Dia dos namorados e o pub praticamente vazio. Ela olhava para a porta com o coração na mão cada vez que esta abria.

\'Será que ele não vem?Todos os anos ele aparece\'- pensou ela — \'Só nesse dia ele aparece\'

Até que a porta do pub abriu. Trouxe com ela o vento gélido daquela noite de fevereiro. E ali estava ele. Expressão fechada, monocromático como sempre camisa de gola alta e sobretudo pretos.

Ele a olhou. Ela estremeceu. Ele se aproximou. Ela sorriu.

- Boa noite,Rosmerta.

- Boa noite, Severo. O de sempre?

- Sim. O de sempre

Ela o trouxe uma dose de firewhisk, e o encarou.

- Sabe Severo, às vezes tenho a impressão de que não sente nada por mim.

- Mas eu não sinto.

- Ah não? E o que há entre nós?

- Bebida, uma boa conversa casual e sexo. Eu te disse que era só o que eu poderia lhe que tinha ficado acertado isso desde o começo.

- Então isso tudo é um acerto? É isso?

- Não, isso tudo é uma forma de aproveitar a vida sem muita burocracia romântica dos tolos apaixonados.

-Então para você eu sou isso? uma tola apaixonada?

-Por favor, Rosmerta, não vamos brigar.

- Não estamos brigando. Só gostaria de saber a nossa situação.

- Está como sempre foi. Vai querer mudar algo depois de tanto tempo?

- Talvez. Mas acho que este não é o momento propício.

- Gostei disso.

-Mas e eu Severo? Como eu fico?

-Como você fica? comigo, oras.

-Eu te odeio Severo.

- Eu sei. E nós? Como ficamos?

- Como ficamos? Como sempre foi não é mesmo? Você aparece quando quer, pede uma bebida, me fala dos seus problemas, mais uma bebida, olha pra mim com esse olhar canalha de quem sabe o que fazer comigo, me convida para subir, fazemos amor e depois você vai embora.

- Sexo casual. Não te prometi amor em nenhum mometo. Então?Vamos subir?

- Um dia Severo, eu ainda vou te dizer não.

- Enquanto esse dia não chega, podemos ir para o quarto?

FIM

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