Um dia, uma pequena flor rosa nasceu.
Oh, claro que era natural uma flor rosa nascer. É uma cor comum nas flores, e seria apenas mais uma flor.
Mas não era bem assim.
Essa flor rosa nasceu num campo onde o amarelo pairava. Todas as flores eram tingidas em várias cores de amarelo.
Excepto aquela flor. Aquele pontinho rosa no meio daquele amarelo.
A pobre flor foi menosprezada por ter nascido com aquela cor. Tinha um aspecto diferente e sobressaia na multidão, e por isso elas achavam que ela era vaidosa. Que se achava melhor que todas as outras flores só por ser rosa.
Mas não era verdade.
A humilde flor fazia os possíveis para tentar arranjar um amigo. Mas nenhuma das outras flores queria conversar com ela. As únicas palavras que lhe eram dirigidas eram cheias de ódio, de raiva.
De inveja.
Então, a solitária flor chorava. E desejava que, no meio de um campo enorme como aquele, alguma flor parasse por um segundo para lhe perguntar o que se passava.
Mas todos a ignoraram.
Chegou então a Primavera, e assim a altura de as flores largarem o seu pólen.
Oh!, a pobre flor não sabia como o fazer. Parecia que precisava de ajuda. Mas todas as outras flores conseguiam fazê-lo sozinhas. Porque é que ela não conseguia? Seria ela assim tão fracassada como as outras flores diziam?
E então surgiu um pássaro. E ela nunca se havia sentido tão feliz. Parecia que ele queria fazer amizade com ela, bicando-a suavemente.
Mas quando ele voou novamente, a pequena flor voltou a estar sozinha. Não havia ninguém com quem falar.
Até que se apercebeu que o pássaro havia levado os seus grãos de pólen. O que é que ele tencionava fazer com eles?
Os grãos de pólen uniram-se a outros e fizeram amizades. Mas oh!, os pobres grãos de pólen foram separados em flores diferentes. As suas amizades terminaram, e os grãos de pólen da pobre flor ficaram tristes.
Até que chegaram ao seu destino.
A sua casa.
E a solitária flor já não o era; o campo varrido por amarelo estava diferente. Começavam-se a notar vários pontos rosa naquela vastidão de flores, e não apenas um.
Ah, como a pequena estava feliz. Ela finalmente tinha amigos!
E as flores amarelas apenas ficaram com mais inveja, mas não importa.
Já não importava, porque a pequena flor rosa estava rodeada de amigos.
E para ela, nada era mais importante que isso.
Ela mesma se havia isolado das outras flores amarelas antes, e por isso ficou sozinha. E por o ter feito é que ela podia compreender perfeitamente as flores amarelas. Elas estavam sozinhas, pois agora o campo amarelo era rosa.
A alegre flor, já não mais pequena, podia muito bem ignorar as flores amarelas. Podia faze-las passar pelo mesmo que ela fez como uma vingança.
Mas oh, como aquela flor era amável. Ela somente quis viver uma vida feliz com amigos, e acreditava que as flores amarelas quisessem o mesmo.
Ah, mas como ela se enganava. As flores amarelas traíram-na e magoaram-na.
Mas o mais fascinante daquela flor não era a sua amabilidade, nem a sua gentileza.
Era o seu coração puro.
E ela perdoou as flores amarelas, mesmo quando elas a magoaram das piores maneiras possíveis. As flores invejosas não compreenderam aquele acto. Mas ainda acreditavam que aquele acto era relacionado com a cor dela.
A flor rosa sorriu. E as flores amarelas, mais uma vez, não perceberam.
Até que ela disse…
O que importa a cor, se todas somos flores?