“Vagueiam suavemente os teus olhares”
Acordei desesperado e peguei o relógio. Suspirei aliviado ao ver que estava na hora certa. Peguei os meus óculos e desci para tomar café. Comi meus Waffles rapidamente, quase engasgando, tomei meu suco às pressas e subi para trocar de roupa. Depois de tudo isso, desci as escadas, me despedi da minha mãe e fui ao ponto esperar pelo ônibus escolar.
Demorou, mas chegou. Subi nele e fui procurar um lugar pra sentar. Por sorte, meu amigo Pablo tinha guardado o meu lugar.
- E aí, cara? Tudo bom? – Ele disse, olhando pra mim.
- Tudo, man! – Respondi, batendo minha mão na dele. Eu notei que tinha uma garota nova, no banco ao lado. – Quem é a novata?
- Ah, ela? É a Samantha, ela veio de SC, Florianópolis.
Eu olhei pra ela e vi que estava sozinha. Senti um pouco de pena, porque sabia como era se sentir excluído como aluno novo.
- Ei, vamos lá falar com ela? – Falei pra ele, dando um soco em seu ombro.
- Eu não! Não falo com alunas novas.
- Tá, seu fresco, eu vou! – Eu disse, me levantando.
Andei até ela, e vi que ela olhou pra mim e ficou meio envergonhada. Ai, eu e meu charme. Eu sorri.
- Oooooooooooi!! – Eu prolonguei o meu oi, porque quanto comecei a falar, o ônibus começou a andar.
Caí sentado no chão, e ela me olhou, assustada. Todo mundo começou a rir de mim. Que mico! ¬¬
- Você está bem?! – Ela me perguntou, em surpresa. Era a primeira pessoa que a me perguntar isso. A maioria só ri.
- Estou... – Eu respondi, meio sem graça. Sorte que meus óculos não quebraram.
- Senta aqui. – Ela disse, sorrindo e dando tapinhas no banco, convidando-me a sentar.
- Ok. – Eu disse, sorrindo e sentando.
Passou um tempo de silêncio. Eu tinha que dizer alguma coisa pra quebrar aquele silêncio mórbido.
- Meu nome é Fernando. O seu nome é Samantha, né?
- É. – Ela respondeu timidamente.
- Me disseram que você é de Santa Catarina. É legal lá? – Eu continuava sorrindo.
- É... – Ela disse, ainda tímida. – Muito frio.
Eu sinceramente não me agüentei. Comecei a rir sem parar.
- O que foi? – Ela me perguntou, me olhando sem entender a graça.
- É que... Você falou isso tão sério – Eu disse, ainda rindo. – Você é uma graça!
- Obrigada... – A ouvi dizer, sorrindo.
Depois de rir até doer a barriga, parei e o silêncio voltou. Permanecemos em silêncio por um breve momento, até que ouvi ela se acabar de rir ao meu lado.
- O que foi? – Perguntei rindo um pouco.
- Não, é que aquela sua queda... – Ela disse, e continuou rindo alto. – Foi muito hilária!
- Ora, sua... – Eu disse, e fiz cócegas nela. – Achei que tinha se preocupado!
- Eu me preocupei – Ela disse, empurrando as minhas mãos enquanto ria. – Mas não deixa de ser engraçado!
A risada dela era a mais divertida que eu já tinha ouvido. Rimos juntos, até que ela parou.
- Pareço uma boba rindo assim.
- Eu gosto da sua risada – Eu disse, ainda rindo um pouco. – Ela é divertida.
Ela olhou pra mim e sorriu. De repente, o ônibus parou. Tínhamos chegado.
- Chegamos, pessoal! Peguem as suas coisas que vamos descer. – Disse a professora de ciências, Sara.
- Vem! – Ela disse, sorrindo e pegando a minha mão. Ai Deus, o que eu faço?! É a primeira vez que uma garota pega a minha mão tão suavemente!
- Ok! – Respondi, tentando disfarçar o nervoso.
-CONTINUA-
