Sim, nós brigamos....
– Sheldon, eu não acredito que você deixou ela fazer aquilo! — Ela me olhava incrédula no meio daquela boate barulhenta.
– Eu achei que fosse algo normal entre pessoas! — Eu tentei argumentar, em vão...
Sim, nós terminamos...
– Beijar alguém comprometido na boca NUNCA é normal Sheldon! — Ela gritava e todos à nossa volta nos olhavam
– Foi ela quem me beijou! — Mexia freneticamente meu cabelo de cima para baixo com a mão direita.
– Você deixou! — Ela segurou minha gola, como se fosse me bater, mas fez pior, me encarou com lágrimas nos olhos, lágrimas de sangue...
Sim, eu implorei, supliquei, mas no fim...
– Sheldon, me dê uma boa razão para eu continuar com você. Uma. — Ela estava de costas pra mim, do lado de fora daquela boate maldita, ela caminhava na direção oposta à minha.
– Eu tenho uma razão! — Ela parou e me encarou...
– Qual? — Seus olhos estavam vermelhos, sua roupa molhada devido a chuva e sua voz tremula
Sim, eu fui atrás dela, mas no fim ela não me ouviu, mas ela tem toda a razão do mundo...
– Estou esperando. — Ela cruza os braços e me encara, suplicando-me com seus olhos para que eu a fizesse ficar.
– A razão é que... — Eu sabia o que dizer, mas as palavras não vinham à minha boca...
– Eu não vou perder meu tempo com isso! — Ela começava a chorar novamente, e então, virou-se de costas e correu desesperadamente.
Sim, ela chorou...
E eu também...
Ela foi embora...
E então eu finalmente soube recitar aquelas palavras...
– Eu te amo Amy...
Na outra semana
O desespero era uma rotina, a solidão resumia minha vida. Eu me isolei de tudo e todos, tinha vontade de morrer, ficava no quarto o dia inteiro... Desenhando seu nome no ar, relembrando os momentos... Tudo tinha acabado, tudo...
– Hey Sheldon, eu sei que você está triste mas você precisa ver o noticiário... — Ele disse com um tom melancólico em sua voz .
Levantei-me vagarosamente e segui até a sala. Não tomava banho há uma semana, estava com a roupa suja, fui demitido de meu trabalho... Tudo estava acabado, não podia piorar.
– Encontra-se em estado grave a vítima de estupro na esquina da boate Rock Máfia - Onde eu e Amy estávamos...– As possíveis testemunhas relatam que a mesma havia terminado com o namorado minutos antes no horrendo crime, provocando assim, uma inconsequente corrida por ruas e becos perigosos da cidade. Os suspeitos ainda não foram encontrados. — Lágrimas descem de meus olhos, meus joelhos ficam bambos e o último resquício de vida que habitava-me se esvai, deixando apenas a escuridão e a vontade de morrer que agora predominava meu peito. A foto de Amy aparece na televisão. — Mais notícias você vê hoje, às 8 horas da noite, aqui, na CBS.
Caio no chão, desolado e banhado em lágrimas... Eu precisava vê-la.
– Leonard, poderia me levar à um lugar? — Disse agora ajoelhado, apoiado na mesinha e de cabeça baixa.
Algumas horas depois
Adentrei naquele lugar com cheiro de morte e andei. Havia falado com o doutor que me permitira visita-la e dar o temido adeus. Eu tinha flores em mãos, chocolates, uma folha amarelada, uma caneta dourada e uma caixinha de veludo.
Sentei-me perto da cama e ela acordou.
– S-Sheldon, o que faz aqui? Quem te deu o direito d...- Sua voz vacilou. Eu a abracei.
– Me desculpe Amy, isso tudo é culpa minha... Eu não fui atras de você, eu errei, eu. Amy, me desculpe, por favor, eu te imploro!- Eu chorava e olhava para seus olhos e depois para seu corpo todo enfaixado.
– Você ainda não me disse a razão... — Ela abaixa a cabeça. Vi uma mancha de sangue se alastras pelas faixas... Meu tempo está se esgotando.
– A razão é que eu te amo com todas as minhas forças Amy Farrah Fowler. E eu queria saber se você aceita se casar comigo... — Pego a caixinha de veludo e mostra à ela. Lágrimas escorrem de nossos olhos.
– Sim, eu aceito. — Dou um beijo em seus lábios e ouço alguns apitinhos da máquina que media sua frequência cardíaca. Embora estivesse emocionada, a mesma era cada vez menor.
Peguei uma caneta e o papel que havia trazido. Era de um cartório próximo dali. Ao assinar, estaríamos casados.
Primeiro ela assinou, depois eu, e enfim fizemos o juramento.
– [ ... ] Até que a morte nos separe. — Dissemos em um uníssono. Sua frequência cardíaca estava quase nula. Eu a beijei e então a máquina fez um barulho constante. Médicos entraram e lágrimas rolaram de meus olhos e chegaram ao meu sorriso.
Eu fui ao seu enterro, estava chorando o que nunca havia chorado, mas com um sorriso no rosto.
Por mais que eu estivesse triste, por mais que todos os meus motivos pra viver estivessem mortos, eu olhava para aliança e finalmente tinha um motivo para sorrir.
E se me perguntarem o por quê, direi que nem a morte nos separou.

