore as complicações e diga a garota como se sente, se ela conseguiu toda essa confiança da sua parte é porque te merece. — Florence me aconselha.

—Tem outro cara na jogada. O pior é que só descobri como me sentia quando ele apareceu. — relato e Flore suspira.

—Esse outro cara não é você. Nem um outro cara é você. E você é incrível. — me incentiva.

—Disse a garota que me trocou por outro cara. — zombo e nós dois acabamos rindo.

—Apenas, diga como se sente antes que seja tarde. — ela pede e aquela foi a primeira das muita vezes que liguei de novo para Florence Elliott.

[...]

Quando Alyssa abriu a porta de seu próprio dormitório naquela noite, não esperava encontrá-la tão mais linda. Aquele vestido vermelho destacava sua pele pálida e os cabelos presos davam espaço para que seus brilhantes olhos fossem vistos melhor. A mesma me fitou surpresa.

—Nath...Achei que Henri diria que eu não vou poder sair com vocês hoje. — comenta com as sobrancelhas franzidas.

—Ele disse...Mas, eu precisava falar com você. — Admito.

—Okay...Tenho alguns minutos. — disse antes de fechar a porta atrás de si e se colocar no corredor vazio.

Ela me olha esperando que eu fale.

—Sabe quando eu descobri que não amava mais Florence daquela forma de antes? — comecei com aquilo e Alyssa me olhou confusa. — Quando notei que não era exatamente ela que eu amava, mas, sim as memórias do que tivemos e do que poderíamos ter tido. Então, esse é o fim que tivemos. E se tem uma coisa que eu aprendi com o tempo é que o fim, às vezes, é só mais um bom motivo para a gente começar de novo. Eu acho que te encontrar naquela festa foi meu começo, dia após dia você me ensinou que você não precisa continuar esperando que alguém te dê atenção e reconheça o seu amor. Sempre vai aparecer um alguém disposto a te colocar em primeira opção e que não te trocaria por nada no mundo. É essa pessoa que merece o melhor que você tem a oferecer. Então, você deu um tom colorido a minha vida escura Alyssa, com a sua loucura tão apaixonante. E eu descobri também que Florence não era a pessoa certa. Descobri que quando você encontra a pessoa certa, você sabe. Não consegue parar de pensar nela. É sua melhor amiga e sua alma gêmea. Mal pode esperar para passar a vida inteira com ela. Ninguém nem nada se compara.... E você é minha pessoa certa. — desabafei tudo que sentia e Alyssa me fitou com os olhos lacrimejando.

—Você está errado. — é tudo que ela pode dizer.

—Errado? Como assim? — quero entendê-la.

—Por dois anos, eu te vi estagnado por Florence Elliott, apesar das minhas inúmeras tentativas de te ajudar, e eu engoli cada coisa que sentia por você antes de nos reencontrarmos naquela festa, porque não quis criar expectativas sobre algo que não ia acontecer, fui seu ombro amigo, porque você é o tipo de pessoa que todos querem manter por perto...E agora, quando decido realmente ir fundo com alguém, você vem com essa. Não faça isso comigo. — protesta já chorando.

— Fiquei me perguntando como me declarar. Eu pensei que fosse importante como e onde dizer isto. Mas, depois percebi que a única coisa importante é que com você sou mais feliz do que jamais pensei que seria. — continuo para que ela me aceite.

—Para. — ela grita. — Não estrague o que temos falando sobre algo que não é sério. — implora. — Tenho um encontro para ir agora. — anuncia, tentando enxugar suas lágrimas.

—Eu vou esperar por você. — anuncio.

—Eu vou demorar. — retruca.

—Não estou dizendo sobre o horário, estou dizendo que quando você estiver pronta para mim, eu estarei para você. — é tudo que preciso que ela saiba. Alyssa arfa e em seguida me dá as costas em passos rápidos.

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