My Broken Wings
My Broken Wings
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Capítulo Unico, My Broken Wings

Sabe, todos nós nascemos como anjos, e não há uma pessoa que possa negar isso. Mas vocês, humanos, nascem apenas com a inocência, nascem sem as asas, talvez porque o criador não queria que vocês fugissem, ou talvez porque ele queria que vocês fugissem é que não lhes deu asas.

Mas eu sou diferente... Eu sou um anjo completo, ou pelo menos era. Tenho as asas, mas elas estão quebradas...

Os anjos foram proibidos de ter o seu próprio livre-arbítrio, eles deveriam obedecer incondicionalmente. Essa foi a lei estabelecida nos primórdios do mundo, quando os humanos não eram nem ao menos uma mera idéia. Inicialmente foi fácil manter nossa palavra, e tínhamos uma certa liberdade, mas com o tempo, através dos anos, séculos e milênios, era difícil aceitar que criaturas tão inferiores e tão manchadas de maldade como os humanos tinham a dádiva que nos era negada...

Todos nascemos anjos, completamente puros, com asas brancas, os humanos não podem ver ou usar suas asas, elas permanecem dentro deles, e quase sempre estão sujas de maldade, algumas como se tivessem sido mergulhadas em petróleo.

Eu nasci assim, mas minhas asas logo perderam o brilho puro e se tornaram de um branco mais triste, mais vazio, enquanto meus irmãos ganhavam cores vivas que combinavam com suas personalidades...

Nós éramos presos a terra, nossas asas haviam sido presas por correntes em nosso nascimento e não serviam mais do que enfeite, nós rastejávamos, e poucos ousavam erguer os olhos para os céus... E aos poucos as minhas asas ficavam mais tristes, e mais vazias.

Não sei quando aconteceu, mas um dia vi um anjo, livre, voando... Eles eram raros, nasceram privilegiados, tinham a liberdade de fazer o que quisessem, e quase sempre nos repudiavam, nós, a classe inferior de anjos, que nasceram sem a permissão de voar, nós que tínhamos nossas asas manchadas com a sujeira do chão...

E um dia eu senti raiva desses seres privilegiados, desse mundo injusto, porque eu havia nascido sem a permissão de voar? Eu não entendia, e mesmo assim quando observava os que podiam, a raiva crescia. Eles também não ousavam erguer os olhos aos céus, eles não ousavam subir mais que poucos metros, eles tinham medo de voar, como se não fosse natural para anjos voarem... Eles não aproveitavam a dádiva que lhes foi dada...

Não sei se foi a raiva, ou a curiosidade, ou a inveja, ou apenas destino que me fizeram olhar o céu azul, mas o fato é que olhei, e instantaneamente me apaixonei pelo que vi. Era aquilo que eu queria, aquilo era natural para mim, aquilo era a liberdade, liberdade que tantos negavam que existisse, liberdade que aqueles a quem era dada não aproveitavam...

Quando olhei a minha volta, depois de me apaixonar pelos céus, notei o quanto eu estava diferente dos outros. Minhas asas já não eram sujas de terra e já não tinham o tom triste de antigamente, elas eram azuis, claras como o céu, e pareciam ter um brilho próprio, que hipnotizava... Vi meus companheiros me olhando... Eles viram como eu estava diferente, e eu vi como era diferente deles. Eu estava de pé, e eles ajoelhados, eu tentava com todas as partes do meu ser me elevar ao céu, eles pouco se importavam com o chão em seus pés... Era frustrante ver aquilo, e logo vi que meus irmãos, aos poucos me abandonaram, eu já não era como eles...

Passei muito tempo sozinho, minhas asas azuis nunca perderam a cor e o brilho, e meu desejo por liberdade ficava cada vez mais forte, eu não iria agüentar aquela prisão por muito tempo.

E não agüentei...

Lutei contra o sistema, contra o mundo, contra meus irmãos, e contra todos os que se opuseram contra meu desejo, e um dia, quebrei as correntes que prendiam minha asas, mas o custo foi grande, minhas asas se quebraram, e, acredito que como castigo, nunca mais se curaram...

Me senti um idiota, havia perdido minhas asas justamente por aquilo que somente elas me permitiam ter, o céu. Era irônico, era triste, era ridículo.

A dor de perdê-las só não foi maior que a dor que senti em meu coração quando olhei para o céu azul, tão distante, tão belo, tão triste, e saber que nunca poderia me unir ao meu desejo de liberdade... Era inútil, pois eu havia enfrentado todas as leis do mundo, e todas essas leis se rebelaram contra mim, e meu único desejo foi negado...

Tentei voltar aos meus irmãos, mas eu não era mais um deles, tentei ficar com os que nasceram livres, mas eles também não me queriam por perto. Eu me tornei uma existência única, algo que não deveria existir, alguém condenado a solidão para a eternidade...

Mas sabe... Quando se esta sozinho você tem tempo para pensar, e por muito tempo eu estive sozinho, fingindo ser parte do que não era. E descobri que antes mesmo que eu olhasse o céu eu já estava sozinho, sem paixão, sem vida, era isso que minhas asas vazias significavam, pois não há vida sem a vontade, e não há vontade sem paixão, e a minha paixão era a liberdade, eram os céus, era o vento batendo na minha face, meus cabelos voando para trás, minha paixão era o azul infinito, as nuvens de algodão, e a sensação de que o mundo todo era pequeno demais, visto do alto.

Eu não sabia como conhecia essas sensações, ou como poderia descrevê-las tão bem, sem nunca ter voado, mas uma coisa eu sabia, se o preço por pelo menos conhecer isso foram minhas asas, eu pagaria o mesmo preço milhares de vezes, infinitas vezes, para sempre acabar olhando os céus, com os mesmo olhos apaixonados, e sonhar...

E era isso que eu era agora, pois o anjo de asas quebradas nunca poderá voar, mas ele ainda vai olhar para o céu e sonhar...

Fim...

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